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POR QUE A JUVENTUDE NÃO SE IDENTIFICA COM LULA?

LULA TENTA PARECER VIGOROSO PARA CONQUISTAR A JUVENTUDE, MAS OS JOVENS BRASILEIROS NÃO QUEREM ESPETÁCULO, QUEREM GESTÃO.

Até recentemente, prevaleceu a narrativa de que Lula era o candidato dos pobres, dos jovens e das mulheres. Embora essa narrativa tente persistir entre os aliados do petista em busca de reeleição, ela ruiu entre os referidos extratos sociais de tal maneira que o presidente precisa se mexer. 

Medidas de combate e prevenção ao feminicídio, políticas de inserção dos jovens no mercado de trabalho e auxílios financeiros e facilitação do crédito para aliviar o orçamento dos mais pobres estão entre os procedimentos para Lula evitar perder o apoio desses segmentos, caros para a conquista do quarto mandato.

O que chama a atenção é a perda de apoio de Lula não só entre os pobres, mas também entre a juventude. Isso, a princípio, causa estranheza, pois o petista é que simboliza, em tese, uma pauta mais moderna e potencialmente a mais aceita entre o eleitorado mais jovem.

Há pelo menos um ano Lula deixou de representar o que era “tudo de bom” para os brasileiros. As viagens ao exterior e as poucas realizações de seu governo - apesar das narrativas “espetaculares” da forjada série do “Efeito Lula” - , além das gafes em seus discursos, decepcionaram o povo e estimularam a retomada do discurso antipetista do “luladrão”.

Até o apelo poético de colocar um travessão no segundo “l” da palavra “Lula”, aludindo a “luta”, perdeu o sentido. Hoje o petista está mais marqueteiro e preocupado em compor um personagem em vez de atuar como líder popular.

Descontando apenas a parcela woke ou identitária da juventude, segmento social que apoia Lula de forma incondicional, os jovens em geral não apoiam o petista. Consideram ele um político antiquado, não só por conta da idade, mas também da carreira. Não se identificam com Lula, pouco adiantando o petista se vender como um "jovem de 80 primaveras" que "faz ginásticas todos os dias". 

Os jovens eleitores do Brasil não querem espetáculo, querem um gestor que atenda às suas necessidades com profundidade. Não se deixam iludir com propagandas sobre a "magnitude das realizações do governo" se não veem isso na realidade. O governo Lula facilita a entrada dos jovens nas universidades, mas não a do primeiro emprego. O filho da empregada vai estudar faculdade para quê? Para ser motorista de aplicativo ou operador de telemarketing?

Desgastado pelo discurso antipetista, Lula também não deu conta do recado a respeito do que os jovens desejam. Lula apenas implantou medidas paliativas. Não criou programas consistentes que possam impulsionar a Educação pública e a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Apenas lançou algumas medidas, sem muita relevância e sem criar resultados práticos que pudessem ir além dos relatorismos fantásticos.

O próprio Lula se comporta como um político da velha guarda até quando tenta discursar em reuniões de cúpula, como foi durante a fase em que priorizou a política externa em detrimento da reconstrução do país, lembrando que os relatorismos sobre os "recordes históricos" não convenceram, tendo sido uma "colheita" sem plantação e com aspectos fabulosos demais para serem reais.

Ao fazer seus discursos, lendo textos e usando óculos, Lula se baseou no roteiro das biografias que leu, querendo parecer um tribuno dos anos 1940, à maneira de Winston Churchill e Franklin Roosevelt, embora com o pastiche do pacifismo de Nelson Mandela, maior inspiração do petista. 

Ao fazer tais discursos, com frases de efeito que, todavia, soam previsíveis e óbvias demais para fazer alguma diferença marcante, Lula sonha com um verbete em enciclopédias à moda antiga, como naquelas coleções que eram lançadas na década de 1950 e ainda estão disponíveis nas bibliotecas em várias cidades brasileiras.

Lula imagina que irá conquistar a juventude promovendo um espetáculo político. Não vai. Os jovens pensam no seu futuro, precisam ter estabilidade no emprego e na ampliação do aprendizado. A juventude brasileira não é a que sonha a Faria Lima, que a vê como um mero público para maratonar shows internacionais, nem é o bando de ingênuos que aceita tudo que Lula decidir.

Os jovens brasileiros podem, a princípio, estarem culturalmente desnorteados por conta de uma mídia empresarial que despeja ídolos musicais popularescos e subcelebridades. Mas nota-se que, dentro em breve, os jovens irão despertar, aos poucos, começando a questionar esse padrão de Brasil que prevalece desde a Era Geisel. Isso pode demorar a acontecer, mas ocorrerá. E Lula terá, mais uma vez, que se contentar com os wokes e os fãs juvenis de brega-popularesco para conseguir se reeleger.

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