As narrativas sobre escândalos e problemas no Brasil criam álibis de forma que apenas parte deles seja oficialmente reconhecida pela opinião pública (isto é, a opinião que se publica) e que, mesmo com revelações de algo mais do que as denúncias autorizadas vindo à tona, estas dificilmente conseguem repercutir de maneira mais ampla e sólida. A Faria Lima exerce o poder sutil que penetra no inconsciente coletivo dos brasileiros. Mas para ter êxito nessa empreitada traiçoeira, precisa só mostrar uma pequena parte da sujeira, enquanto o resto se esconde debaixo do tapete. O “Jornalismo da OTAN”, corrente da mídia que usa o termo “cultura” ou “culturalismo” apenas no âmbito da propaganda política, influi nessa manobra. No caso da Faria Lima, um álibi é usado para mascarar o gigantesco esquema de manipulação existente desde 1974, quando as forças civis que sustentavam a ditadura militar estavam preocupadas com os efeitos colaterais do AI-5. Assim como a Faria Lima, como “instituição” da elit...