A decadência do lulismo se dá quando o lado rival principal, o bolsonarismo, não se sentiu intimidado nem derrotado em um só segundo. Ter que atirar as mentiras bolsonaristas de que tido o que eles odeiam é socialismo ou comunismo é dose.
Nem tudo que não é Lula é fascismo e nem tudo que não é Bolsonaro é comunismo. Se fizermos um conjunto de interseção, veremos uma coisa louca, com a direita “neutra” chamada de “fascista” e “comunista” dependendo do ponto de vista. Uma pequenina ação social de Donald Trump, por exemplo, o faria ser visto como um “leninista” pelos bolsonaristas.
Mas vamos ao Lula, que nega que tenha perdido as esperanças na reeleição depois do caso Jorge Messias. Supostas pesquisas de opinião animam os lulistas falando de uma “recuperação da popularidade” em levantamento divulgado anteontem.
Lula se repete nos apelos, no triunfalismo. Seus opositores se repetem chamando o petista de “ladrão”, algo tão vago que só arranca risadas dos lulistas. Não são críticas objetivas, mas xingações baratas, que não contribuem na compreensão real dos erros reais de Lula.
Temos que bater na mesma tecla, já que as narrativas oficiais dos dois lados ideológicos estão cegas em relação à realidade dos fatos. O governo Lula tornou-se medíocre por querer a festa antes do trabalho, sem a disposição gestora do primeiro mandato.
O que se vê é um presidente que buscou a consagração pessoal antes do trabalho. No primeiro ano, viagens, no segundo, discursos, e o trabalho acumulado se deu nos últimos dois anos, sob a pressão da baixa popularidade.
Mas o que marcou negativamente Lula para aqueles que observam os fatos e fogem do vício de convicções, sejam elas negativas ou positivas em relação ao petista, foi que ele só resolveu arrumar a casa em última hora.
Imagine uma casa devastada e bagunçada, que precisa de reparos e de muita limpeza. Lula preferiu fazer uma festa de churrasco de picanha em vez de arrumar a casa. Daí um clima de fanfarronice que poucos conseguem questionar de forma adequada, pois, quando alguém questiona, é sempre naquele discurso viciado do "luladrão" dos bolsonaristas.
Também assusta o triunfalismo de Lula, que renega a competição com os outros candidatos presidenciais, se impondo como "a democracia de um homem só", dizendo que "não vai perder para a concorrência". Isso contradiz a democracia e a imagem de um candidato competitivo, pois, neste caso, Lula se define como autocrata e impositivo, por mais que se venda também como o "mais progressista".
E devemos também levar em conta o caráter eleitoreiro, pois Lula custou a trabalhar pelo país e só começou a se mexer quando a popularidade em queda ameaçava sua reeleição. Daí que ele teve que fazer em última hora o que era obrigação sua de fazer no começo do terceiro mandato.
O Brasil continua um país bagunçado. E fica ainda mais bagunçado porque um político tem a ânsia de se ostentar pelo mundo e vender o nosso país como "desenvolvido" sem que as estruturas sociais deterioradas, vigentes desde o golpe de 1964 e pioradas ao longo do tempo, fossem removidas no seu todo.
Lula é o candidato do sonho. Flávio Bolsonaro e, por associação, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, são candidatos do pesadelo. Falta agora um candidato que possa devolver nosso país à realidade.
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