Pular para o conteúdo principal

Postagens

ARCABOUÇO FISCAL, O CABO ELEITORAL QUE AGIU CONTRA LULA

Postagens recentes

GLOBO E FOLHA DIVERGEM SOBRE POSICIONAMENTOS QUANTO A LULA

No conjunto de seus textos, dois principais veículos da grande mídia, as Organizações Globo e o Grupo Folha, mostraram uma discreta divergência quanto às posições tomadas nos últimos meses sobre a candidatura de Lula. Enquanto a Globo sinaliza uma proximidade com Flávio Bolsonaro, portanto atuando de forma opositora à reeleição de Lula, a Folha parece adotar uma postura que é favorável ao petista. As posições são uma média das matérias publicadas nos dois veículos. Não se trata de corroborar com a narrativa bolsonarista de que a grande mídia seria apoiadora e beneficiária das verbas dos governos do PT, mas apenas sinalizar um contexto em que mesmo setores conservadores da sociedade se sentem ameaçados pela possibilidade de Flávio Bolsonaro vencer as eleições. Da parte da Folha de São Paulo, a exceção vai para articulistas que não se identificam com Lula, mas não deixam claro se apoiam ou não Flávio. Do outro lado, há atores e atrizes da Rede Globo que, em grande maioria, manifestam apo...

FLÁVIO BOLSONARO É ESPELHO DE UMA ELITE ENVERGONHADA, QUE APELA PARA LULA

A realidade é complexa e nela não cabem linearidades nem maniqueísmos fáceis. A constatação de que Lula agrada mais aos ricos do que aos pobres, estes em boa parte alinhados a Flávio Bolsonaro, revela o quanto o Brasil não é um país para principiantes. Na verdade, as elites veem em Flávio Bolsonaro o “monstro” que eles criaram e do qual querem se livrar, temendo o efeito bumerangue de tantos golpes. A burguesia derrubou Getúlio Vargas em 1945 e 1954, derrubou João Goulart em 1964 e, mais recentemente, pediu o golpe contra Dilma Rousseff em 2016. As elites do atraso desenharam em 1974 um modelo de país funcionalmente conservador, embora quase moderno na fchada. Bregalização musical e comportamental, ônibus padronizados (com trabalho opressivo dos rodoviários), a idolatria e o falso altruísmo dos “médiuns”, o rock pasteurizado difundido pela 89 FM, tudo isso se desenvolveu por interesse das elites que defenderam a anestesia social dos brasileiros. A velha ordem social que, através desses...

ACHARAM O CACHORRO-QUENTE RAIZ. AGORA SÓ FALTA ACHAR O JORNALISMO RAIZ

Uma matéria divulgada pelo UOL mostrou uma lanchonete que vende o cachorro-quente tradicional, hoje tão raro que até o enroladinho de salsicha serve como alternativa para o famoso sanduíche, que no Brasil passou a ser recheado com um certo exagero. Para quem não sabe, o cachorro-quente era conhecido apenas por um pão com salsicha e a pessoa podia colocar ketchup e, às vezes, mostarda ou maionese. Podia ter um molho simples, um caldo feito com tomate, pimentão e cebola. De repente, o cachorro-quente passou a ter queijo ralado, que lhe tira o sabor original, e, depois, passou a ter purê de batata, batata palha, milho e outros itens. Fala-se até num tal de “completão”, que tem tudo quanto é recheio. Mas hoje até o cachorro-quente considerado “simples” tem recheio desnecessário, com batata palha e queijo ralado. Aí vem a matéria do UOL. O repórter tem aquela “nova” linguagem que faz o jornalismo padrão da Era Temer definir como “reportagem leve”, com as matérias produzidas em “tom de conve...

BENITO DI PAULA E A GURMETIZAÇÃO DO BREGA

O falecimento do cantor, pianista e compositor Benito di Paula, anteontem, nos põe a pensar. De uma geração mais antiga da música popularesca, Benito era considerado “subestimado” por seus admiradores, mas na prática era o contrário. Benito era superestimado até além da conta. Considero a música de Benito di Paula medíocre. Letras primárias com um som que soa um pastiche do sambalanço. Foi comercialmente bem sucedido por que é esse o propósito. Como toda música popularesca, a música de Benito sempre foi comercial. Daí o aparente esquecimento que muitos reclamavam em relação ao cantor. Poucos conseguem entender o que é de fato a música brega, raiz de uma longa linhagem de tendências popularescas que se tornou hegemônica no gosto da maioria dos brasileiros. A falsa “diversidade” do “popular demais” é,na verdade, uma tentativa do mercado brasileiro de entretenimento copiar o som da música comercial que faz sucesso nos EUA, mesmo que originário de outros países, como Reino Unido, Itália e ...

DEBATE DA BAND MOSTROU QUE LULA NÃO QUER DISCUTIR IDEIAS

O debate presidencial de anteontem na Band deixou a máscara cair para Lula, que deixou de ser o político sério que muitos de nós ainda acreditam que ele seja. O debate foi marcado por troca de acusações entre o petista e o rival da extrema-direita, Flávio Bolsonaro. De Flávio, espera-se que ele faça o show de acusações e bravatas, pois é de praxe entre os bolsonaristas a acusação de corrupção contra o PT e, em especial, contra Lula. Mas analisar isso é chover no molhado, diante de tanta obviedade. Já Lula supera, no sentido negativo do termo. Ele renegava os debates quando esses eventos incluíram candidatos da Terceira Via, e Lula tentava teorizar seus boicotes. Dizia que o formato de debate estava caduco e que o petista não aceitava debater com candidatos que, ao seu ver, “não tinham grande representatividade no Congresso Nacional”. Em outras palavras, Lula se recusa a debater com “nanicos”, que poderiam vencer o petista no confronto de ideias. Só que, em um debate com vários candidat...

O DESESPERO DOS LULISTAS PELA DEMOCRACIA DE UM HOMEM SÓ

O PRÓPRIO PRESIDENTE LULA USOU A CAMISA DA CBF NA CAMPANHA DO ÚLTIMO FIM DE SEMANA. A noite do dia 17 de outubro de 2026 representou a queda da máscara de Lula, com o manifesto do apoio de ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso, como Aloysio Nunes, Cláudia Coston e Rubens Ricupero, da filha do ex-presidente, Beatriz Cardoso, e do jurista Miguel Reale Júnior, que assinou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Sob o pretexto de garantir a “democracia”, a nata do tucanato raiz mostra que o esquerdismo de Lula, que sempre foi moderado, virou coisa do passado. E, no último fim de semana, os lulistas se apropriaram de um símbolo bolsonarista, o uso político da camiseta da CBF, para tentar enfraquecer a candidatura de Flávio Bolsonaro. A ideia, transmitida por André Janones no seu canal “Exército do Lula”, era transformar a camisa da Seleção Brasileira de Futebol em um “símbolo pátrio”, associado à “democracia”, o que fez muitos famosos aderirem a essa campanha. Mas ela foi um ...

CONSULTORIA BRASILEIRA DE ROCK 3: “ANOTHER BRICK IN THE WALL - PART 2”

Dando continuidade às análises sobre os clássicos do rock se eles fossem lançados hoje, vamos mostrar um clássico do Pink Floyd, “Another Brick In the Wall - Part 2”, de 1979. Com a reação dos negacionistas factuais que acham que rock tem que ser “puro negócio” e que consultoria não rejeita músicos audaciosos. Esquecem que uma coisa é a teoria permitir tudo, outra coisa é a prática fazer várias restrições. Não concordo com as posturas manifestas nas simulações de avaliações dos consultores de rock brasileiros, mas é necessário colocar essas visões, para verificar como é essa mentalidade “empresarial demais” prejudica a cultura rock, mesmo com toda aquela narrativa de “viabilidade econômica” que não convence sequer uma lesma. Vamos a nossa análise: “Prezado Roger,  Eu reconheço seu esforço de compositor e músico de rock, que é indiscutível, mas vejo que às vezes você adota posturas que trazem algum incômodo.  Nem digo sobre aquela canção do passado, “Interestelar Overdrive”, qu...

A DIFÍCIL MISSÃO DE NOS LIVRARMOS DO ENTULHO CULTURAL DA ERA GEISEL

MUITA GENTE PENSA QUE OS ENTULHOS DA ERA GEISEL REPRESENTAM AS "BOAS COISAS DA VIDA". A potencial vitória eleitoral de Lula, por conta de vantagens como os comícios dos últimos dias 11 e 12, e da aprovação do fim da escala 6x1 no trabalho, ideia apropriada pelo presidente visando a reeleição (ele havia inicialmente desprezado a causa), obriga o Brasil a abrir mão de grande parte dos valores dos quais estava acostumado a apreciar. O Brasil passou por retrocessos socioculturais que foram introduzidos a partir do golpe de 1964. Consolidados dez anos depois com o culturalismo pós-milagre brasileiro, esses valores criaram o “novo normal” que acabou criando zonas de conforto, condicionando a “felicidade” e a “liberdade” de milhares de pessoas. A bregalização musical, a mediocridade cultural, o obscurantismo religioso e outros hábitos, que vão da divinização do cigarro, do fanatismo do futebol levado às últimas consequências e a decisão idiota de transformar o hábito de jogar comida...

CONGRESSO DERRUBA ESCALA 6X1 NO TRABALHO. COMO FICA AGORA?

O Congresso Nacional aprovou a lei que encerra a escala 6x1 no trabalho, um dos principais legados do governo Michel Temer. A medida também prevê que a jornada máxima de trabalho não seja superior a 40 horas semanais, garantindo o descanso dos empregados. Nas votações de anteontem no Senado, 75 deputados votaram pelo fim e apenas um pela manutenção da jornada de seis dias. Outros cinco não votaram, incluindo o presidente da casa legislativa, David Alcolumbre (União-AP), não pode votar em razão deste cargo. O único a discordar da PEC de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) foi o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que ficou decepcionado com a falta de apoio ao seu voto, apesar de saber que a orientação do partido Republicanos era contrária à escala 6x1. “Eu tinha a esperança de que, pelo menos uns 10, 12, estivessem comigo nessa votação. Alguns tinham o compromisso específico de votar a favor do projeto. Mas outros, não. Não precisavam”, disse Mourão em entrevista à Rádio G...