Ninguém imaginava que, com o apoio maciço dos famosos e o respaldo dos institutos de pesquisa, Hillary Clinton tenha sido derrotada na campanha presidencial dos EUA.
O magnata Donald Trump venceu com uma vantagem bem apertada, mas suficiente para assumir o poder e fazer com que delegados dos Estados importantes da poderosa nação tenham mais condições de endossar a vitória no Colégio Eleitoral.
Sim, isso mesmo. Na "maior democracia do mundo", ainda há a eleição indireta do Congresso Nacional para confirmar ou não a vitória do voto popular.
Há pouco mais de 15 anos, o vice e candidato à sucessão de Bill Clinton, Al Gore, saiu-se vitorioso nas urnas. Mas o Colégio Eleitoral de lá elegeu o rival, George W. Bush, filho de um homônimo ex-presidente e integrante do Partido Republicano.
A chance do Colégio corroborar a vitória de Trump é grande. Além disso, os republicanos também são maioria na recente renovação eleitoral do Legislativo estadunidense.
Apesar do grande carisma, o negro Barack Obama não conseguiu evitar a crise dos EUA nos seus oito anos de poder.
Ele não resolveu sequer os conflitos raciais que explodiram em várias partes dos EUA.
E, mesmo cercado de famosos, Obama não conseguiu que a maioria dos estadunidenses decidisse escolher Hillary.
Tomados de uma catarse ultraconservadora, semelhante a dos "coxinhas" brasileiros que pediram "Fora PT" e hoje estão felizes com o desastrado governo de Michel Temer, preferiram o sensacionalismo reaça do poderoso empresário.
Especialistas alertaram da ascensão de Trump como fenômeno da ultradireita mundial.
A vitória do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, e a reprovação do acordo de paz da Colômbia com as FARC (grupo guerrilheiro em ação no país, agindo também em fronteiras brasileiras) revela esse grande perigo da maré ultraconservadora.
De repente até os movimentos sociais foram deixados à margem.
Aqui no Brasil, temos a criminalização surda do Movimento dos Sem Terra (MST), o que mostra o quanto há um preconceito contra o direito de trabalhadores rurais se organizarem politicamente.
A vitória de Donald Trump é o segundo grande evento reacionário nas Américas, depois da queda de Dilma Rousseff.
Aqui nós vemos a demagogia mentirosa do presidente Michel Temer, metido a valentão quando está junto dos aliados, mas covarde diante dos protestos de opositores.
Ele diz que não perseguirá trabalhadores, que não vai cortar gastos públicos, que Educação e Saúde serão prioridade em seu governo, que a idade das aposentadorias acompanha a evolução biológica das pessoas hoje e que seu projeto político irá gerar mais e mais empregos.
Debaixo dos panos, ele mexerá nos direitos sociais, sim, e eliminará um a um. No discurso, promete mantê-los, apenas "eliminando os excessos", mas na prática ele eliminará quase sua totalidade.
Deixará migalhas para o povo pobre. Ou mesmo para a classe média, e ainda mais conservadora.

A VITÓRIA DE DONALD TRUMP SACUDIU AS BOLSAS DE VALORES, COMO A DE TÓQUIO.
Vamos para o contexto dos EUA.
Ainda que tenha uma estrutura política injusta, com eleições indiretas capazes de decidir o inverso do voto popular, e um pluripartidarismo de fachada no qual só dois partidos monopolizam o jogo político, o Democrata e o Republicano, há algumas coisas a considerar.
Com todos os senões, o Partido Democrata é, comparado com o Partido Republicano, mais progressista para o povo estadunidense.
Os democratas são, portanto, reformistas dentro dos seus limites ideológicos, e os republicanos, abertamente conservadores.
A vitória inesperada de Donald Trump mostra que tempos sombrios virão para os EUA, como um furacão a caminho.
Ele é tão sombrio e movido pelo sensacionalismo fácil da fama e da visibilidade, lembrando Ronald Reagan há quase 40 anos.
Na política externa, Trump já inspira apreensão entre os partidários da União Europeia e da proposta de criação do Estado Palestino.
Uma comunidade de imigração do Canadá saiu do ar depois da vitória do temeroso ianque.
As bolsas de valores tiveram ações em queda, como a de Tóquio. No Brasil, a Bovespa operou em baixa em mais de 3% e o dólar subiu, podendo ficar a R$ 3,30, alta de 2%.
A pauta de Trump, como um empresário ultraconservador, machista, racista, temperamental e arrogante, será para os EUA o que Temer é para os brasileiros.
Uma pauta que parece, na teoria, prometer justiça social e desenvolvimento econômico, mas que tem mais chances de promover o contrário.
Hoje parece que Trump e Temer trazem tranquilidade para seus adeptos e para os incautos que foram atrás do Titanic ultraconservador de hoje.
Mas daqui a cinco anos poderão revelar um grande desastre.
Em todo caso, Trump é Temer, Temer é Trump. Com a plutocracia toda junto.
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