DESNECESSÁRIO PARA O CONTEXTO DE RECONSTRUÇÃO DO BRASIL, O FESTIVAL DO FUTURO NA POSSE DE LULA EM 2023 IRRITOU BOLSONARISTAS, QUE REAGIRAM COM A REVOLTA DE OITO DE JANEIRO.
Lula se ostentou demais para o mundo. Colocou a festa antes do trabalho e buscou mais a sua consagração pessoal. Achou que governar o país era como faltar com os compromissos com a nação e sair fazendo turismo. Desculpas envolveram investimentos externos dos quais ninguém viu um centavo e relatórios apontavam supostos recordes históricos que o Livro do Guinness resistiria em publicar.
O que Lula deveria ter feito, em primeiro lugar, seria evitar a espetacularização e adotar ações políticas, muitas de caráter técnico, com a frieza cirúrgica. Nada de festa. A reconstrução do Brasil não poderia ter sido a brincadeira que se tornou.
Não deveria ter ocorrido o Festival do Futuro. Foi um desperdício que atrasou a posse da equipe de governo. A posse dos ministros foi dificultada logo num momento em que ela deveria ser apressada para começar os trabalhos de reconstrução.
Por outro lado, o festival de música que se seguiu à posse de Lula, em 2023, gerou revolta entre os bolsonaristas, que acusam os governos do PT de investirem fortunas em artistas e famosos para estes fazerem propaganda de Lula. Não é preciso pensar muito para ver que o Festival do Futuro foi um dos motivos do quebra-quebra da Revolta de Oito de Janeiro.
Lula deveria ter feito um hiato de política externa. Nas cúpulas internacionais, deveria ter enviado seus ministros. Seria menos espetacular, darua pouca mídia, mas seria bem mais coerente com a reconstrução do Brasil. Em vez da política externa, Lula deveria ter se esforçado para trabalhar pela nação, de forma presencial, dentro do Brasil.
O presidente Lula deveria, também, ter discursado menos, negociado mais, decidindo com firmeza em vários momentos. O fim da escala 6x1 no trabalho, por exemplo. Lula poderia ter determinado sei fim já em 2023, em vez de constranger muitos trabalhadores a continuar trabalhando seis dias por semana sob o comando presidencial do petista.
Lula parece trabalhar um personagem, não um líder político genuíno. Tudo soa midiático demais, publicitário demais, não soa algo concreto, real. Lula não tem autocrítica, não presta contas à população, não dá satisfação. Decide por impulso, não sabe avaliar seus erros e despreza críticas.
Até agora Lula não esclareceu a respeito das acusações de corrupção. Se omite a respeito do assunto e deixa seus aliados lhe defenderem. Lula, em si, não responde a acusações. E isso é ruim, o que também influiu na queda de popularidade e no fortalecimento das narrativas do "luladrão".
Não cansamos de repetir que Lula perdeu o apoio das bases populares. Na hipótese de Lula ser reeleito, isso ocorrerá pelo apoio da bolha lulista - majoritariamente de classe média abastada - e de setores flexíveis da burguesia e da direita neoliberal. É possível que Lula vença menos por seus méritos e mais pela crise do bolsonarismo devido ao escândalo do Banco Master. O certo, porém, é que Lula, como ídolo popular genuíno, lamentavelmente é coisa do passado.
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