LULA VISIVELMENTE IRRITADO COM PERGUNTA SOBRE O ROMBO TRILIONÁRIO NO JORNAL NACIONAL.
Pensando a respeito da atitude tomada por Lula na sabatina do Jornal Nacional faz com que ele desmereça ser reeleito. E antes que qualquer discípulo ou simpatizante de Lula reagisse me acusando de suposto reacionarismo, eu faço uma reflexão bastante objetiva sobre o caso.
Na sabatina que Lula deu no Jornal Nacional do dia 27 de agosto de 2026, o presidente e candidato à reeleição adotou uma atitude que foi elogiada pelos seus seguidores, mas que, independente de qualquer caráter ideológico, foi dotada da mais pura covardia.
Não vamos falar aqui do caso do mansplaining, já comentado antes, mas da tentativa de Lula fugir de uma pergunta desagradável, em vez de dar uma invertida bastante habilidosa. Vejamos o seguinte trecho, em que a âncora Renata Vasconcellos (que divide a função com César Tralli) faz uma pergunta incômoda ao petista:
Renata - Candidato, a dívida pública no seu governo ultrapassou os R$ 10 trilhões. No seu governo, a dívida disparou 10 pontos percentuais, atingiu 82% do PIB. E essa trajetória pressiona os juros, que encarece o crédito, que dificulta o investimento e que pesa no bolso das famílias. O seu programa de governo menciona uma necessidade de um ajuste fiscal, mas não traz metas explícitas para os próximos 4 anos. Então, eu quero saber do senhor quais são as suas metas e pra que percentual do PIB o senhor pretende trazer essa dívida?
Nota-se que, enquanto Renata fazia essa pergunta, a câmera da Rede Globo mostrava que Lula estava irritado com a pergunta e estava olhando como se fosse uma fera se preparando para o ataque. E aí o petista veio com esta resposta:
Lula – Renata, eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar essa pergunta falando diferente. Você poderia dizer: ‘Presidente Lula, o senhor foi o único presidente na história do Brasil que fez superavit primário durante 8 anos do seu primeiro mandato’. Nos países do G20, eu fui o único que fez superavit primário durante oito anos. Nunca tive problema fiscal nesse país.
Note que Lula foi grosseiro, mesmo tentando parecer gentil, ao fugir de uma pergunta que ele achava desagradável. Não se trata de uma constatação antipetista, mas de uma crítica severa a alguém que se recusa a responder uma pergunta desagradável.
Os lulistas cometem o erro de pregar que o Jornalismo, quando se dirige a Lula, só deve fazer perguntas agradáveis. Perguntas desagradáveis, para eles, não seriam Jornalismo, mas “inquisição”. Alguns seguidores do petista cometeram o equívoco de dizerem que o petista “ensinou” Jornalismo para Renata.
Sou jornalista e sei que a missão do jornalista não é fazer perguntas agradáveis. Não tenho ilusões quanto ao papel ideológico da Rede Globo, mas neste caso Renata Vasconcellos foi correta, pelo contexto da pergunta. Mas, mesmo que ela estivesse errada na sua questão, caberia a Lula contornar a pergunta e dar a chamada invertida.
Lula insiste em dizer que o “bom jornalismo”, quando se dirige a ele, só pode perguntar o que ele aceita responder. Isso não é jornalismo, é marketing. O presidente não pode se arrogar em dizer que, quando o Jornalismo faz uma matéria ou pergunta ao entrevistado algo que lhe é desagradável, isso seria “inquisição”. Em tom jocoso, Lula chegou a chamar o jornalista César Tralli de “investigador”.
Falando agora no caso da pergunta, a reação de Lula à pergunta revela uma grande e gravíssima omissão. O presidente querer dizer apenas que “não existe crise fiscal”, de forma vaga e evasiva, é insuficiente para ser considerada uma resposta satisfatória.
A questão, aliás, se confronta com a expectativa da equipe do governo Lula em contrair um "recorde histórico" de R$ 3,24 trilhões neste ano, 30% do valor do rombo. Apesar de bem intencionada, a notícia não isenta das críticas ao rombo causado por um governo que colocou a festa antes da reconstrução e reduziu o terceiro mandato a um trampolim para o quarto.
Com a omissão em responder a pergunta de Renata, Lula cometeu um erro de extrema gravidade. Sem dar o devido esclarecimento e nem sequer desmentir o problema do rombo trilionário, Lula acabou consentindo com a denúncia, na medida em que não teve coragem em dar uma resposta negativa.
A reação deixou subentendido que Lula teria, sim, causado o rombo trilionário, e portanto se recusou a, pelo menos, negar a acusação com uma resposta convincente. Só os lulistas é que ficam satisfeitos com qualquer coisa que Lula faça.
Outra coisa é que Lula, ao exigir que as perguntas sejam somente do seu agrado, mostra que suas pautas são seletivas. E os lulistas só defendem o "bom jornalismo" para os outros, mas para Lula tudo tem que ser pela pauta fofinha, pelas perguntas sempre conforme a vontade do entrevistado, senão vira "inquisição".
E se a pergunta de Renata tivesse sido, por exemplo, para Flávio Bolsonaro a respeito do governo de seu pai? Aí os lulistas iriam comemorar, pois pautas desagradáveis só servem para os inimigos, mas para Lula não. O trauma da Lava Jato ainda marca os lulistas.
O povo pobre da vida real não se ilude e vê que Lula não quer abrir o jogo. Com isso, as classes populares acabam reafirmando a sua decepção com aquele que já foi um líder popular e que, agora, com o rombo de trilhões de reais, causa revolta naqueles que, oficialmente, ainda são vistos como a “base de apoio” do petista.
Não. O povo não é ingênuo em aceitar que Lula, mesmo errando feio, seja considerado “sempre correto”. A sabedoria popular não aceita traição e Lula, ao se recusar a responder, em rede nacional e sob um grande audiência, uma pergunta sobre como iria resolver o rombo gigantesco, demonstrou que não merece a reeleição. Seria bom que Lula se preparasse para esvaziar as suas gavetas no Palácio do Planalto.

Comentários
Postar um comentário