NATHÁLIA GADELHA FILGUEIRAS NÃO VIVEU PARA VER A IMPRENSA ATROPELANDO A LÍNGUA PORTUGUESA.
Nathália Gadelha Filgueiras poderia ser apenas uma das nove vítimas fatais de um acidente com um avião que caiu numa rua de Greenacres, no condado de Palm Beach, na Flórida, nos EUA. A jovem de 20 anos e descendente de brasileiros poderia ser apenas uma anônima a virar notícia devido a uma tragédia que se destacou na imprensa mundial.
Mas Nathália acabou sendo sujeito de uma aberração gramatical que tomou boa parte da imprensa brasileira, que hoje anda aprontando nesses tempos de Jornalismo de Escritório, tendência hoje hegemônica por priorizar os interesses de conselhos editoriais e tratar a notícia como mera mercadoria, muitas vezes deixando o aprofundamento da informação e a fidelidade dos fatos em segundo plano.
Nathália foi definida como “co-pilota”, um erro gramatical que não só saiu repetido em sucessivas matérias em portais como UOL, Estadão e G1, como também “pingou” no Diário do Centro do Mundo, veículo que deveria servir de contraponto à mídia considerada convencional.
O erro se repete, enquanto nossos “esforçados” jornalistas desconhecem a norma gramatical da palavra “piloto”, que não varia em gênero. Fala-se e se escreve tanto “o piloto” quanto “a piloto”. Não existe “pilota” como substantivo. No máximo, “pilota” é uma grafia de uma forma verbal do presente do indicativo na terceira pessoa, com o som agudo na letra “o”.
Para um país que fala expressões que não existem na nossa língua, como “forçação” e “encheção”, que aceita que jornalismo sério use a gíria "balada" e que quando escreve separa o sujeito e o predicado com vírgula, soa um contrassenso falar em “pilota” como um substantivo feminino que, na verdade, é inexistente.
Isso ocorre até porque o pessoal não fala o existente termo “poetisa” e chama qualquer mulher que faça poesia de ”poeta”. Ver que as mulheres “não” podem ser poetisas, mas podem ser “pilotas” é constrangedor e triste.

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