CONSULTORIAS DE COMUNICAÇÃO NÃO CRESCERAM AO CONTRATAR COMEDIANTES E INFLUENCIADORES.
“Eu sou o comediante Raul Morista (nome fictício). Tenho (cerca de) 40 anos, faço parte de um grupo de comédia tal. Sou divorciado e tenho um filho. Também sou jornalista (sic), com passagens em TODAS (?!) as editorias de jornais”.
Esse é um resumo de um longo depoimento que foi demorado demais para os padrões exigidos de uma entrevista virtual de emprego. Oportunista, só faltou o humorista dizer que cobriu a viagem de astronautas estadunidenses à Lua, mesmo ocorrida cerca de dez anos antes dele nascer.
Além disso, sendo um comediante de carreira, ele não poderia ter carreira simultânea no jornalismo, ainda mais que seu grupo de comédia, do qual é também empresário, não se especializa a satirizar telejornais. O cara apenas surfou na onda do “Efeito CQC”, em referência ao famoso humorístico da Band que parodiava o telejornalismo.
Comediantes e influenciadores digitais passaram as pernas so muita gente que procurava emprego na área de Comunicação. A onda dos humoristas “jornalistas”, que não deve ser confundida com o jornalismo de humor (tipo Sérgio Porto e Millôr Fernandes), veio para ingressar em cargos como Analista de Redes Sociais, trazendo visibilidade para as empresas.
E aí vemos o quanto pequenas consultorias acabam cometendo um erro sério, abrindo mão do talento para priorizar a visibilidade, o prestígio e a fama. Acham que um influenciador ou um comediante, só por saberem criar uma piada ou contar um caso, poderiam assumir cargos, digamos, mais complexos de Comunicação.
Mas uma parte do mercado que não consegue distinguir uma piada de uma notícia ou um repórter de um piadista acaba prejudicando a própria natureza da Comunicação. O mercado acaba sendo prejudicado por comediantes que avacalham o Jornalismo se passando por profissionais do setor sem ter a habilidade real no ramo, pois nem para satirizar o Jornalismo eles servem.
A contribuição dessas estrelas em cargos como Analista de Redes Sociais é ínfima e burocrática, sem somar à natureza do setor, mesmo quando se trata de um trabalho ligado ao marketing. E se as empresas envolvidas queriam crescer através da vitrine de humoristas e influenciadores, o tiro saiu pela culatra. Consultorias de Comunicação foram atrás da fama e do sucesso do momento e depois ficaram paradas no tempo.
Nenhuma dessas empresas obteve qualquer reconhecimento real e houve até “oficinas de ideias” que mudaram de nome. A produtividade de humoristas e influenciadores foi baixa e aquém do desejado e, quando muito, meramente regular e sem a criatividade esperada. Não fez diferença alguma e tudo se reduziu a um trabalho burocrático e, não raro, cheio de desídia, através de muito papo com os colegas e muita diversão à toa vendo Instagram e Tik Tok no celular.
Houve e ainda há muito estrelato, muito marketing e menos trabalho. Os empregados “ilustres” não traduziram sua fama na reputação das empresas, que continuaram em baixa. Como um feitiço voltando contra o feiticeiro, a Análise de Redes Sociais acabou mostrando o baixo desempenho dessas empresas, que levaram gato por lebre, transformando a Comunicação numa piada sem graça.

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