POLICIAIS DO RIO DE JANEIRO EM OPERAÇÃO CONTRA O COMANDO VERMELHO, EM 2018.
Foi anunciado que o governo dos EUA incluiu as organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de grupos terroristas. A decisão do presidente dos Estados Unidos Donald Trump foi confirmada pelo secretário-chefe do Departamento de Estado, Marco Rubio. A classificação veio acompanhada da alegação risível de que os dois grupos atuariam em 12 Estados dos EUA, feita sem mencionar essas unidades federativas da nação de Titio Samuca.
A decisão foi comemorada pelos bolsonaristas e é tratada como uma revanche contra o fim da escala 6x1 no trabalho que foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está em tramitação no Senado. A classificação dos grupos criminosos como “terroristas” é um assunto que deve ser tratado com cautela.
Se for guiado pela emoção, é claro que a defesa da classificação de Trump fará sentido,pela catarse conservadora de “eliminar a bandidagem”, embora, contraditoriamente, as milícias que apoiam Jair Bolsonaro também se equiparam, em todos os aspectos, às duas facções enquadradas por Trump.
Só que o perigo está no que está por trás dessa classificação, que é fornecer pretexto para uma intervenção dos EUA no Brasil. Ou seja, haveria uma operação militar dos EUA no Brasil que poderia se transformar num golpe político, ameaçando qualquer cidadão que fosse, de modo hipotético, ser considerado “suspeito”.
Para combater a criminalidade, não se deve apelar para o poder estrangeiro. O Brasil, como um país soberano, deveria, conforme os instrumentos da lei, combater a criminalidade, não apenas pela repressão aos grupos criminosos, mas a prevenção do crime através de medidas de apoio à sociedade, como o estímulo ao acesso das classes populares para a Educação e o Trabalho.
É muito perigoso recorrer aos EUA ou a outro país estrangeiro para combater o crime organizado no Brasil. Pela visão idealizada dos extremo-direitistas, seria urgente a intervenção dos EUA para combate a grupos criminosos, mas a coisa pode soar perigosa e sair do controle, além de servir para a execução de golpes políticos que podem voltar até mesmo contra quem os solicitou, como os bolsonaristas.
Por isso, classificar o PCC e o CV como "organizações terroristas" é muito perigoso, além do fato da classificação poupar as milícias apoiadas pelo bolsonarismo, que também atuam da mesma maneira que as famigeradas siglas. As milícias já metralharam a Constituição Federal, por se constituírem em grupos paramilitares, de atuação visivelmente ilegal.
Mesmo que se critique severamente o PT, não podemos sucumbir aos clichês do "luladrão", até porque o lado bolsonarista é marcado pela corrupção que fez com que a família Bolsonaro acumulasse um patrimônio financeiro opulento demais para o currículo militar e parlamentar (por sinal, terrivelmente medíocre) do patriarca Jair.
Portanto, não vale Flávio Bolsonaro, amicíssimo de Daniel Vorcaro, pedir para o Donald Trump, amigão do finado Jeffrey Epstein, para botar ordem no Brasil. E isso poupando os milicianos e contraventores, que fazem de áreas como o Rio de Janeiro e as favelas do resto do país verdadeiras regiões mafiosas, ameaçando a vida da população e a estabilidade social da nação.
Deixemos o Brasil combater a criminalidade, por ser um problema interno que é competência exclusiva da Justiça de nosso país.
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