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COM MEDO DE FRACASSO, CINEASTA SE RECUSA A DEFINIR FILME RELIGIOSO COMO TAL


Enquanto as seitas neopentecostais são responsabilizadas até pelos erros que não cometeram, o Espiritismo brasileiro recebe ima blindagem de luxo que inclui os grandes latifundiários do Triângulo Mineiro, a Faria Lima e a mídia corporativa, sobretudo Globo, Folha, Abril e SBT.

Um dado risível se notou quando o cineasta da franquia “Nosso Lar”, Wagner de Assis, se recusou a definir suas produções como “filmes espíritas”, em palestra realizada no painel A Fé Move Montanhas e Engaja Audiências, no Rio Cc. A cobertura foi feita pelo portal UOL, da família Frias, que apoia o Espiritismo brasileiro. O cineasta tentou explicar: “Primeiro que o espiritismo não é gênero de cinema, não é gênero narrativo. O espiritismo é uma coisa, o cinema é outra coisa”.

Definindo o rótulo de “filme espírita” como uma “caixa estreita” que, a seu ver, manifesta “preconceito contra os filmes de fé”, Assis diz que seus filmes servem para ser vistos por “pessoas de toda parte do mundo” e até por “não-espíritas”. Só que Wagner de Assis errou feio, porque definir seus filmes como "espíritas" são conceitos, não preconceitos.

A declaração, embora pareça ser de intenção ecumênica, manifesta o medo de fracasso. Afinal, se trata de “cinema espírita”, sim. Isso é escancarado e a narrativa cinematográfica remete claramente a essa religião que é o Catolicismo medieval de botox. Não definir esses filmes como "espíritas" dá no mesmo que dizer que os filmes (e novelas) bíblicos da Record não são "novelas bíblicas " ou "filmes bíblicos" nem "cinema neopentecostal".

Antes que surja alguém reclamando do vínculo da religião "espírita" com o medievalismo católico, a religião é famosa por evocar padres medievais e seus postulados estão mais próximos da carcomida Teologia do Sofrimento do que das ideias de Allan Kardec. “Espíritas” acreditam que o Padre Manoel da Nóbrega é o maior pensador de sua doutrina, atuando como dublê de filósofo entre seus seguidores.

Quanto ao “cinema espírita”, não é preconceito definir filmes com esse enredo dessa forma, assim como se define um filme de ação como de ação, um filme pornô de pornô, que um filme de faroeste é um filme de faroeste, um filme de guerra é de guerra e um filme infantil é um filme infantil.

Quando segui essa religião - da qual larguei definitivamente em 2012 - , vi alguns filmes do gênero. A narrativa é própria da religião. A “caixa estreita” tem sua forma e suas caraterísticas. Dramalhões piegas com temática mística, moralismo datado e enredos medíocres. Tudo isso acontece em todos os filmes “espíritas”, como deixar de defini-los desta forma?

Daí que a gente vê a quantas anda esse Catolicismo medieval redivivo. Com menos de 2% de seguidores, a religião contrasta esse baixo índice pela blindagem que recebe das mais poderosas oligarquias do Brasil. O medo do fracasso cinematográfico faz com que um cineasta recuse-se a assumir o que seis filmes são, tentando desmentir o óbvio. Portanto, eu sair desse “Espiritanic” foi um grande acerto.

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