A polarização política no Brasil está causando sérios problemas. Temos a divisão da elite do atraso, que gerou dois segmentos ideológicos, um identificado com o bolsonarismo e outro, a elite do bom atraso, identificado com Lula.
Não se tratam os dois grupos da real essência do povo brasileiro, mas de duas forças que não só disputam a hegemonia nas narrativas oficiais como também quer dominar o mundo, causando estragos na humanidade. Cada grupo tem sua caraterística específica que define seu comportamento, suas ações , suas ideias e seus objetivos.
Há as pessoas “legais”, os “bacanas” que se acham “tudo de bom” e se consideram os “predestinados do Novo Mundo”. Esta é a burguesia ilustrada, que adora Lula e se acha a “melhor parcela “ da humanidade planetária.
Esse grupo se define como a “sociedade do amor”. Dessas pessoas, se incluem artistas e famosos que estão em evidência na mídia e no mercado. Intelectuais e acadêmicos de centro-esquerda e jornalistas culturais, entre outros que se situam entre esquerdistas de raiz ou descolados sociais.
Em termos de classes sociais,o lulismo se divide entre setores flexíveis da alta burguesia, a pequena burguesia e os “pobres de novela”, ou seja, os pobres remediados e adaptados ao “sistema”, além da sociedade identitária ou woke. O povo pobre da vida real está desapontado com Lula.
A “sociedade do amor” é conhecida por sua maleabilidade social, pelo hedonismo e pelo divertimento. Consideram que engajamento político se faz com festa e entretenimento e sentem indisposição de aprimorar o senso crítico, apesar desse grupo se autoproclamar “intelectualizado”.
Do outro lado ideológico, temos os ressentidos da direita, os “indignados” ou “revoltados”. Se consideram os “protegidos de Deus”, apesar de seus históricos de fracassos e frustrações. Geralmente são famosos que caíram no ostracismo por não conseguirem se manter em evidência no show business brasileiro.
A “nata” desses ressentidos inclui policiais e delegados, pastores evangélicos, madames ultraconservadoras e influenciadores digitais reacionários. Há também os “pobres de direita” que sofrem a influência de seitas neopentecostais.
Os dois lados conduzem a polarização que atinge níveis preocupantes. São os equivalentes atuais dos luzias (liberais) e dos saquaremas (conservadores) que atuavam no Segundo Império. Possuem relativas virtudes, como a relativa consciência social dos lulistas e o afiado senso crítico dos bolsonaristas, mas são os defeitos que tornam os dois lados ameaçadores.
De certa maneira, os dois grupos são bastante conservadores. Alguns valores retrógrados têm trânsito entre ambos, do Espiritismo brasileiro e seu “médium da peruca” aos ônibus com pintura padronizada, passando pela música brega-popularesca e pelo fanatismo pelo futebol que dá a esta polarização um gosto de briga de torcida.
Ambos os grupos são megalomaníacos. A “sociedade do amor” lulista quer dominar o mundo através do Sul Global, sob o patrocínio da China e usando a União Europeia como trampolim para conquistar o Ocidente. O “gabinete do ódio” bolsonarista, por sua vez, não consegue disfarçar seu patriotismo de fachada com a mais aberta subserviência aos EUA.
Espera-se que a crise que está em torno do Supremo Tribunal Federal e das denúncias do Banco Master possam trazer o desgaste dos dois lados, e que o fim desse Fla x Flu político abra caminho para fenômenos políticos menos espetaculares, mais preocupados em cuidar da casa do que se ostentar ao mundo. A polarização tem que acabar antes que ela acabe com o Brasil.

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