ACREDITEM, ELAS SE TORNARAM GAROTAS LEGAIS


Há cerca de 15 anos, eu reclamava da pouca variedade de espaço para as musas na Internet e cheguei a classificar como "sem graça" atrizes, modelos e outras famosas que apareciam muito na rede, alvo de um hype tão típico na mídia de celebridades.

É certo que eu exagerei e cometi injustiças nessa época, daí valer a postagem em questão, depois que algumas dessas mulheres mostraram que são belas e charmosas, sim, e que com o tempo puderam fazer algo que justificasse melhor sua superexposição, embora, pensando bem, elas nada tenham feito de constrangedor ou oco em suas carreiras.

Em 2001, a Internet brasileira já tinha uma movimentada demanda de usuários, evidentemente longe do que se observa hoje em dia. Mas seu acervo era incipiente e seu repertório de informações menos abrangente e menos verídico.

Só para se ter uma ideia, a história da Rádio Cidade FM, do Rio de Janeiro, inexistia na Internet, eu mesmo tive que criá-la com o extinto Cidade Disco Years, que teve boa repercussão. E, naquela época, a Folha de São Paulo e a Veja tinham poder absoluto sobre a opinião pública, mídia "de esquerda" era Isto É e TV Bandeirantes e a blogosfera praticamente não existia.

Diante desse obscurantismo midiático, felizmente as coisas começaram a mudar ao longo do tempo. De forma dolorosa, é claro, com internautas tomando surra de reaças nas mídias sociais e blogueiros tomando processos de "urubólogos", os leques foram abrindo aos poucos em questão de uma década e meia.

Se a gente reclamava por que atrizes muito famosas como Daniele Winits e Luana Piovani recebiam atenção demais na Internet, ou que musas de biquíni como Fernanda Lima monopolizavam os espaços de mulheres atraentes na rede, nós, na nossa boa-fé, não imaginávamos que haveria coisa bem pior.

Se víamos oportunismo em Adriane Galisteu só porque ela foi namorada de um corredor famoso e líamos as colunas de jornais dizendo que ela era "subcelebridade" e a acusavam de usar o saudoso esportista Ayrton Senna como "trampolim" para sua carreira, ignorávamos catástrofes bem piores.

O tempo passa, a poeira se assentou e a gente percebe o quanto exagerou. Sim, as quatro mulheres focalizadas, a exemplo de outra, Daniella Cicarelli, tornaram-se garotas legais, de qualidades admiráveis e sucesso bastante merecido. Superexposições da mídia à parte, elas eram batalhadoras e tiveram justiça em alcançar a fama e o prestígio.

Pode até ser que elas sejam criticáveis aqui e ali, vide as polêmicas de Luana Piovani ou o fato de que Daniele Winits errou na maquiagem ao aparecer numa festa da Rede Globo. Mas, no conjunto da obra, as garotas tornaram-se admiráveis seus talentos reconhecidos.

É certo que, ultimamente, andaram reclamando de que Dani Winits não recebeu os fãs no fim de uma peça, ou coisa e tal. Talvez sejam seus erros, sim, que ela deva corrigir em breve. Mas isso não a impede de ser uma atriz consistente como andou mostrando em trabalhos recentes.

Adriane Galisteu se destaca pelo fato de se tornar uma ótima apresentadora. E, curiosamente, seu marido e colega do programa Papo de Cozinha com Dri e Alê, do Discovery Home & Health Brasil, o empresário Alexandre Iódice (da família dona da famosa grife que leva o sobrenome), surpreeende pela jovialidade e pelo visual arrojado de D'Artagnan moderno (por causa da barbicha pontuda).

Alexandre Iódice chega a surpreender em personalidade, por exemplo, diante do também empresário Fred Wagner, marido de Didi Wagner, porque este, apesar do background de antigo garotão roqueiro, parece, como empresário, querer fazer o tipo do homem de negócios "tradicional" e do marido "lugar comum" da apresentadora do Lugar Incomum.

Fernanda Lima tornou-se a nossa Maria Menounos, no sentido de se firmar como apresentadora de televisão, e seu marido Rodrigo Hilbert também compartilha da mesma desenvoltura e simpatia. Ele está à frente de um elogiado programa de culinária.

Os tempos mudam e, se reclamávamos da ampla presença midiática dessas moças, não imaginávamos que haveriam mulheres que seriam famosas por nada, só mostrando os corpos ou indo a noitadas, fraudando estado civil para ninguém dizer que subiram na vida às custas de maridos durões e promovendo o vazio cultural do show business brasileiro.

Portanto, fica aqui a minha autocrítica e a de outros com similar situação. E manifesto aqui meu apoio a Dani, Luana, Fernanda e Adriane em suas atividades, desejando que elas mantenham seu sucesso e sigam em frente.

Comentários