O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu encomendar uma pesquisa para entender os motivos da queda de popularidade de Lula. A ideia é compreender os níveis de desaprovação que, segundo as supostas pesquisas de opinião, são muito expressivas.
O negacionismo factual também compartilha dessa dúvida. Afinal, o negacionista factual se recusa a entender os fatos, ele acha que suas opiniões, seus estereótipos e suas abordagens vêm primeiro, não suportando narrativas que lhe desagradam. Metido a ser objetivo e imparcial, o negacionista factual briga com os fatos, tentando julgar a realidade conforme suas convicções.
Por isso, os lulistas não conseguem entender o óbvio. Lula fez um governo medíocre, grandioso por fora e nanico por dentro. O terceiro mandato foi o mais ambicioso dos três mas, pensando sem sucumbir a emoções a favor ou contra, também foi o mais fraco dos três governos do petista.
Lula priorizou demais a política externa. Criou simulacros de ações, como relatórios, opiniões, discursos, propagandas. Cometeu gafes quando discursava. Agia como um fanfarrão. Irritava o povo com tantas viagens ao exterior. E não agiu com a frieza cirúrgica e o acompanhamento presencial que um governante deveria assumir junto à população para a reconstrução do país que, pelo jeito, terminou sem ter começado.
O que vimos foi Lula se celebrar e virar um fanfarrão político. Isso é fato, mas o negacionismo factual não suporta essa triste constatação. Não se trata aqui de mostrar um ressentimento bolsonarista, pois nosso blogue foi o primeiro a repudiar o bolsonarismo e continuamos firmes nessa causa. Mas também não podemos aceitar que, mesmo carismático, Lula deseje ser o dono da verdade.
Lula não entende que seu estrelismo fez perder a popularidade. Sua arrogância em querer a democracia só para si, a ponto de ter sabotado sua campanha presidencial em 2022, é evidente. E o comportamento de valentões da escola dos lulistas foi bastante decisivo para o desgaste do seu líder.
O que as pessoas nas redes sociais não querem admitir é que nem Lula é tão especial para fazer o que quer sem sofrer consequências drásticas. Que ele não poderia ter abusado de seu carisma e agir pelos próprios impulsos e, sobretudo, começar o terceiro mandato com viagens ao exterior.
A priorização da política externa afetou de modo grave a popularidade de Lula. O povo pobre sentiu que o presidente se comportou como um pai ausente que promete trazer presentes para a criançada assim que voltar de viagem. Os tais “investimentos estrangeiros” e os “acordos bilaterais”, que para o povo pobre que quer comida na mesa, são sinônimos de “nada”.
A burguesia ilustrada, que agora vota em Lula "quantas vezes quiser", presunçosa, se acha dona das classes populares. A narrativa que tem que prevalecer, até mesmo sobre os fatos concretos, é a do internauta bacanão das redes sociais, que segue o “jornalismo de escritório” e vive a ilusão de que, só por ter umas centenas de pessoas concordando com ele, a verdade está consigo.
Por isso as pessoas não conseguem entender a queda de popularidade de Lula, que é bem mais grave e crítica que os institutos de pesquisa tentam mostrar. Ídolos também caem e não é Lula que sairá dessa triste condição. Se ídolos musicais podem fazer álbuns fracos e cair em popularidade, um político como Lula pode fazer um governo fraco e perder apoio.
As bolhas digitais do lulismo não querem admitir isso, mas fora da bolha Lula se desgasta e o maior risco é ele não ser reeleito. Talvez se ele tivesse um pouco de autocrítica, não só a autocrítica institucional do PT, mas a autocrítica pessoal do presidente, será um caminho andado para compreender a decadência do petista.
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