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DECLARAÇÃO DE ÍCARO SILVA SOBRE ENTRETENIMENTO MEDÍOCRE DO BBB É SÓ A PONTA DO AICEBERGUE


Esta semana o ator Ícaro Silva se envolveu numa polêmica depois que ele fez uma declaração desmentindo que iria para a próxima edição do Big Brother Brasil.

Ele escreveu no Twitter uma postagem que apagou depois:

"Gente, respeita minha história, minha trajetória, meu ódio por entretenimento medíocre e minha repulsa por dividir banheiro e parem de acreditar nessa fic absurda de que eu cogitaria ir para o big boster brazil".

A postagem causou revolta do pessoal que adora o BBB, nesses tempos em que o público que aprecia a chamada "cultura de massa" se acha superior e dono da verdade absoluta.

A polêmica, no entanto, foi alimentada quando o ex-apresentador do BBB, Thiago Leifert. fez críticas ao ator, atribuindo os comentários deste a "agressão gratuita" e "arrogância". E, defendendo o sucesso do programa, Thiago disse a Ícaro: "Pagamos seu salário".

As postagens foram apagadas, mas repercutiram enquanto permaneceram no ar.

A ex-BBB Flay pediu "humildade" a Ícaro Silva.

Já Thelma Assis, campeã do BBB 20, defendeu Ícaro e afirmou que a polêmica foi alimentada porque o ator que chamou o reality de "entretenimento medíocre" é negro.

"Imagina o corre que esse menino (Ícaro) faz há anos, sendo um ator preto, o tanto de 'não' que ele deve ter ouvido. O cara chega lá, faz vários trabalhos, tá em uma ótima fase da carreira dele, e a mídia só sabe perguntar se ele vai para o BBB", disse ela.

Já Marina Ruy Barbosa resolveu ficar em cima do muro, afirmando já ter sido envolvida em "polêmicas à toa":

"Não suporto confusão e briga. Parem de colocar as pessoas de um lado ou de outro nessa história. Não é uma competição e ninguém precisa odiar o Tiago parta gostar do Ícaro, nem odiar o Ícaro para gostar do Tiago. Parem", afirmou a atriz, que depois concluiu\:

"Acho que todo mundo está aprendendo a lidar constantemente com a loucura que é esse mundo de rede social, seus efeitos e consequências. Já absorvi que vou ser cancelada todos os dias... Então, o que vier é lucro".

Em uma das respostas, Ícaro admite que participou de três reality shows e um deles, o Show de Famosos, do Domingão do Faustão, foi definido como "de alta qualidade" e que "foi decisivo" para a carreira do ator.

As críticas ao BBB são apenas a ponta do aicebergue do entretenimento medíocre que toma conta do Brasil.

O nosso país não está culturalmente bom. A bregalização, as subcelebridades, o superficialismo cultural, o entretenimento vazio, a própria confusão entre cultura (feita pensando na posteridade) e entretenimento (feita pensando no momento presente), tudo isso contamina o país.

Num Brasil em que o PT se ajoelha ao tucanato histórico, o mainstream recuperou a sua reputação de pretensa superioridade. Como se executivos, produtores e empresários do entretenimento fossem deuses absolutos e juízes decisivos de suposta sabedoria cultural.

A vassalagem cultural e o viralatismo fazem com que o Brasil caia na areia movediça desse culturalismo comercial não assumido.

Aqui, a arrogância de muitos internautas inverte as coisas. Comercial vira "não-comercial" e não-comercial vira "comercial".

Nessa inversão de valores, canastrões musicais como Alexandre Pires, Michael Sullivan e Chitãozinho & Xororó viram "sofisticados" e os maiores ícones considerados "cult" são breguices do nível de Gretchen, Grupo Molejo e É O Tchan.

Aqui, a música brega, que sempre foi retardatária, é tida como "vanguarda" pelo juízo de valor de intelectuais "bacanas" que vivem no seu conforto etnocêntrico de seus apartamentos nos Jardins, área nobre de São Paulo.

Senso crítico virou tabu no Brasil. Teses de pós-graduação hoje são processos de passagem de pano.

O mercado literário não se compromete em estimular o Conhecimento, que só é considerado quando é exigido por concursos públicos ou pelo ENEM.

A literatura "séria" brasileira legitima até mesmo a literatura fake de pretensos "médiuns" que, mesmo os ditos "mais conceituados", se promovem às custas da usurpação dos nomes dos mortos, dos quais o caso Humberto de Campos é um caso vergonhosamente impune.

As críticas ao BBB são apenas a ponta do aicebergue dessa crise cultural que ninguém quer ver, e que se irrita quando é convidada a admitir essa realidade.

O Brasil não está culturalmente bem, está socialmente devastado, tivemos golpe político de 2016 e Jair Bolsonaro não fez estragos pequenos, como um moleque quebrando um brinquedo.

O nosso Brasil está devastado, e se nem Lula leva a sério essa devastação toda, achando que vai ser mole para ele botar o país no Primeiro Mundo num passe de mágica, então a coisa está muito feia.

E a mediocridade cultural cresceu tanto que os medíocres de 30 anos atrás viraram "gênios", com um Ivan Lins passando pano nas canastrices de Ivete Sangalo e Alexandre Pires.

Daqui a pouco, vão dizer que "Eu quero tchu, eu quero tchá" será o primor da melhor poesia brasileira. Até lá, linguagem chula será "erudita" e as músicas serão feitas só de peidos. Precisamos fazer alguma coisa para que não se chegue a esse ponto.

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