A SEGUNDA FASE DOS BEATLES SERIA REPROVADA PELOS CONSULTORES DE ROCK BRASILEIROS.
A preocupante deturpação da cultura rock no Brasil, que reduz o gênero a um segmento manipulado pela Faria Lima, cria uma mentalidade provinciana e mercantilista que defende um padrão domesticado de música, o que faz com que surjam consultores que, embora bem intencionados, castram a criatividade e a ousadia de músicos aspirantes.
A ideia é criar uma “fórmula de sucesso” para uma banda ou um artista de rock, geralmente com alguma recomendação “técnica” além de um formato de canção que, supostamente, é “ideal” para atrair público e impulsionar a carreira. Até solos de guitarra precisariam de um “modelo” que funcione nas rádios e nas apresentações ao vivo.
É como se o rock fosse um reality show musical. A antiga vida cotidiana, dos jovens se reunindo para fazer um som, daqueles ensaios cheios de improviso nas garagens, perdesse o valor. Desde os anos 1990, rock no Brasil deixou de ser coisa de roqueiro e passou a ser um mero negócio, que acaba não decolando por ser um reles empreendimento, uma iniciativa “empresarial demais”.
Daí que hoje o rock se reduziu a uma apreciação hipócrita das elites de filhinhos de papai, de titios do food truck e de tietes de parquiletes (parklets), que veem o rock como mera trilha sonora para beber aquela cerveja de marca estrangeira franqueada pela Ambev (o velho Jorge Paulo Lemann sempre “zeloso” por nossa cultura…).
Só que essa mentalidade de consultoria de rock derrubaria uma infinidade de clássicos e rasgaria páginas preciosas da História do Rock. 99% do rock seria rejeitado pelas avaliações dos "especialistas" brasileiros, mesmo alguns com considerável vivência no rock.
Nomes como Jimi Hendrix, Lou Reed, Jim Morrison e Syd Barrett teriam suas carreiras banidas. Os Beatles teriam que parar no formato de canções de 1963-1964, se fosse do critério dos consultores de rock do Brasil de hoje. Uma grande porção de clássicos do rock não teria futuro algum na visão dos nossos "técnicos".
Só para citar os brasileiros, Renato Russo teria que voltar para suas aulinhas de inglês e Cazuza teria evitado escrever letras que ofendem a burguesia “amiga dos roqueiros”, como “O Tempo Não Para”, “Ideologia” e a própria “Burguesia”. Boa parte do rock brasileiro também teria sua trajetória banida pelos consultores. Que história é essa do Camisa de Vênus, com esse nome horrível, gravar música dos “desconhecidos” Buzzcocks?
Em breve lançarei avaliações de alguns clássicos do rock que, se lançados hoje, seriam duramente criticados pela avaliação “técnica” dos consultores do rock, estes subordinados a critérios formais de uma “cultura rock” patrocinada pela Faria Lima e sua 89 FM A Rádio Rock (feller).

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