LULA QUER TUDO DE TUDO E VISA A CONSAGRAÇÃO PESSOAL, E ISSO É MUITO PERIGOSO.
Antes de fazermos nossas análises, devemos lembrar que as críticas feitas ao Lula não seguem o prisma bolsonarista com seus clichês “contra a roubalheira”. As críticas aqui seguem um tom de objetividade e é por isso que o negacionista factual prefere as narrativas do bolsonarismo, que são fáceis de desmontar. As nossas críticas são mais complexas e realistas, daí que o negacionista factual, o “isentão democrático”, prefere, neste caso, promover o boicote a textos como os nossos.
Dito isso, vejo mais com apreensão do que com esperança as promessas de Lula para a sua reeleição. Ele promete tudo de tudo, como em 2022. Faz pouco, como se viu no terceiro mandato, mas diz que fez mais do que foi feito. E hoje ele parece mais ambicioso do que há quatro anos, sem falar que em 2022 ele prometeu reconstrução apostando num inadequado clima de festa.
Há um narcisismo enrustido em Lula, que faz promessas mirabolantes. Ele promete botar o Brasil no Primeiro Mundo, algo comparável a dar o diploma de Doutorado para uma criança de doze anos de idade. O excesso de ambição dele preocupa, pois a “democracia” que ele propõe não é mais do que uma autocracia com pitadas de paternalismo.
O povo pobre fica desconfiado. Os pobres não querem um político que promete tudo e tudo. Querem um político que realize prometendo menos e cumprindo mais. Lula acaba se desgastando por ser um falastrão e soa risível ver que o presidente quer “informar” ao povo as “inúmeras e fantásticas realizações” que o povo não sentiu. E, lembremos, o povo seria o primeiro a perceber os efeitos dessas medidas, se elas tivessem ocorrido.
Sou de esquerda, mas não quero a reeleição de Lula porque ele colocaria o povo numa zona de conforto. Estará o presidente agindo e ninguém vai reivindicar nem desejar coisa alguma, porque, em tese, Lula “sabe o que o povo quer”. Até os erros de Lula são vistos como “acertos” pelos seus seguidores. Os debates, que deveriam ser públicos, só ficarão entre os “especialistas”.
Por uma questão estratégica, defendo que uma terceira via, de direita moderada, governe o Brasil. Parece estranha uma postura dessas vinda de alguém de esquerda. Mas isso é necessário no contexto de um país refém da luta entre a fantasia e o pesadelo da polarização entre lulistas e bolsonaristas.
Paciência. O Brasil passou por retrocessos profundos desde 1964. Esses retrocessos acabaram virando o “novo normal”, aceito até durante a Era Lula. Muitos entulhos culturais da ditadura militar são alvo de nostalgia e as esquerdas caem na armadilha, vide os “brinquedos culturais”.
Se muitos dos “heróis” brasileiros são personalidades musicais, esportivas e religiosas em evidência na Era Geisel, então as pessoas ainda se apegam a esse atraso e, o que é pior, se calam, omissas, quando são criticadas, sem abrir mão dessa idolatria equivocada.
De que adianta o Brasil ser uma das dez maiores economias do mundo se culturalmente anda bastante deteriorado? Além do mais, essa narrativa é igual à do “milagre brasileiro”, assim como os “recordes históricos de emprego”, ao revelarem a predominância do trabalho precário, repetem a narrativa do governo Michel Temer.
A grandiloquência de Lula preocupa porque criará no povo brasileiro uma acomodação. Os salários nem aumentaram de forma expressiva, como os preços também não baixaram de maneira efetiva. Talvez com um governante de centro-direita, o povo possa voltar às ruas, de preferência sem o clima da micareta woke.
Lula quer demais para si. Ele quer ser o centro do mundo. O Lulocentrismo e a Lulocracia preocupam, deixando a “democracia” nas mãos de um único homem. Neste sentido, pelo menos um medíocre governo de centro-direita poderia fazer os brasileiros pensarem mais na vida, com os pés no chão para andar em vez de voar nas nuvens do lulismo. Entre o sonho e o pesadelo, fiquemos com a realidade.
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