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ENEM, ESCOLA SEM PARTIDO E O EFEITO DUNNING-KRUGER

PROVA DO ENEM EM 2017.

A última prova do ENEM antes do sombrio governo Jair Bolsonaro foi realizada anteontem.

Nela se colocaram vários assuntos, como feminicídio, dialeto travesti, racismo e direitos humanos.

Mas o maior destaque foi a redação, cujo tema foi a manipulação do comportamento dos usuários no controle de dados pela Internet.

Esse tema causou polêmica, porque vai além de uma simples divulgação de notícias falsas, as fake news.

Diante dessa pauta que desafia - ainda bem - o raciocínio reflexivo e crítico dos jovens, os bolsomínions, evidentemente, não gostaram.

Um deles chegou a chamar o ENEM de "soviético", uma manifestação de pura burrice, provavelmente vinda de alguém que não acreditamos ter mais de 25 anos de idade.

A burrice desse sujeito é tanta que ele se esquece que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) foi extinta em 1991, quando esse rapaz provavelmente não tinha nascido.

E aí o Diário do Centro do Mundo reproduz uma matéria da Gazeta do Povo sobre o Efeito Dunning-Kruger.

Esse fenômeno é uma descoberta trazida em 1999 pelos psicólogos e pesquisadores David Dunning e Justin Kruger quando atuavam na Universidade de Cornell, em Nova York.

Os dois publicaram o resultado de seus estudos no Journal of Personality and Social Psychology, em dezembro daquele ano.

A pesquisa se deu quando eles testaram o comportamento de alguns voluntários em atividades como dirigir veículos motorizados, interpretação de leitura, e esportes que exigem atenção como tênis e xadrez.

A conclusão que se deu é surpreendente, embora, mesmo naquela época, eu, se tivesse conhecimento dos resultados, concordaria por serem típicos do pragmatismo noventista que havia, ao menos, no Brasil.

Os resultados revelaram uma falha correspondente à ignorância das pessoas, que é a ignorância da própria ignorância.

Desse modo, as pessoas incompetentes não reconhecem sua incompetência, e, ignorantes, se acham mais seguras e cheias de certeza do que pessoas consideradas inteligentes.

Melhor dizendo: as pessoas ignorantes se sentem mais seguras e confiantes porque não sabem que são ignorantes ou, se são informadas sobre isso, esnobam e, não raro, ofendem e agridem, isso para não citar coisas piores.

E os bolsonaristas se enquadram nisso: ignorantes e estúpidos, que ignoram ou desprezam tais qualidades negativas.

E aí eles defendem a tenebrosa Escola Sem Partido, uma aberração que dá pena em definir como "pedagógica", porque não se chega a isso.

A aberração - que eu já defini, em vídeo, como "Escória Sem Partido", uma peça humorística em que eu fiz a voz de um aluno de cerca de dez anos - se limita a aspectos formais de ensino, como ler, escrever e memorizar algum conhecimento "instrumental".

Não se trata de ensinar a vida para as pessoas, pois a Escola Sem Partido, ou melhor, a Escola Com Mordaça, prefere falar de quimeras religiosas do que de transformações sociais do cotidiano.

Em se tratando do cenário político a se desenhar em 2019 uma espécie de rebute (reboot) do fascismo europeu dos anos 1920-1930, falar de atualidades incomoda a "galera medieva", por sinal bastante "irada".

E assim tivemos o ENEM, anteontem, que pode ser o último a ser realizado no Brasil, se depender de rumores de extinção desse processo de avaliação para o ingresso às universidades.

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