BELL MARQUES (NA FOTO, DESFILE DO SEU TRIO ELÉTRICO) TEVE PROBLEMAS COM LETRA DE UMA NOVA CANÇÃO, QUE SUGERIA RACISMO.
A grande mídia bem que tenta, mas a verdade é que o Carnaval de Salvador, leia-se "a monocultura da axé-music", sofre um processo silencioso de decadência. Evidentemente, a grande mídia é movida por interesses comerciais, e nunca iria dizer que o Império da Axé-Music está começando a ruir, esse "Império Romano" da música baiana que durante muitos anos impedia a manifestação de outras opções culturais.
Estas só poderiam ter algum espaço se fizerem o papel de coadjuvantes dos astros da axé-music. Se o emepebista baiano quiser ter espaço, tem que agendar um dueto com Ivete Sangalo, por exemplo, senão não toca sequer em festinha de aniversário. O rock, então, nada é se não buscar algum vínculo com Chicletão, seu ex-vocalista Bell Marques ou Asa de Águia.
Algo está mudando em Salvador e a acomodação que hoje atinge níveis extremos no Rio de Janeiro - o "funk", por exemplo, começa a desenhar sua "monocultura" nos moldes da axé-music - está começando a cair na capital baiana. Barões da mídia como Marcos Medrado e Mário Kertèsz começam a ser denunciados por politicagem, prática de jabaculê e conchavos com dirigentes esportivos e latifundiários. Estilos como o "pagodão" são denunciados por apologia ao machismo e ao assédio sexual. Grandes medalhões da axé-music começam a perder popularidade entre os baianos.
Daí que não é surpresa que o mercado dos blocos de Carnaval baiano, conhecido como "mão-de-vaca", que cobrava uma fortuna pelos trajes e pelo ingresso nos cordões, decidiu agora eliminar os cordões de isolamento dos foliões mais ricos. A grande mídia festeja como a "democratização plena" do Carnaval baiano, quando a verdade é que a crise dos blocos - nada a ver com a crise econômica do Brasil da Era Dilma - é que fez com que se abrissem as avenidas para os foliões comuns pularem junto aos pagantes.

PALCO DO ROCK DE SALVADOR - PÚBLICO CRESCENTE.
Alguém mesmo acreditaria que os blocos de Carnaval de Salvador iriam mesmo ter um surto de generosidade e abrir o espaço da folia para todo mundo, depois de anos e anos cobrando caro para ingressar nos cordões que praticamente monopolizavam as avenidas carnavalescas? Só um ingênuo para acreditar nisso, embora a grande mídia tente ver essa falsa generosidade como realista. Mas como a informação é escrava da publicidade. "Sabe nada, inocente" (temos que parafrasear o título de uma música do É O Tchan).
Note-se que nomes como Bell Marques já nem são tão adorados assim. E ele teve um problema com uma música, "Cabelo de Chapinha", que nem é de autoria dele, cuja letra original fazia alusões racistas, e por isso teve que ser refeita. Certa vez, ele reclamou dos baianos e chamou-os de "tabarel" ("matutos").
Aí tem nomes como Pablo do Arrocha, Psirico e tantos outros que não passam de fogo-de-palha. Como É O Tchan, que falam que está voltando a ser um dos grandes de Salvador, mas é apenas um nome destacado de um evento decadente. Um fogo-de-palha que os barões da mídia locais e nacionais tentam manter aceso. Afinal, o Carnaval da axé-music nunca passou de uma "revista Caras" em forma de folia baiana.
Os baianos estão começando a ver a vida além da axé-music. O rock e a MPB autêntica começam a chamar mais atenção e é surpreendente que a Saraiva Mega Store do Salvador Shopping seja mais seletivo nas seleções de DVDs e CDs que tocam no som ambiente do que a filial da mesma rede de lojas no Plaza Shopping, de Niterói, que geralmente está presa num pop chinfrim e em breguices da moda.
O Palco do Rock continua crescendo como evento e se destacando como opção para quem não curte Carnaval. É claro que a maioria das atrações precisa ir além do "feijão com arroz" da cultura rock dos anos 90 e ouvir coisas menos manjadas, mas mesmo assim elas parecem bem intencionadas na sua carreira, e esta sugestão talvez possa ser seguida espontaneamente por seus músicos com o tempo.
A verdade é que a axé-music vive seu crepúsculo e o ciclo da monocultura está se encerrando. Nem a "novidade" como o grupo Vingadoras consegue salvar esse cenário, e sabemos que nomes como Bell Marques e É O Tchan, que tenta desmentir seu machismo devido às dançarinas (?!), já estão passados. Nem o arroz-de-festa Ivete Sangalo é admirado pelos baianos, é mais fácil ela ser "unanimidade" para os internautas reaças dos altos condomínios da Barra da Tijuca.
Os baianos mostram um outro sentido de "botar a cara no sol". A vida começa a ressurgir fora do âmbito da axé-music. É mais fácil os ídolos do Carnaval da Bahia fazerem sucesso no Festival Atlântida, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, do que para a população mais esclarecida da capital baiana.
Se a axé-music parecia estar em alta nos meios de Comunicação, é porque eles operam de acordo com interesses comerciais e, por isso, precisam divulgar o evento como se ele realmente estivesse bem sucedido. Mas não está. Nas rodas de conversas, os baianos reclamam da axé-music e consideram o Carnaval uma festa privativa de famosos e de colunistas sociais. Uma folia para as elites, por mais que tenham sido rompidos os cordões.
A grande mídia bem que tenta, mas a verdade é que o Carnaval de Salvador, leia-se "a monocultura da axé-music", sofre um processo silencioso de decadência. Evidentemente, a grande mídia é movida por interesses comerciais, e nunca iria dizer que o Império da Axé-Music está começando a ruir, esse "Império Romano" da música baiana que durante muitos anos impedia a manifestação de outras opções culturais.
Estas só poderiam ter algum espaço se fizerem o papel de coadjuvantes dos astros da axé-music. Se o emepebista baiano quiser ter espaço, tem que agendar um dueto com Ivete Sangalo, por exemplo, senão não toca sequer em festinha de aniversário. O rock, então, nada é se não buscar algum vínculo com Chicletão, seu ex-vocalista Bell Marques ou Asa de Águia.
Algo está mudando em Salvador e a acomodação que hoje atinge níveis extremos no Rio de Janeiro - o "funk", por exemplo, começa a desenhar sua "monocultura" nos moldes da axé-music - está começando a cair na capital baiana. Barões da mídia como Marcos Medrado e Mário Kertèsz começam a ser denunciados por politicagem, prática de jabaculê e conchavos com dirigentes esportivos e latifundiários. Estilos como o "pagodão" são denunciados por apologia ao machismo e ao assédio sexual. Grandes medalhões da axé-music começam a perder popularidade entre os baianos.
Daí que não é surpresa que o mercado dos blocos de Carnaval baiano, conhecido como "mão-de-vaca", que cobrava uma fortuna pelos trajes e pelo ingresso nos cordões, decidiu agora eliminar os cordões de isolamento dos foliões mais ricos. A grande mídia festeja como a "democratização plena" do Carnaval baiano, quando a verdade é que a crise dos blocos - nada a ver com a crise econômica do Brasil da Era Dilma - é que fez com que se abrissem as avenidas para os foliões comuns pularem junto aos pagantes.

PALCO DO ROCK DE SALVADOR - PÚBLICO CRESCENTE.
Alguém mesmo acreditaria que os blocos de Carnaval de Salvador iriam mesmo ter um surto de generosidade e abrir o espaço da folia para todo mundo, depois de anos e anos cobrando caro para ingressar nos cordões que praticamente monopolizavam as avenidas carnavalescas? Só um ingênuo para acreditar nisso, embora a grande mídia tente ver essa falsa generosidade como realista. Mas como a informação é escrava da publicidade. "Sabe nada, inocente" (temos que parafrasear o título de uma música do É O Tchan).
Note-se que nomes como Bell Marques já nem são tão adorados assim. E ele teve um problema com uma música, "Cabelo de Chapinha", que nem é de autoria dele, cuja letra original fazia alusões racistas, e por isso teve que ser refeita. Certa vez, ele reclamou dos baianos e chamou-os de "tabarel" ("matutos").
Aí tem nomes como Pablo do Arrocha, Psirico e tantos outros que não passam de fogo-de-palha. Como É O Tchan, que falam que está voltando a ser um dos grandes de Salvador, mas é apenas um nome destacado de um evento decadente. Um fogo-de-palha que os barões da mídia locais e nacionais tentam manter aceso. Afinal, o Carnaval da axé-music nunca passou de uma "revista Caras" em forma de folia baiana.
Os baianos estão começando a ver a vida além da axé-music. O rock e a MPB autêntica começam a chamar mais atenção e é surpreendente que a Saraiva Mega Store do Salvador Shopping seja mais seletivo nas seleções de DVDs e CDs que tocam no som ambiente do que a filial da mesma rede de lojas no Plaza Shopping, de Niterói, que geralmente está presa num pop chinfrim e em breguices da moda.
O Palco do Rock continua crescendo como evento e se destacando como opção para quem não curte Carnaval. É claro que a maioria das atrações precisa ir além do "feijão com arroz" da cultura rock dos anos 90 e ouvir coisas menos manjadas, mas mesmo assim elas parecem bem intencionadas na sua carreira, e esta sugestão talvez possa ser seguida espontaneamente por seus músicos com o tempo.
A verdade é que a axé-music vive seu crepúsculo e o ciclo da monocultura está se encerrando. Nem a "novidade" como o grupo Vingadoras consegue salvar esse cenário, e sabemos que nomes como Bell Marques e É O Tchan, que tenta desmentir seu machismo devido às dançarinas (?!), já estão passados. Nem o arroz-de-festa Ivete Sangalo é admirado pelos baianos, é mais fácil ela ser "unanimidade" para os internautas reaças dos altos condomínios da Barra da Tijuca.
Os baianos mostram um outro sentido de "botar a cara no sol". A vida começa a ressurgir fora do âmbito da axé-music. É mais fácil os ídolos do Carnaval da Bahia fazerem sucesso no Festival Atlântida, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, do que para a população mais esclarecida da capital baiana.
Se a axé-music parecia estar em alta nos meios de Comunicação, é porque eles operam de acordo com interesses comerciais e, por isso, precisam divulgar o evento como se ele realmente estivesse bem sucedido. Mas não está. Nas rodas de conversas, os baianos reclamam da axé-music e consideram o Carnaval uma festa privativa de famosos e de colunistas sociais. Uma folia para as elites, por mais que tenham sido rompidos os cordões.
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