Os lulistas estão caprichando nos apelos emotivos da campanha de Lula. O “eterno filho de Dona Lindu” aparece rodeado de populares. É o humilde retirante nordestino que virou líder sindical e, depois de arriscar tantas campanhas presidenciais, venceu e realizou três mandatos que, para seus seguidores, o consagraram não só como um líder popular e político experiente, mas como uma liderança planetária de grande reputação.
Tudo bem que isso seja dito numa campanha presidencial corrente. É direito de Lula trabalhar essa imagem, já que é candidato à reeleição. O problema é que essa campanha já é trabalhada desde o começo do terceiro mandato, que Lula tratou como um trampolim para o quarto.
O terceiro mandato foi marcado por muitas expectativas. Em 2020, se achava que Lula faria um governo audacioso. Haveria a reversão total das maldades do governo Michel Temer e a realização de medidas sociais seria ampliada para impulsionar a emancipação popular que levaria o Brasil ao Primeiro Mundo. Imaginava que a BR Distribuidora seria reestatizada e o Bolsa Família começaria o terceiro mandato com valor superior a R$ 1.500.
Tudo isso ruiu quando o presidente adotou medidas que estavam entre um líder político moderado demais e um fanfarrão que não sabia que reconstrução se faz com seriedade e não com festa.
As medidas foram castiças de tão moderadas. Salário mínimo aumentando só com R$ 90. O “governo do amor” favoreceu “democraticamente” os abusos das elites e a ascensão de uma elite emergente de classe média ou de pobres remediados que foi marcada pelo consumismo obsessivo e pela ganância em acumular bens.
Lula também acabou representando os interesses daqueles que adoram fazer festas barulhentas durante a madrugada do que dos trabalhadores que precisam dormir à noite para trabalhar no dia seguinte.
Apesar das mudanças, muitos persistem em velhas narrativas que mostram um Lula que deixou de existir. Lula vive em função do seu mito, como uma carteirada simbólica, e seu terceiro mandato, marcado pela mediocridade disfarçada de falsa grandeza, precisa ser oficialmente definido como “melhor” por conta do carisma do petista.
Lula é, para seus seguidores, o único com poderes mágicos de fazer o que quer e sair incólume. Ele tem a façanha, para seus fãs e aliados, de errar e transformar erro em acerto. Sua magia é tal que, mesmo com desastres em seu terceiro mandato, como falência de empresas, rombo bilionário e aumento da população de rua, os lulistas creem que seu ídolo vai conquistar a reeleição.
A imagem romantizada de Lula, visto como um semi-deus que pode tudo na vida, é reforçada nos últimos meses por um chapéu do tipo Panamá, que quebra a formalidade do petista entre seus seguidores. O uso era eventual, mas se tornou regular por conta de efeitos do câncer de pele que afetaram sua cabeça.
Lula virou o falso candidato dos excluídos. Pela conduta adotada a partir de 2021, Lula tornou-se diferente do antigo líder popular de antes, que era até moderado além da conta, mas já teve alguma relevância. Hoje Lula virou a mascote da Faria Lima e o poteiro ideal para a burguesia brasileira poder mandar no mundo, com sua Síndrome de Dunning-Kruger.
Lula até virou milionário, declarando um patrimônio de R$ 4,7 milhões, mas oficialmente se recusa a admitir o vínculo com a Faria Lima. Para todo efeito, criam-se outros candidatos para as elites dirigentes do Itaim Bibi. Mas Lula precisa manter seu mito, ele se alimenta pelo que ele foi, não pelo que ele passou a ser.
Pouca gente quer admitir isso. Enquanto muitos, descontando os bolsonaristas, veem Lula como “democrático” quando estabelece alianças com a Faria Lima, o petista precisa ser visto pela forma idealizada do “humilde retirante que conquistou o mundo”, uma visão que vale pelas narrativas oficiais, mas que deixou de ser pelos fatos. Como uma estrela, por sinal símbolo do PT, Lula reflete no imaginário das pessoas como alguém que deixou de ser na atualidade.

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