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ELITE DO BOM ATRASO NÃO QUER SABER DE TALENTO

O MERCADO DE TRABALHO QUER CONTRATAR PESSOAS MARCADAS POR PADRÕES ESTÉTICOS E COMPORTAMENTAIS, AINDA QUE SÓ FAÇAM O MAIS DO MESMO E ATÉ SE DISTRAIAM DURANTE O TRABALHO.

A elite do bom atraso, até pela influência dos seus “mestres” da Faria Lima, não pensa no talento para o desempenho das atividades. No mercado de trabalho, sabemos que as conveniências, ou seja, o “quem indica”, valem muito mais do que o talento. O que valem são os padrões estéticos e comportamentais aceitos pelas convenções sociais dominantes.

A vantagem de pessoas de boa aparência, mas de vocação medíocre, para certos postos de trabalho, contrasta quando gente bem mais talentosa é forçada a trabalhar como operadora de telemarketing ou entregadora de aplicativo. A desigualdade profissional cria um quadro mais grave do que se pode imaginar.

Até num âmbito como o radialismo rock se viu tamanha aberração. Enquanto locutores sarados ou fofinhos, com jeito de animadores de gincanas, foram trabalhar nas rádios rock anunciando bandas como AC/DC como se fossem o New Kids On The Block, especialistas em rock sobreviviam consertando aparelhos eletrônicos. Rolava muito mais rock nessas oficinas do que em muita badalada “rádio rock” da moda.

Isso é gravíssimo. Recrutadores que aceitam contratar gente bonita mais medíocre e caem na lorota de comediantes narrando carreiras de jornalista longas demais para suas idades e simultâneas demais para suas carreiras no humor acabam dando uma contribuição desastrosa para o mercado de trabalho.

Talento não importa, se é fácil desempenhar uma função qualquer nota ordenada pelos patrões medíocres, já beneficiados por antigos apadrinhamentos. Vocação e talento não são levados em conta, mas o prestígio, a boa aparência ou o visual convencional, assim como a visibilidade e a interação. 

As empresas que contratam profissionais pela estética - não apenas pela beleza, mas pela “cara de profissional”, não crescem em desempenho porque o trabalho segue padrões medíocres do mero cumprimento de tarefas, sem algo que some de maneira significativa à rotina de trabalho. 

O que vale é o funcionário ou o servidor que faz o mais do mesmo, se reduzindo a um mero cumpridor de tarefas, enquanto seu destaque maior é ser animador das conversas de equipe, sobretudo durante o intervalo para o cafezinho, e, mesmo no trabalho, ele contribui pouco e ainda se distrai vendo os reels do Instagram e Tik Tok e, é claro, as notícias sobre futebol.

A empresa não perde, na maioria das vezes, mas deixa de ganhar mais com um profissional com “corpo de profissional”, mas sem a “alma” que corresponda a esse “corpo”. O "corpo de profissional" se refere até mesmo para aquele funcionário ou servidor "coroa", com jeitão de locutor esportivo, esteticamente não atraente, mas dentro de um padrão visual de "bom profissional", em detrimento de muita gente talentosa que não segue esses padrões visuais.

E assim nosso mercado se encolhe e, em muitas empresas, patrões medíocres se ascendem e, com medo de contratar empregados melhores do que ele, baixam ainda mais os critérios de contratação. De geração em geração, isso significa uma queda sucessiva na pirâmide profissional e, com isso, as empresas que não ganhavam nem perdiam vão começar a perder. E o prejuízo tenderá a ser pior.

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