A realização do Super Bowl, torneio de futebol americano realizado nos EUA, pouco se destacou, neste ano, pelo evento esportivo em si. Também as atrações dos intervalos, geralmente esquetes publicitárias com vários famosos, estiveram em segundo plano na edição do último domingo.
Quem se destacou na ocasião foi um rapper que faz um som com influências latinas, chamado Bad Bunny, que virou o hype da vez, não porque sua música medíocre se tornou o sucesso do momento, mas por conta de um discurso de caráter identitário que havia feito em prol dos latinos que vivem nos EUA, principalmente de Porto Rico, país de origem do intérprete e que vive a situação desgraçada de ser uma colônia da nação estadunidense.
Querendo evocar a América não só como o país que comanda o continente americano mas o próprio continente em si, Bad Bunny disse “Somos todos América”. Famosos ligados às causas woke ficaram extasiados e postaram imagens ou o som dos sucessos do ídolo. Por outro lado, o presidente Donald Trump achou o evento “extremamente terrível”.
O que ocorreu foi que Bad Bunny pegou carona na agenda de imigração do governo Trump, expôs uma opinião pessoal e, de repente, passou a ser erroneamente tido como "cantor de protesto" por conta disso, fazendo com que muita gente passasse a ouvir as terríveis canções do rapper.
Bad Bunny, cujo estilo alterna entre arremedos de salsa com hip hop e canções comuns de trap, representa um fenômeno que tenta gourmetizar o pop comercial, dando a ele um falso engajamento sociopolítico. A mediocridade musical torna-se mascarada e a reputação do ídolo é justificada por factoides de âmbito identitarista.
O caso lembra um pouco o fenômeno recente de João Gomes, ídolo do piseiro que o mercado tentou empurrar para a MPB sob o pretexto de representar a “saudade” da “simplicidade da cultura de raiz nordestina”. É uma associação falsa, feita para atrair um público mais seletivo, buscando vincular Gomes ao falso resgate das raízes nordestinas, através de covers tendenciosos de canções antigas de baião.
Neste sentido, pesa também o identitarismo para reforçar o hype dos dois ídolos do comercialismo musical. A latinidade explorada pelo portorriquenho Bad Bunny e a nordestinidade, pelo pernambucano João Gomes, são apenas jogadas de marketing de um mercado de música comercial que vende gato por lebre, com falsas canções de protesto e músicas falsamente confessionais.
No Brasil, chegou-se ao ridículo de tratar sucessos comerciais infanto-juvenis como se fossem “canções de protesto”, a ponto de Xuxa Meneghel , que nunca foi uma cantora de verdade e nem compositora, ser vista como se fosse a “Joan Baez brasileira “.
Saudades dos tempos em que o pop juvenil comercial só convidava a dançar, namorar e curtir a noite. Era tolo, superficial e vazio, mas era mil vezes mais honesto e musicalmente mais elaborado do que os sucessos dos últimos 15 anos com letras “confessionais” e “engajadas”. Hoje as músicas são ruins mas cheias de pretensiosismo, e os ídolos podem ter grande destaque hoje, mas depois cairão no esquecimento.

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