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A URGENCIA URGENTÍSSIMA DE LUTARMOS PELA TERCEIRA VIA


É da mais absoluta urgência a necessidade de haver uma terceira via, para tirarmos de cena o Fla-Flu político que aflige os brasileiros e vai fazer do cenário político nacional um ciclo vicioso da polarização e da velha luta entre o sonho e o pesadelo.

O triunfalismo de Lula não está intimidando os bolsonaristas, que mesmo com derrotas intensas, como a doença de Jair Bolsonaro e o recente escândalo ligando Flávio Bolsonaro ao Banco Master, continuam pressionando.

Com Lula em vantagem no jogo político, o sonho e a fantasia de uma classe de abastados, que é a burguesia ilustrada que ultimamente anda apoiando o petista, monopolizam as narrativas, diante da expectativa de que o protagonismo mundial do Brasil garantisse um passaporte VIP para os privilegiados se tornassem turistas não só no nosso país, como também na Europa e nos EUA.

Os amigos e partidários de Lula tentam vendê-lo, ainda, como o "eterno filho de Dona Lindu", o "retirante preocupado com a fome dos brasileiros", o "líder popular que incomoda as elites", "o único líder capaz de garantir a democracia, o progresso e a justiça social". Infelizmente essas qualidades, em Lula, deixaram de fazer sentido, diante da procrastinação que, em seu terceiro mandato, o presidente deixou para as pautas trabalhistas.

Nem precisamos falar do bolsonarismo, que é patético e tão idiotizado que há relatos de que seus seguidores andaram bebendo detergente Ypê para dizer que o produto não está contaminado. Mas ver no lulismo a única solução para esse problema está sendo preguiçoso e equivocado.

Não podemos criticar o governo Lula e, depois, diante das urnas, votar no 13 porque é "menos ruim". Devemos nos preocupar com novos candidatos, prestar atenção nas novas opções, pararmos para pensar e não ficarmos na zona de conforto de um senhor de 80 anos conduzir sozinho a política nacional, prometendo o sonho mesmo oferecendo salários precários para a população mais carente.

Lula quer dar o peixe, mas o Brasil tem que aprender a pescar. Tem que abrir mão de entrar no clube dos desenvolvidos, com a casa desarrumada e com um clima sociocultural totalmente deteriorado. A ideia do Brasil não é ele ser a vedete da geopolítica internacional, o parque de diversões do mundo, mas um país que dê para viver com um mínimo de dignidade, não pela presunção das decisões unilaterais de um presidente, mas dos debates que o lulismo desestimula devido a suas zonas de conforto.

O Brasil está muito longe de ter as condições de ser um país desenvolvido. Para isso, teremos que sacrificar todo um sistema de valores vigente há 50 anos e que tenta persistir. Teríamos que sacrificar crenças, hábitos, jogar fora os velhos ídolos da TV ligados à bregalização cultural, ao obscurantismo religioso e outras precariedades culturais, pouco importando as recordações nostálgicas da infância. Isso mexeria com os instintos emocionais de muita gente, causando reações violentas.

Não dá. Se mesmo as esquerdas mantém os "brinquedos culturais" no armário em vez de jogá-los no lixo, como "médiuns", funqueiros, mulheres-objetos, craques milionários etc, o que esperar de um Brasil novo e pronto para o banquete dos desenvolvidos? Nada, simplesmente.

A terceira via fará o Brasil andar, com os pés no chão. Nosso país, precarizado, tem que ter o ritmo menos frenético de progresso. Ou, talvez, um caminho bem mais seguro. Afinal, de que adianta reeleger um presidente que oferece um salário de fome e empregos precários, em troca de um protagonismo mundial ou de uma hipotética garantia da democracia? Até Tarcísio de Freitas oferece, no ambito estadual paulista, um salário-mínimo maior do que o valor nacional do governo Lula.

Temos que lutar pela terceira via. Que venham os vários candidatos. Que tenhamos que prestar atenção neles. Que os próprios candidatos se ofereçam para tirar Lula e Flávio do páreo. Não podemos adotar o viralatismo político de reduzir o jogo político a dois polos, como nos EUA. E, além disso, temos que mostrar a Lula que ele não é o dono da democracia.

Não queremos um presidente que ofereça o peixe. Queremos um país que tenha a oportunidade de pescar. Uma terceira via pode não ter o verniz glamouroso da propaganda lulista, movida pelo espetáculo e pela festa. Mas tem alguma responsabilidade, mesmo com seus defeitos, de ver um país andar por conta própria, não uma "democracia" guiada por um presidente que se julga autossuficiente, mas comete gafes grosseiras em seus discursos. Um presidente ansioso em fazer tudo de tudo, mas se esquece de prioridades internas em nome da sua consagração pessoal.

Derrotar Lula é um ato de coragem e de força. É buscar a desaceleração histórica do Brasil, que está devastado até para os critérios de um país desenvolvido considerado imperfeito. É dar um tempo para arrumar a casa em vez de buscar um título nobre, um diploma socioeconômico fora da realidade.

Portanto, é urgente, como numa emergência, como em uma catástrofe política, que tenhamos um novo líder, que não precise ostentar o Brasil para o mundo. Não queremos o pesadelo de Bolsonaro nem a fantasia de Lula. Devemos desligar a televisão dos nossos instintos eleitorais, sem o Domingo Maior da truculência bolsonarista nem a Sessão da Tarde da pieguice lulista.

Queremos um Brasil em que a realidade tenha voz e tenha vez, com o nosso país andando com os pés no chão sem voar nas nuvens felpudas de Lula, mas também sem recorrer a uma "República dos Milicianos" como tende a ser o governo Flávio Bolsonaro. Não podemos ser reféns da polarização e prisioneiros de um maniqueísmo que vai destruir o Brasil, ainda mais com uma obsessão pelo protagonismo mundial que só vai causar desastres.

A urgência da terceira via requer que se abram mão de paixões políticas e que se pense de verdade no país. Caso contrário, o Brasil irá cair numa decadência sem precedentes na História. Temos que abrir mão tanto do sonho quanto do pesadelo e despertarmos para a realidade.

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