
É certo que a disputa presidencial de 2026 é uma das mais fracas da História do Brasil, mas a obsessiva do eleitorado pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, faz com que as eleições deste ano no nosso país sejam conhecidas como as Eleições do Fim do Mundo.
Isso porque a polarização política envolve dois candidatos que não querem governar para dentro do país, mas liderar para fora, expondo o Brasil de maneira bastante perigosa para a geopolítica mundial. Na prática, Lula e Flávio Bolsonaro estão longe de serem gestores com um pingo de seriedade, mas apenas showmen a política.
As queixas que há nas redes sociais são de que a polarização nivela a política a uma briga de torcida, a uma disputa de dois ídolos, que não se destacam por ideias ao mesmo tempo concisas e consistentes, mas pelo espetáculo e pela capacidade de desfazer o outro por denúncias, como num tapetão eleitoral.
Flávio Bolsonaro chega a propor, como seu pai, uma pedagogia maluca, que discrimina a atuação da escola comum em dois aspectos: um através da supervalorização da educação doméstica familiar, como se todos os pais tivessem a vocação docente, e a imposição de escolas militares, que formam pessoas violentas.
Lula, que no terceiro mandato cortou verbas para a Educação pública, sonha mais com a política externa do que com a interna. As três refeições por dia do povo pobre que se deixa para depois. Primeiro o Sul Global e até a reforma da ONU, os brasileiros pobres que troquem a picanha que não puderam comprar por ovo.
A Terceira Via pode não ser perfeita e não fará o governo dos sonhos de todo brasileiro. Mas também nosso país está social e culturalmente devastado para se tornar a Suíça dos trópicos. Bregalização musical, obscurantismo religioso - cujo “maior símbolo de caridade” é um charlatão reacionário de Minas Gerais - , convulsões sociais e idiotização sociocultural impedem que nosso país ingresse no banquete dos países desenvolvidos.
Há muito preconceito contra a Terceira Via. A essas alturas, quando Lula demonstrou, no seu terceiro mandato, ser um reles fanfarrão irresponsável, a Terceira Via pode oferecer um pouco mais do que a “agenda dos sonhos” que Lula em grande parte não quis cumprir.
Imagine um Ronaldo Caiado (que não era um terceiro-viável, mas acabou sendo inserido no contexto) investindo em agricultura e criando um programa de abastecimento de alimentos. Ou um Augusto Cury com projetos educacionais com alguma relevância. Não se fala em milagres, mas em ações que, por pequenas que fossem, podem ser mais concretas e palpáveis do que os “relatórios fantásticos” de Lula.
Político não pode ser visto como ídolo pop. E o Brasil não pode oscilar entre a Sessão da Tarde de Lula e o Domingo Maior de Bolsonaro. É necessário conhecer e dar uma chance para a Terceira Via e parar com a polarização do sonho contra o pesadelo. Temos agora que deixar a realidade falar, com todas as suas imperfeições e problemas. Reconstrução de verdade passa por isso mesmo.
Comentários
Postar um comentário