VIRGÍNIA FONSECA E DEOLANE BEZERRA.
Sob a desculpa de colocar pessoas comuns para fazer sucesso através da fama, o mercado do entretenimento, controlado por poderosos homens de negócios, está provocando uma deterioração sem limites da cultura brasileira.
Essa deterioração é tão grande que, quando surge a mediocridade musical mais arrumadinha, como os atuais ídolos Péricles, João Gomes e Jota.Pê, eles são considerados "sofisticados" dentro de um contexto em que a medonha "Evidências", de Chitãozinho & Xororó, é tida como "clássico", e grupos de forró-brega mais antigos, como Mastruz Com Leite, Magníficoss, Limão Com Mel e outros, são considerados "música nordestina de raiz".
No âmbito dos famosos, a gente vê a multiplicação de subcelebridades despejadas todo ano pelos reality shows, que funcionam como uma sub-Hollywood do culturalismo viralata. E haja gente que fica famosa sem ter o que dizer, que transforma em notícia até festa de aniversário dos filhos, dentro de uma voraz tradução brasileira da "sociedade do espetáculo".
Recentemente, duas subfamosas viraram notícia, por conta de frivolidades. A influenciadora digital e empresária Virgínia Fonseca, que estava cotada para ser a primeira-dama da Copa do Mundo de 2026 na condição de namorada de Vinícius Jr., o Vini Jr., um dos artilheiros de destaque da Seleção Brasileira de Futebol, rompeu com o jogador.
Já outra influenciadora, a advogada Deolane Bezerra, foi presa novamente devido a suspeitas de envolvimento com o grupo criminoso PCC, devido a supostos contatos com o líder do grupo, Marcola. Embora seja uma notícia criminal, ela alimenta a visibilidade para Deolane, que disputa com Virgínia a frequência dos noticiários da mídia popularesca que predomina na decadente TV aberta.
A suposta simplicidade com que, há 25 anos, se anunciavam as subcelebridades, revelou-se uma farsa. A ilusão de que seria democrático ver pessoas comuns no lugar de atores profissionais no ramo da fama e do entretenimento ruiu de vez. As subcelebridades se revelaram ricas e chegam até mesmo a enriquecer mas através de escândalos, por tanta visibilidade e, pasmem, lacração que provocam a cada controvérsia.
A democratização da fama é uma ilusão, uma quimera impossível de ser realizada, mas que movimenta a maioria esmagadora dos brasileiros a fazer sua fama de miniatura nos seus perfis em plataformas digitais como o Instagram e o Tik Tok.
A busca pela fama de miniatura faz pessoas comuns perseguirem tanto o reconhecimento nas redes sociais que chegam a usar o celular até durante o trabalho e as refeições, deslizando o dedo para ver os tais reels, espécie de feed do que os perfis de usuários lançam e que é produzido com uma sequência interminável. Os reels não acabam, eles seguem gerando pretensas novidades, criando uma ilusão de movimentação nessas plataformas digitais.
Tudo isso se desgasta, embora o espetáculo não se encerra. É porque o próprio Brasil está culturalmente devastado, demostrando que ainda está a anos-luz aquém de pensar em qualquer chance de ser um país desenvolvido, obsessão que virou uma paranóia de uma burguesia,que quer o título de "Primeiro Mundo" para o Brasil apenas para facilitar os passaportes que seu candidato Lula irá conceder para os "bacanas" realizarem um turismo VIP na Europa e nos EUA.
No entanto, o Brasil está devastado com miséria, violência, precarização do trabalho, salários baixos para as classes populares, preços caríssimos dos alimentos, impostos em excesso e também muito caros. E as subcelebridades, como Virgínia e Deolane, capazes de comprar roupas que custam milhares de reais, vivem na opulência, enquanto comediantes de estandape, empresários de suas próprias trupes de humor, adquirem empregos de Analistas de Redes Sociais por R$ 3 mil só para a pensão alimentícia de ex-cônjuges.
Nosso Brasil está, portanto, decadente. E isso não é pessimismo, é realidade.
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