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ESCÂNDALO DO BANCO MASTER VAI IMPLODIR A POLARIZAÇÃO?

DANIEL VORCARO, DONO DO BANCO MASTER.


Viajar na agenda setting é uma aventura um tanto chata e complicada, além de soar um lugar comum, pois você corre o risco de repetir demais o que é falado, e é por isso que a overdose de informação prejudica, pois as pessoas viram papagaios informativos, seguem a linha editorial do veículo midiático que consomem e pouco acrescentam ao debate, apenas fazendo número aos comentaristas que falam mais do mesmo. 

Para quem não sabe, agenda setting é uma seleção de assuntos mais falados, apreciados e difundidos nos meios de comunicação. Sua importância se compara ao hit-parade na música, blockbuster no cinema e best seller na literatura. O agenda setting, portanto, seia uma espécie de hit-parade da notícia.

Trabalhando como atendente de telemarketing, escrevo mais temas que podem ser atemporais e raramente sigo o assunto do momento, até porque precisava parar para saber melhor do tema e, também, para tentar escrever algo mais do óbvio.  Sei que sou passado para trás num contexto em que dar o furo jornalístico virou um esporte entre jornalistas autênticos e até bastardos, mas prefiro adaptar um famoso ditado popular para "quem noticia por último informa melhor".

Eu ando lendo superficialmente as notícias sobre o escândalo do Banco Master, porque tive que dobrar expediente no meu emprego e não podia escrever sobre o assunto. Afinal, voltava para casa para jantar e dormir, e os assuntos que eu produzia durante os intervalos do meu emprego é que eram publicados neste blogue. Tudo para deixar o blogue ativo e informativo (sem overdoses, é claro).

Só ontem, um domingo de folga, foi produzido este texto depois de alguma análise a respeito do histórico do Banco Master. Para começo de conversa, o Banco Master tem este nome desde 2018, pois antes se chamava Banco Máxima e foi fundado em 1970. Era um banco de investimentos. Quem adquiriu o banco em 2018 foi o banqueiro Daniel Vorcaro, principal envolvido no escândalo financeiro e que foi preso sob acusação de lavagem de dinheiro.

O Banco Master era especializado nas vendas de carteiras de crédito consignado para servidores públicos, em especial nos Estados das regiões Norte e Nordeste. São empréstimos que, depois, eram descontados nas folhas de pagamento dos servidores.

Em seguida, o Master passou a emitir certificados de depósito bancário (CDBs), só que com rendimentos que estavam acima dos valores médios de mercado. A estratégia, em primeiro momento, foi bem sucedida, atraindo investidores de todos os portes, causando o crescimento acelerado na base de clientes.

Só que isso causou, depois, um sério problema, pois o Master, focando na emissão dos CDBs de alta rentabilidade, se sentiu obrigado a pagar os rendimentos desses investimentos. E os CDBs que o Banco Master disponibilizava para pessoas físicas, segundo investigações da Polícia Federal, foram baseados em carteiras de crédito "fabricadas", inexistentes ou de baixa qualidade, que dificultavam a venda para outras instituições financeiras e colocava em risco a liquidez do mercado.

O Master passou a ser investigado depois que uma investigação constatou que a instituição financeira dava indícios de séria crise financeira, após vender parte de seus ativos a partir de novembro de 2024 para capitalizar o negócio e saldar as dívidas de seus clientes.

Um ano após essa venda, a situação financeira do Banco Master havia se tornado gravíssima. Foi então, novembro de 2025, que o Banco Central, presidido por Gabriel Galípolo, decretou a liquidação do banco em regime extrajudicial, afastando seus administradores e nomeando um gestor liquidante. A medida foi uma forma de manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e a evitar riscos.

A Operação Compliance Zero foi então iniciada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de crimes financeiros, como gestão fraudulenta, emissão de títulos sem lastro comprovado, manipulação de demonstrações financeiras e lavagem de dinheiro por meio de estruturas societárias complexas. Duas fases da operação foram realizadas, uma em 17 de novembro de 2025 e outra em 14 de janeiro de 2026.

A referida operação fez cumprir mandados de busca e apreensão contra executivos, investidores e empresas ligadas ao banco, e parte das investigações ocorre sob o segredo de Justiça, sobretudo devido ao envolvimento de autoridades com a prerrogativa de foro, que fez alguns processos serem levados ao Supremo Tribunal Federal. Alguns empresários e executivos ligados ao caso foram soltos após serem detidos, mas continuam sob investigação.

Escritórios "fantasmas" em Miami, com valores milionários avaliados, e bens como um jato particular de R$ 200 milhões que seria usado por Vorcaro para fugir do Brasil também são outros ingredientes do escândalo, que pode abalar as estruturas da vida econômica e empresarial no país.

A polarização entrou em cabo-de-guerra, com lulistas e bolsonaristas empurrando o caso para o campo rival. No caso dos bolsonaristas, a narrativa lavajatista passou a forjar o envolvimento do presidente Lula no esquema de lavagem de dinheiro do banco, quando a única coisa que ocorreu foi que o petista apenas se reuniu uma única vez com Daniel Vorcaro e, com eles, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para negociar a liquidação do Banco Master.

A narrativa bolsolavajatista também vai explorar acusações de que a empresa Biomm, do setor de tecnologia pela qual Daniel Vorcaro atua como sócio no setor de investimentos, teria firmado contratos de quase R$ 304 milhões com o Ministério da Saúde em 2025, para fornecimento de insulinas para o Sistema Único de Saúde (SUS). Mas também serão puxadas outras acusações, como supostas ligações às fraudes previdenciárias do INSS e o suposto envolvimento do filho do presidente, Fábio Lula da Silva, o Lulinha, no esquema.

Pela associação com a elite da Faria Lima, o escândalo do Banco Master também está sendo trabalhado por lulistas para derrubar Jair Bolsonaro e evitar a ascensão da Terceira Via, explorando de maneira eleitoral as doações do cunhado do banqueiro, Fabiano Campos Zettel, casado com a irmã de Vorcaro, Natália Vorcaro, uma pastora neopentecostal (da igreja Bola de Neve), função também desempenhada pelo marido dela.

Zettel repassou um valor de cerca de R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas para o Governo do Estado de São Paulo, considerada única doação de uma pessoa física para a campanha. O cunhado de Daniel Vorcaro também doou cerca de R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022.

Diante dessa guerra ideológica, num contexto em que o bolsonarismo não se sente intimidado e o lavajatismo tenta retornar através da risível narrativa de "combate à corrupção", haverá uma onda de narrativas conflitantes que podem desgastar a polarização política.

De um lado, temos a narrativa bolsonarista que coloca o governo Lula como um "quintal de negócios" do Banco Master. De outro, a narrativa lulista tentando jogar tudo que ameaçar a reeleição de Lula no colo de Daniel Vorcaro. Essa guerra ideológica que tem as redes sociais como arena já começa a cansar e a polarização pode sofrer um desgaste diante de tanta briguinha. Esperemos que algo realmente novo e fora dessa bagunça possa surgir na disputa eleitoral deste ano.

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