Depois de perder as bases populares de apoio, o presidente Lula, desesperado, fez um discurso no evento de comemoração dos 46 anos do PT no qual declarou “guerra” contra as narrativas da extrema-direita. No encontro realizado no Trapiche Barnabé, no bairro do Comércio, Salvador, Lula afirmou que o “Lulinha Paz e Amor” acabou.
O discurso tenta reproduzir a linha esquerdista do PT, pouco depois de Lula ter dado um tom conciliador. No entanto, tudo indica que Lula, apesar de virtualmente favorito para vencer as eleições de 2026, perde entre as classes populares, o que reflete a mudança de sua linha política.
Sem poder recuperar as bases populares, Lula tem na sua bolha de apoiadores nas redes sociais sua única esperança de vencer as eleições com um mínimo de solidez. Com exclusividade, nosso blogue chamou a atenção sobre o peleguismo do presidente, que empurrou as pautas trabalhistas em última hora, depois de passar um ano viajando para o exterior e, depois, discursando.
Lula parece querer agir com agressividade na sua campanha, sentindo a obsessão de vencer na marra. É arrogância Lula dizer que só concorre para ganhar. Em tese, Lula quer lutar contra a extrema-direita, mas na sua paranoia, o petista julga que tudo que não for ele, é sinônimo de “fascismo” e isso não é bom.
A mudança de discurso de Lula indica um misto de esperteza com ingenuidade. No caso da esperteza, Lula tem a máquina jurídica que lhe favorece até fraudar urnas eletrônicas, no desespero de garantir o acesso ao quarto mandato.
No caso da ingenuidade, Lula pensa que o protagonismo das esquerdas foi natural. Não foi. Foi como se a direita moderada tivesse dado apenas um quintal político para as esquerdas que esse mesmo direitismo político expurgou em 2016. As esquerdas só ganharam um playground e se acham donas do condomínio.
E aí Lula acha que pode fazer um jogo duplo, num momento se entrosando com empresários e com políticos da direita moderada e, em outro, querendo fazer um discurso esquerdista mais afiado, tornando-se caricatura e pastiche do sindicalista que havia sido.
Lula também acha que pode recuperar o apoio das classes populares que, hoje, veem no petista um traidor. Aí vai fazer, em última hora, tudo que deveria ter feito no começo do terceiro mandato, só para ter um pouco mais de vantagem nas urnas.
A agressividade que Lula propõe aos lulistas nas redes sociais pode ser um tiro no pé. Lula só vê Bolsonaro na sua frente e qualquer oposicionista pode ser humilhado sem dó pelos lulistas, que já demonstraram a fúria sarcástica típica de valentões da escola, vide o caso Ciro Gomes.
Isso vai dar num desastre. Lula se envolve em contradições sérias e não consegue intimidar bolsonaristas. Pelo contrário, o deputado federal extremo-direitista Nikolas Ferreira já avisou que vai “partir para cima” dos lulistas, demonstrando que a rinha política de 2026 vai ser pesada. Algo tem que ser feito para derrubar essa polarização.
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