Pular para o conteúdo principal

FUNDADOR DO BRASIL 247 CONTRADIZ COMPETITIVIDADE DE LULA

LEONARDO ATTUCH (DESTAQUE) DIZ QUE O PRESIDENTE LULA DEVE EVITAR DEBATES NO PRIMEIRO TURNO DA CAMPANHA PRESIDENCIAL.

O jornalista Leonardo Attuch, fundador do Brasil 247, cometeu um erro ao defender que o presidente Lula deve evitar comparecer a debates no primeiro turno da campanha para a Presidência da República. A entrevista, lembrada em matéria do próprio portal, foi feita para a também jornalista Regina Lima, no podicaste Aonde Vamos, também disponível na referida matéria.

Segundo Attuch, Lula - que lança hoje a segunda fase de um Desenrola que não deveria ter acabado, mas melhorado - é o "grande favorito" da campanha deste ano. "Essa eleição, de certa maneira, vai ser uma barbada para ele, porque a distância é muito grande, a distância intelectual dele em relação ao principal oponente", disse o jornalista do Brasil 247.

Para Attuch, a hipótese de Lula evitar comparecer aos debates presidenciais seria uma forma de "proteger esse favoritismo". "Eu acho que no primeiro turno o Lula não deve se expor a nenhum debate. Não vejo nenhum sentido ele entrar nesses debates como saco de pancada de Renan Santos, de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Flávio Bolsonaro. Eles vão ter que brigar entre eles para ver quem passa pro segundo turno – e isso se houver segundo turno", disse Attuch.

Esta posição é um grave erro e cai em contradição com a alegação de que Lula é o "candidato mais competitivo" da campanha presidencial. Ou seja, segundo Attuch, Lula deveria evitar o enfrentamento para "não levar surra" dos demais candidatos (da extrema-direita), o que indica que Lula não é um candidato forte, mas fraco.

Sabendo que o Brasil 247 é um portal que apoia abertamente o presidente Lula, Attuch perdeu a chance de pensar no processo inverso, de acreditar que Lula pudesse "dar uma surra" nos concorrentes mais reacionários, ao participar de um debate.

Não curto futebol, mas gosto de lembrar que Lula, corinthiano de carteirinha, se esquece de que um artilheiro, para poder fazer um gol para o seu time, tem que investir no campo adversário e enfrentar os jogadores rivais. Sem isso e se limitando a atuar no campo de defesa, um time de futebol não vence, paralisado no seu balé de passes de bola.

Se Lula faltar aos debates políticos, ele não será forte. Será fraco, covarde e demonstrará sua debilidade política, sua falta de enfrentamento, seu medo de arriscar. Além disso, Attuch deu um tiro no pé, porque se Lula fosse realmente forte e tivesse a superioridade intelectual e política que o jornalista tanto alega, o petista iria, sim, enfrentar os rivais sem medo e desqualificá-lo por uma simples força de argumentação e equilíbrio emocional.

Foi justamente por faltar aos debates, que seriam uma chance de furar a bolha petista, que fez Lula ter um placar bastante apertado na campanha presidencial de 2022, e foi aí que o petista começou a ter uma queda de popularidade que só os institutos de pesquisas conseguiram admitir nos últimos dois anos.

Em contrapartida, Jair Bolsonaro foi derrotado em 2022 com pequena diferença de votos contra Lula. A diferença de votos equivale à população de Manaus, uma cidade que nem é das maiores capitais do Brasil. Bolsonaro se saiu "vitorioso" com sua derrota e seus seguidores nunca se sentiram derrotados e, com as várias crises envolvendo Lula, o antipetismo voltou a ter força nas redes sociais.

Um candidato competitivo não é aquele que pode ganhar em tudo ou que apresenta vantagens antecipadas e grandes chances de vencer. O candidato que é competitivo é aquele que, enfrentando os compromissos mais arriscados da disputa, consegue se sair melhor e ganhar vantagens nos debates e nas propostas, além de conquistar de forma consistente a maior parte do eleitorado.

Não existe candidato competitivo que falte a debates por se achar "mais vantajoso" que os demais concorrentes. O competitivo não se acha "superior" aos demais concorrentes por antecipação. O competitivo enfrenta, não foge. Não se acha vencedor, mas busca vencer. Não se acha o mais vantajoso, mas busca provar que tem vantagens pela disputa de ideias.

Diante do terceiro mandato de Lula, que se comprovou o mais medíocre - apesar da mídia petista se recusar a admitir isso - , desfez-se a ideia de que o petista seria o mais vantajoso dos candidatos à Presidência da República. O "fogo amigo" do Brasil 247 mostrou isso, ao afirmar que grande parte do "crescimento recorde de emprego" anunciado inúmeras vezes pelo governo Lula se deveu aos empregos precários, com um ou dois salários mínimos.

As gafes nos discursos de Lula também desmontaram a ideia de "superioridade política e intelectual", da mesma forma que a ênfase na política externa no começo do terceiro mandato desfez a fama de "estrategista" do presidente, que preferiu "ganhar o mundo" a manter e consolidar o apoio popular, que se reduziu drasticamente conforme eu mesmo pude confirmar em várias andanças pelas cidades, como Niterói, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, com o povo pobre irritado com o petista.

Lula abandonou as classes populares, ao preferir atrair para si o apoio de setores "democráticos" das elites dominantes, e a queda de popularidade, mais dramática do que a que os institutos de pesquisa apresentam, rendeu uma reação surreal do governo em "melhorar a comunicação" porque as pessoas "desconhecem" as "grandes realizações" do petista.

O próprio Attuch repete essa ideia, na mencionada entrevista a Regina Lima, dizendo que Lula deveria "comunicar melhor os resultados econômicos e industriais de seu governo, especialmente para a classe média, os empresários e o setor produtivo". Citando a compra de aviões da Embraer pela empresa de aviação Latam, Attuch comentou: "São histórias assim que eu acho que o Lula deveria contar didaticamente".

Em relação à comunicação para as classes populares, Lula apela para querer dizer, para os trabalhadores que têm as geladeiras vazias de comida, que essas geladeiras "estão cheias". E a "necessidade de comunicação" apela para a solução viciada da propaganda institucional, que quando passa na TV ou nas redes sociais, é ignorada pela população que, mesmo quando tem que esperar cerca de 30 segundos de comercial para poderem entrar em certas páginas da Internet ou para usar um serviço gratuito de Wi-Fi num ambiente público, evitam ver o filme publicitário do governo Lula.

Atualmente, Lula enfrenta uma séria crise com a rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal e com a desistência do deputado federal Rodrigo Pacheco para concorrer ao governo de Minas Gerais, medidas que iriam facilitar o caminho do petista para a reeleição.

Mesmo com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que se anunciou presidenciável, ter defendido posturas reacionárias como a defesa da exploração do trabalho infantil, a extrema-direita parece ter mais fôlego para ganhar as eleições, devido à influência maciça das igrejas neopentecostais. 

Neste sentido, podemos admitir que Lula errou muito na campanha de 2022 e no seu terceiro mandato, mas também reconhecemos que parte dos brasileiros se comporta como ovelhas achando que o lobo vai salvar o rebanho.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

LITERATURA DESCARTÁVEL

Nas minhas andanças cotidianas, vejo que as pessoas estão se livrando de obras que haviam sido best sellers  neste mercado analgésico que é o da comercialização de livros. Dias atrás, em Niterói, numa dessas caixas de doação de livros nos pontos de ônibus, vi muitos livros da série 50 Tons de Cinza , espécie de erotismo milenial cheio de suspense. No último dia 10, foi a vez de uma sacola deixado pela vizinhança para o recolhimento de descartáveis. Como era domingo, a sacola eu tive que pegar para botar embaixo no prédio, porque é proibido deixar material reciclável na escadaria nesse dia da semana. Por curiosidade, eu vi o conteúdo. Livros juvenis banais, desses que o calor do momento faz badalação intensa, mas o tempo condena ao esquecimento mais fúnebre, e o Floresta Encantada , "clássico" dos "livros para colorir". Tudo literatura analgésica, em que palavras como Conhecimento e Saber são praticamente inexistentes. São muitos vampiros estudantis, muitos cavaleiro...

O POPULARESCO MILIONÁRIO E A MPB PAUPERIZADA

O "HUMILDE" ÍDOLO BREGA-POPULARESCO JOÃO GOMES, CANTOR DE PISEIRO, É DONO DE IMÓVEIS COM VALOR SUPERIOR A R$ 5 MILHÕES. A campanha do “combate ao preconceito” queria nos fazer crer que a bregalização era a “cultura do povo pobre por excelência” e que seus ídolos eram coitadinhos em busca de um lugar ao Sol Tão Bonito da Música Popular Brasileira. Narrativas chorosas, que chegaram a contaminar a mídia esquerdista, lutavam para que o jabaculê musical de hoje se tornasse o folclore de amanhã. Mas a realidade mostra que os verdadeiros pobres e discriminados não estão na música popularesca facilmente tocada nas rádios, mas na MPB acusada de ser "purista", "elitista" e "higienista". Dois fatos recentes demonstram isso. Foi revelado que o cantor de piseiro João Gomes, que tentou se vender como pretensa “renovação” da MPB, apesar de sua gritante mediocridade artística, tem um patrimônio milionário com várias propriedades. Com apenas 23 anos, é dono de um...

A HIPOCRISIA DA BURGUESIA ILUSTRADA QUANTO AOS EMPREGOS PRECÁRIOS

OS LULISTAS NÃO PERCEBEM QUE O QUE CRESCEU EM EMPREGO FOI O TRABALHO PRECÁRIO, COMO O DOS TRABALHADORES DE APLICATIVOS, COM REMUNERAÇÃO PEQUENA E INCERTA? O negacionismo factual não gostou das críticas que se fez ao governo Lula sobre a priorização do trabalho precário nas políticas de emprego, enquanto o presidente fazia turnê pelo planeta deixando até o combate à fome para depois. Temendo ficar sem o protagonismo mundial que permitiria à burguesia ilustrada brasileira ter o mundo a seus pés, o negacionista factual, o porta-voz da elite do bom atraso, lutou para boicotar textos que desmascaram os “recordes históricos do Efeito Lula”, como no caso dos empregos que pagam um ou dois salários mínimos. Apesar de sua postura “democrática e de esquerda” e de sua “defesa da liberdade humana com responsabilidade” - embora se vá entender que essa defesa “responsável” inclui atos como fumar cigarros e jogar comida no lixo - , de vez em quando explode nos corações do negacionista factual o velho ...

AS RAZÕES PARA O DESGASTE DE LULA

Nos últimos dias, Lula está preocupado com seu desgaste político, marcado pela aparente ascensão de Flávio Bolsonaro nas supostas pesquisas de opinião. Perdido, Lula tenta correr contra o tempo lançando medidas e discutindo meios de reforçar a propaganda de seu governo. Lula, em entrevista há poucos dias com a mídia solidária - Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Fórum - , afirmou, exaltando o terceiro mandato, que o quarto será "melhor que o terceiro" e que o Brasil dará "um salto estrutural" no próximo mandato, com a "transformação do país em uma nação desenvolvida, apoiada em crescimento econômico, inclusão social e fortalecimento institucional". É sonhar demais para um país que social e culturalmente está bastante deteriorado. O terceiro mandato de Lula tornou-se o mais medíocre dos três. Ambicioso, mas pouco produtivo. Com muita grandiloquência e poucas e mornas realizações. Muita festa e pouca reconstrução. Colheita sem plantação. Muito falatório...

COMO O “JORNALISMO DE ESCRITÓRIO” DESQUALIFICOU NOSSA IMPRENSA

O JORNALISMO DE ESCRITÓRIO ATUA COMO UMA EXTENSÃO MAIS OU MENOS FLEXÍVEL DA GRANDE MÍDIA. Um dos fenômenos que se ascenderam no período de Michel Temer e que não foram superados é o “jornalismo de escritório”, versão mais radical da “liberdade de empresa” que definiu os padrões da mídia venal. Um jornalismo asséptico, insosso, inodoro, supostamente neutro mas com algumas posturas “críticas” que nem de longe deixam de comprometer o status quo. Ele se vende como “o jornalismo de novos tempos”, tido como “mais responsável” e que trata a notícia como um “produto”. Interage com a overdose de informação das rádios all news, que derrubaram todas as expectativas libertadoras do passado recente, passando a ser apenas versões remix dos telejornais da TV, sendo um jornalismo que, independente da qualidade, vale mais pela excessiva quantidade de notícias que impede o ouvinte de parar para pensar. O “jornalismo de escritório” tornou-se o sonho realizado dos barões da mídia desde os tempos do AI-5, ...

COPA DO MUNDO E A PAIXÃO TÓXICA PELO FUTEBOL NO BRASIL

O bordão, de valor bastante duvidoso, que atribui o futebol como “única alegria do povo brasileiro”, tem um quê de ressentimento, de baixa autoestima disfarçada de orgulho e de altivez. E diz muito dessas emoções confusas, meio presunçosas, meio dotadas de falsa modéstia, que contamina a mente do brasileiro médio, perdido entre ser maioral e ser coitado. Diante da proximidade da Copa do Mundo, o fanatismo pelo futebol, que costuma ser regionalizado, se torna nacional. E aí vemos surgirem “torcedores de ocasião” a “vestir a camisa de CBF”, não mais por histeria bolsonarista, mas por outra histeria, a futebolística. No Rio de Janeiro, o futebol vira até pauta para assédio moral. E não é pela possibilidade de um patrão torcer pelo time diferente do seu empregado, pois aí eles acham até saudável fingir briguinha por causa do time de cada um. O drama cai contra quem não curte futebol, que acaba sendo vítima de desdém e até do risco de perder o emprego. Mas no resto do Brasil, se esse risco ...

O PREOCUPANTE PRECONCEITO SOCIAL NAS CONTRATAÇÕES DE EMPREGO

As empresas estão construindo suas graves crises e não percebem. Vivendo o imediatismo do prestígio, da visibilidade e da busca pelo lucro fácil e rápido, as empresas cometem um erro gravíssimo ao rejeitar currículos e a contratar gente com mais visibilidade do que talento, criando riscos de decadência a médio prazo. O escândalo do Banco Master não nasce da noite para o dia. Durante anos, o banco controlado pelo hoje presidiário Daniel Vorcaro viveu uma rotina harmoniosa de lucros abusivos, dentro de um clima de paz profissional que parecia eterno, até denúncias virem à tona gerando incidentes como os que vimos nos noticiários. O mercado de trabalho não consegue perceber que talento vem da alma e não de uma aparência atraente. Não vem de influenciadores capazes de gesticular e falar coloquialmente, mas isso é insuficiente para assumir tarefas técnicas como as de Analista de Redes Sociais, função que, desgastada, mudou seu nome para Analista de Marketing Digital. Não receber currículos ...

O FALSO ENGAJAMENTO DO POP COMERCIAL E DO BREGA-POPULARESCO

ACREDITE SE QUISER, MAS ULTIMAMENTE MUITA GENTE PENSA QUE "LUA DE CRISTAL", SUCESSO DE XUXA MENEGHEL, É UMA "CANÇÃO DE PROTESTO". O pop comercial de hoje vive seu complexo de superioridade. Seus fãs, dotados de muita arrogância, chegam a fazer ataques contra a música de qualidade. Acham que a chamada “música de sucesso” é superior só porque atrai um grande público jovem e que se sustenta pela forte presença nas redes sociais e nas páginas de celebridades (e subcelebridades). Embora se baseie estruturalmente no pop dançante dos anos 1980 e 1990, esse pop comercial, nos últimos anos, tenta iludir a opinião pública com um falso engajamento e uma falsa militância que fez até as pessoas, no Brasil, acreditarem que sucessos da axé-music e do pop infantil brasileiros fossem “canções de protesto”. E muita gente boa, de nossa crítica musical, embarca nessa armadilha. Do Bad Bunny ao BTS, de Xuxa Meneghel ao grupo As Meninas, a atribuição de falso engajamento sociopolítico e ...

AS ESQUERDAS MÉDIAS E A GOURMETIZAÇÃO DA MÚSICA BREGA-POPULARESCA

CENA DO MINIDOCUMENTÁRIO  MEXEU COMIGO , SOBRE A CENA DO ARROCHA EM SERGIPE. Diferente da porralouquice de gente como o professor baiano Milton Moura e seus “pagodes impertinentes” e do “filho da Folha” Pedro Alexandre Sanches brincar de ser “bom esquerdista”, ressurge um movimento de intelectuais e jornalistas que querem fazer renascer o “combate ao preconceito” da bregalização, agora sob o verniz da “objetividade”. A postura generalizada do “capitalismo musical” do músico baiano Rodrigo Lamore, colunista do Brasil 247, e as leituras do colunista Augusto Diniz da Carta Capital, numa linha parecida com a de Mauro Ferreira no portal G1, refletem essa onda de ‘“imparcialidade” na análise sobre música brasileira. No caso do Rodrigo Lamore, ele tenta generalizar a condição de “mercadoria” da música, como se não pudesse haver a função social, artística e cultural na atividade musical. Parece papo de ressentido. Se nomes popularescos, só para citar os da axé-music (o ensaísta também é mú...

O QUE É A “MASTURBAÇÃO PELOS OLHOS”?

Presa nas redes sociais e no “jornalismo de escritório” da mídia empresarial - tanto pode ser a Folha, Globo ou Estadão como os “novinhos do clube” como Oeste, DCM, Forum, Carta Capital e O Antagonista - , ocupada principalmente em procurar “paraísos” no Brasil, pouca gente consegue ter uma visão de mundo que se aproximasse da complexidade de nossa realidade. Se temos “chocolates” sem cacau, mas somente com gordura e açúcar, se temos café sem café, mas com cevada e impurezas, se nossos sorvetes não passam de banha açucarada, nosso jornalismo “imparcial” é uma mistura de marketing, estatística e contos de fadas, e não se está falando do bolsolavajatismo. Com nossa imprensa e nossas redes sociais, o Brasil tem dificuldade de perceber a realidade conforme os fatos. O que se vê, de forma preocupantemente vergonhosa entre os adultos, é uma defesa de visões agradáveis, e tudo tem que estar de acordo, pois se a realidade desagrada, pode ser o fato mais verídico que a pessoa não aceita admiti-...