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A SIMBOLOGIA DO “VAI, BRASA” É A MESMA DE “BALADA”E DO PORTINGLÊS


A semana passada foi marcada pelo lançamento da nova camisa da Seleção Brasileira de Futebol que tinha como lema a expressão “Vai, Brasa!”. A estranheza veio nesse lema, usado no lugar do “Vai, Brasil”, esperado e desejado por seus torcedores.

O uso do termo “Brasa” irritou muita gente e causou revolta nas redes sociais. Embora a palavra Brasil seja originalmente um derivado da palavra “brasa”, o contexto do lema utilizado é outro e segue o coloquialismo da Faria Lima que hoje contaminou o vocabulário cotidiano dos brasileiros, do Oiapoque ao Chuí.

Ou seja, a forma como foi adotado o lema da camisa da CBF, que já foi descartado devido à repercussão negativa, é rigorosamente a mesma que fez os empresários do entretenimento, no fim dos anos 1990, reaproveitarem a gíria “balada”, um jargão de jovens riquinhos para um rodízio de consumo de ecstasy, transformando-a num jargão pretensamente “universal e atemporal”.

Quem criou o lema “Vai, Brasa!” pertence à mesma elite que desenvolve o repertório coloquial que muita gente boa fala e escreve praticamente no piloto automático, e vemos isso com a própria gíria “balada”. Vemos também nesse pretenso “dialeto” do portinglês, quando as pessoas falam bike em vez de bicicleta e body em vez de maiô ( que já é um termo de origem estrangeira, do francês maillot).

As pessoas se revoltaram nas redes sociais com o uso do termo “Vai, Brasa!” não se revoltam com o uso de uma gíria ligada a drogas no colóquio dos brasileiros em geral. Há poucos dias, uma moça de seus 30 anos de idade (!) falava a gíria “balada” numa conversa com uma idosa. Já vi escola criando programas recreativos com o nome de “baladinha”.

Trata-se de um mesmo senso de criação de linguagem patenteado pela Faria Lima. Foi acertada a declaração de um internauta no Threads que disse que o lema “Vai, Brasa!” só faz sentido num país que considera a Faria Lima como “capital cultural”. 

Só precisamos lembrar que expressões como “balada”, “doguinho”, “boy lixo” e “lovezinho” também são outras “brasas” queimadas do colóquio que a Faria Lima empurra para todo o país, tal qual o Vocabulário do Poder no âmbito do entretenimento.

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