LULA E FLÁVIO BOLSONARO.
A ascensão política de Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro, foi um risco previsto por este blogue pouco tempo atrás. As supostas pesquisas de opinião já apontam empate com Lula, o que causa inquietação entre os lulistas, que tentam interpretar o resultado de forma a manter o petista em vantagem.
Todavia, a situação do filho primogênito de Jair Bolsonaro prova que os bolsonaristas em nenhum momento ficaram intimidados com o governo Lula, mesmo quando houve o inquérito sobre a revolta de Oito de Janeiro em 2023 e, seis meses antes, a reunião do então presidente sobre um golpe político contra Lula. O inquérito resultou na condenação dos envolvidos, incluindo a prisão de Jair.
Não sou bolsonarista e vejo com muita apreensão o crescimento de Flávio, ligado diretamente aos milicianos. E fala-se hoje nisso, pois foram eles que exterminaram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes há exatos oito anos, a mando dos irmãos Brasão, recentemente condenados à prisão.
Os adeptos da “familícia” nunca se sentiram derrotados com Lula no poder, e isso é assustador quando se vê o terceiro mandato de Lula ser marcado pela fanfarronice, com o petista, apesar de mais idoso, transformando seu governo numa festança.
Nos dois mandatos anteriores, Lula ainda mostrava um fôlego de gestor e eu tinha esperança de que o terceiro mandato seria mais técnico devido à experiência governamental. Mas o que se viu foi o presidente perdendo tempo com excursões no exterior, discursos cheios de gafes e a ficção dos relatorismos que anunciavam “recordes históricos” surgidos da noite para o dia.
Daí que a decepção das classes populares com Lula tornou-se profunda e sua queda de popularidade atingiu índices mais dramáticos do que os institutos de pesquisa apresentam. E o povo não é ingênuo, daí ser inútil Lula querer “informar melhor” as “realizações” das quais os pobres não sentiram na vida concreta.
Lula demonstrou muitas vezes estar se divertindo com o atual mandato. E isso irritou o povo pobre que sentiu abandonado pelo chefe da Nação. As classes pobres não aceitaram essa”reconstrução em clima de festa” com o presidente “viajando com o dinheiro dos contribuintes”.
O resultado é esse. Surgiu um grande pavor dos brasileiros mais pobres em mais um mandato fanfarrão de Lula que, ao colocar a política externa em primeiro lugar e os problemas sociais em último, fez o povo se sentir traído e expôs perigosamente o Brasil para o caso de haver uma nova guerra mundial.
Sem autocrítica e sem dar satisfação à população, Lula acabou, sem querer, fortalecer o bolsonarismo, que julgava estar derrotado. Mas o mais preocupante é que será um risco de alternância da polarização. Será necessário que a Terceira Via venha não só com uma opção, mas com mais, para oferecer novidade para a corrida presidencial. A realidade precisa vencer nas urnas a luta hoje polarizada entre o sonho e o pesadelo.
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