LULA INCLUIU NO PROGRAMA DE GOVERNO PARA O BRASIL A REFORMULAÇÃO DA ONU, TEMA SUPÉRFLUO PARA O ELEITORADO BRASILEIRO.
Não é à toa que Lula, pelo seu cabelo branco e sua barba, parece um cosplei do Papai Noel. Seu projeto político tem muito mais a ver com sonho, com ansiedade e com o instinto de querer demais e achar que pode tudo, algo muito perigoso para alguém que tem 80 anos e um histórico de ter fumado tanto que, numa entrevista, apareceu tragando um cigarro.
Diferente de João Goulart, o Lula de hoje indica querer demais, colocando o sonho e a ambição acima da realidade. Não podendo fazer tudo, pois os fatos mostram que o Brasil não está pronto para mais, Lula se torna preocupante pelo seu nível de ambição que encanta sua bolha de seguidores, mas combinando seu personalismo e seu instinto de vendedor de sonhos, traz um clima de apreensão para o povo pobre, que em tese seria o maior beneficiado do programa do PT.
Em 2002 e 2003, parecia interessante a vitória eleitoral de Lula por justamente recuperar pautas que João Goulart mesmo num programa herdado pelo antecessor Fernando Henrique Cardoso. Mas vinte anos depois o lulismo se voltou contra o legado janguista, com Lula se aliando com setores da direita moderada para se viabilizar politicamente. Daí a debilitada política salarial e o crescimento de emprego que não foi muito além da adequação parcial do trabalho precarizado aos registros formais da CLT.
Num país social e culturalmente devastado que é o Brasil, no qual Lula assegurou uma reconstrução que, na prática, terminou sem começar, não tem condições para ser um país desenvolvido. Mas Lula quer botar o trem-bala na frente dos bois e pode gerar tensões internacionais incalculáveis.
O presidente brasileiro chega ao ponto de,num programa de governo destinado ao Brasil, propor a reformulação da ONU e do FMI. Nem João Goulart, deposto em 1964 por menos atrevimentos, se pretendeu a tamanhas atitudes.
Lula surtou e deve ter entendido muito mal a metáfora dos “50 anos em 5” de Juscelino Kubitschek. Querendo tudo de tudo, se preocupar mais com o protagonismo mundial do que com a qualidade de vida dos brasileiros - que Lula entende como uma “missão quase cumprida”, quando a realidade mostra que ainda tem muito a fazer - soa muito arriscado.
O povo pobre não merece isso. Lula vai acabar expondo demais o Brasil, em vez de deixar nosso país em sossego doméstico com níveis palpáveis de melhorias, ainda que mais modestos. Ostentar o Brasil ao mundo poderá causar uma reação de nações opositoras contra as quais o Brasil está longe da capacidade mínima de alguma ação acanhada de defesa.
Em entrevista recente, o Ministro da Defesa, José Múcio, ironizou, a respeito de uma possível invasão dos EUA no Brasil, de que a única solução seria “abrir o portão”. “A gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”, disse o ministro.
Será que o Brasil vai fortalecer sua defesa, em uma atuação conjunta entre o Ministério da Defesa e um possível Ministério da Segurança Pública, com um presidente conciliador e pacifista? E isso com as Forças Armadas enfraquecidas, sem grandes recursos? Não vai.
Tudo soa fantástico no programa de Lula. Isso preocupa, porque se trata de um projeto de “paraíso”, e p povo pobre não quer isso. Quem quer é a burguesia ilustrada, a classe festiva que hoje é o foco prioritário de Lula, fossem as narrativas que desmentissem isso e forçassem um vínculo entre o petista e as classes populares que deixou definitivamente de existir.
Devemos, portanto, desconfiar de quem promete demais, de quem promete o paraíso. Deveríamos apoiar quem promete apenas o que tem condições, disposição e, principalmente, interesse em fazer. Quem faz promessas mirabolantes só quer atrair votos e não irá realizar tudo e, às vezes, deixará de lado o mais necessário.
A tendência é Lula, se reeleito, priorizar o supérfluo e deixar o povo à deriva, enquanto o presidente brasileiro se pavoneia mais uma vez no exterior com seu papo de Sul Global e, quem sabe, alguma interferência indevida em assuntos estrangeiros.
Lula deu um tiro no pé com seu programa de governo que se chama Brasil Pronto para Mais, nome que é desmentido pela realidade dos fatos. O Brasil ainda não viu, até agora, a reconstrução acontecer e Lula não convenceu com sua “colheita” sem plantação.
Lula disse que o pobre foi incluído no orçamento mas foi só conversa para boi dormir. Salários baixos, trabalho precário, impostos caros, preços altos, aumento de moradores de rua etc. O povo pobre vê em Lula um traidor. E Lula vai trair mais o povo quando tentar reformular a ONU e o FMI, enquanto os pobres acumulam dívidas e vivem com fome.

Comentários
Postar um comentário