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DEVOTOS DE “SÃO SOLIP”

CONGESTIONAMENTO NA RJ-106 EM NITERÓI, EM 2024 - Necessidade de nova rodovia entre Rio do Ouro e Várzea das Moças iria resolver boa parte desse transtorno.

O que muitas vezes dificulta ou impede a solução de problemas no Brasil é a falta de sensibilidade das pessoas para dados problemas, por conta da falta de percepção real dos impedimentos e limitações vividos pelo outro. A ideia pessoal de que “se estou bem, está tudo bem” faz com que a agonia ou o transtorno do outro fossem uma coisa sem importância.

Há uma expressão que se refere a pessoas que se iludem com suas impressões particulares, e acabam moldando a percepção geral da realidade conforme seis instintos. Esta palavra é solipsismo, que é o ato de medir a realidade conforme a experiência de cada pessoa. É como se essa pessoa achasse que o mundo age de acordo com o que ela acha que age.

Isso bloqueia as ações por melhorias das pessoas, porque indivíduos se recusam a entender os problemas alheios e reagem com indiferença. Mesmo quando esses problemas são divulgados com argumentação forte, a indiferença tende a continuar inabalável.

A elite do bom atraso é bastante solipsista. Só para fazer um trocadilho com a religião, ela se comporta como se fosse uma legião de devotos de um hipotético santo, o São Solip. Seus julgamentos de valor se baseiam no que elas vivem e veem, como se a realidade não fosse autônoma e dependesse dos pontos de vista dessa classe.

Em assuntos como o radialismo rock, por exemplo, o solipsismo se dá no fato de que as "rádios rock" seguem a vivência da burguesia, com sua visão superficial e voltada ao comercialismo. É o riquinho bonitão que só ouve os hits, veste jaqueta de couro e faz gestinhos, como o "sinal do capeta" com as mãos e a linguinha para fora. A falta de visão dos empresários que controlam as "rádios rock" faz com que essas emissoras se percam reproduzindo o mesmo perfil de linguagem e mentalidade que marcou a Jovem Pan nos anos 1990.

Se é o mercado de trabalho, é o bem de vida que, com sua falsa generosidade , pede em voz calma para o desempregado rezar para obter um emprego, como se fosse tão fácil quanto o emprego que o próspero conquistou sem muito sacrifício (é o "quem indica", estúpido!).

Nos primeiros momentos do governo Lula 3.0, houve, nas redes sociais, uma aberração de um professor que se diz de esquerda que defendeu a escala 6x1 e a ideia de que, se o salário mínimo é baixo, é só pedir ao patrão para aumentar a remuneração. Para o professor, um pequeno burguês, que ganha mais de três salários mínimos, é fácil pedir aumento. Mas para o pobre coitado, a realidade é outra, pois terá que trabalhar mais para ganhar um pouquinho mais.

Em outros casos, como em Niterói, há o problema da "avenida de bairro" da Rodovia RJ-106. Não há uma estrada direta entre os bairros de Rio do Ouro e Várzea das Moças, que dependem da rodovia estadual para se ligarem, num trajeto demorado e que atrapalha o tráfego de quem vai e vem de longe, na Região dos Lagos. A criação de uma rodovia entre os dois bairros aliviaria, e muito, o tráfego da RJ-106, que não se resolveria apenas com obras de duplicação.

O solipsismo dos niteroienses médios chega a ser preocupante. Nem os perfis de notícias de Niterói nas redes sociais se atentam para a necessidade de uma nova rodovia para ligar os dois bairros niteroienses. A RJ-106, em si, já sofre congestionamentos, mas isso se agrava quando ônibus e outros veículos vindos dos dois bairros de Niterói têm que se deslocar na rodovia, atrapalhando o trânsito principalmente quando muda de faixa na pista.

Mas os niteroienses nem se incomodam. O tráfego se torna problemático no trecho "avenida de bairro" da RJ-106, enquanto a Região Oceânica cresce e o trânsito pode se agravar ainda mais entre os acessos da referida rodovia até áreas como Engenho do Mato e Largo da Batalha. Já aumentam os congestionamentos da RJ-106, pondo por terra a ideia do niteroiense médio de que o trânsito na rodovia é "tranquilo".

O niteroiense médio só reclama de problemas que seu solipsismo consegue enxergar. Congestionamentos são só os dos acessos da Alameda São Boaventura e das Avenidas Marquês do Paraná e Jansen de Mello. Agonia do outro, para solipsista é calmaria, e o niteroiense médio, isolado nos seus apartamentos em Icaraí, mais preocupado com o resultado do Flamengo no futebol, não consegue enxergar um problema que afeta a economia da Região dos Lagos, provocando atrasos até de distribuidores de mercadorias.

Outro caso é a aberrante retirada de circulação, em São Paulo, da linha 967A-10 Imirim / Pinheiros, dos fins de semana e feriados, dificultando o deslocamento de moradores de áreas como Lausane, Peruche, Casa Verde e Bixiga ao Parque Ibirapuera e à Avenida Brigadeiro Faria Lima. Um abaixo-assinado existe e quase ninguém quer assinar, sob a desculpa de que não pega essa linha. É um baita solipsismo que ignora que há até idosos, gestantes e deficientes nessas áreas que não aguentam fazer baldeações cansativas, subindo e descendo de um ônibus para outro.

Dssa maneira, vemos o quanto o solipsismo se tornou a "Religião do São Solip", com pessoas que disfarçam seu egoísmo com um bom-mocismo que é desmascarado diante de tantos problemas cotidianos, pois neste caso as pessoas que se dizem "generosas" reagem com indiferença e mandam os outros que sofrem transtornos "se virarem" ou, quando muito, a "rezar para Deus". Quanto egoísmo escondido nos egos dessa "gente boa"...

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