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O DEDO PODRE DO VOTO CARIOCA E A INGENUIDADE DAS ESQUERDAS MÉDIAS

EDUARDO PAES, NA INAUGURAÇÃO DO PARQUE MADUREIRA, "PRAIA" FEITA PARA TIRAR A POPULAÇÃO POBRE DA ZONA SUL E DA ORLA DA ZONA OESTE.

Causa muita preocupação o favoritismo de Eduardo Paes para o governo do Estado do Rio de Janeiro. Príncipe carioca da elite empresarial da Faria Lima e "amigo de infância" de Luciano Huck, o ex-prefeito carioca, agora concorrendo ao Executivo estadual, está enganando as esquerdas médias que, no embalo da burguesia ilustrada, quer votar no político achando que ele é um "líder popular libertador".

Eduardo Paes é um político de direita. Isso é fato. Mas ele, com sua esperteza que não desperta desconfianças por evitar a cosmética da raiva, sabe usar o marketing político de maneira habilidosa. Tem o mesmo apelo de atrair o público jovem de seu "irmão" Huck, adotando os mesmos apelos discursivos. Mas é no pseudo-esquerdismo que Paes adota sua maior armadilha para atrair o eleitorado de esquerda no Estado do Rio de Janeiro.

Paes é do mesmo partido do ruralista Ronaldo Caiado, o PSD. A raiz política de Paes vem do PSDB e foi apadrinhado político de um César Maia desligado da esquerda. Foi um sub-prefeito da Barra da Tijuca que, na primeira campanha ao governo estadual fluminense, ele chegou a passar pano nas milícias em 2006.

Não se trata de invenção nossa. Isso se deu numa entrevista para o RJ TV 2ª Edição, telejornal local de grande audiência da Rede Globo. Na época, Paes elogiou a "polícia mineira", nome do qual eram conhecidas as atuais milícias, por "oferecer tranquilidade" para o povo carioca. Disse ele:

"Você tem áreas em que o estado perdeu a soberania por completo. A gente precisa recuperar essa soberania. Eu vou dar um exemplo, pois as pessoas sempre perguntam como recuperar essa soberania. Jacarepaguá é um bairro que a tal da polícia mineira, formada por policiais e bombeiros, trouxe tranqüilidade para a população. O Morro São José Operário era um dos mais violentos desse estado e agora é um dos mais tranqüilos. O Morro do Sapê, ali em Curicica. Ou seja, com ação, com inteligência, você tem como fazer com que o estado retome a soberania nessas áreas".

Hoje Paes alega ter avaliado essa posição, mas uma matéria do jornalista Ítalo Nogueira para a Folha de São Paulo aponta um encontro supostamente promovido por milicianos que reuniu o então prefeito, a deputada Lucinha, também do PSD, e motoristas de van, em setembro de 2021. 

A deputada queria negociar regras para o transporte alternativo que favoreceriam grupos milicianos na Zona Oeste carioca. Esta denúncia se baseou em gravações encontradas no celular de um chefe da milícia carioca e que foram investigadas pela Polícia Federal, que, aparentemente, poupou Paes. Estranhamente, todavia, é a mesma zona que Paes deu como partida para seu "baile de máscaras" dos ônibus padronizados.

Outro problema de Paes é que o político carioca sempre agiu em prol da exclusão imobiliária da população carente, favorecendo a especulação imobiliária e a grilagem de terras, aumentando a pobreza e favorecendo a violência e a formação de grupos criminosos diante do vácuo da proteção do poder público em favor dos mais pobres.

E se Eduardo Paes hoje representa um virtual contraponto político ao bolsonarismo, devemos lembrar que foi o prefeito carioca que, ao promover a pintura padronizada nos ônibus, favoreceu a ascensão de setores da busologia do Grande Rio, que viam no projeto de sistema de ônibus implantado por Paes em 2009 e relançado no fim do ano passado, um trampolim para cargos políticos.

Os busólogos que apoiaram Eduardo Paes, já entre 2010 e 2013, manifestavam sua preferência política por Jair Bolsonaro, pai do hoje presidenciável Flávio Bolsonaro. Um deles, de uma cidade da Baixada Fluminense, queria se ascender com ofensas e agressões a vários busólogos, se julgando "dono" do hobby no Estado do Rio de Janeiro, se comportando como se fosse o "Jair Bolsonaro da busologia".

Esse projeto implantava no Rio de Janeiro métodos autoritários de exploração profissional dos rodoviários. A figura do cobrador de ônibus era extinta, promovendo demissões em massa. A função do motorista era marcada pela sobrecarga profissional, com o cumprimento rigoroso do horário em ruas marcadas pelos congestionamentos intensos, forçando os ônibus a correr em alta velocidade para evitar atrasos e as consequentes multas.

Com os motoristas também obrigados a cobrar passagens, a sobrecarga ainda se agrava, o que fez ocorrer vários acidentes de ônibus, com vários feridos e mortos. Um dos acidentes envolveu um ônibus da Paranapuan, que caiu de um viaduto, o Brigadeiro Trompowsky, em Bonsucesso em abril de 2013, causando sete mortos.

Houve também o projeto de diminuição das frotas de ônibus em circulação e o fim da ligação Zona Norte-Zona Sul, obrigando os passageiros a fazer baldeação e enfrentar ônibus superlotados e aumentar o prazo de espera de um ônibus. Durante a espera de um ônibus em Jacarepaguá, uma passageira foi vítima de assalto.

Com o objetivo de promover o separatismo entre os cariocas suburbanos e os da Zona Sul, Eduardo Paes inaugurou o Parque Madureira, um misto de piscinão com bosque, como iniciativa para tirar a população pobre das praias da orla carioca. O projeto já começava mal, abrindo às nove horas da manhã, horário que os dermatologistas recomendam como encerramento da exposição ao Sol, para evitar doenças de pele.

O ano era 2015 e Eduardo Paes demonstrava o que realmente queria, que é fazer do Rio de Janeiro um paraíso das elites. Dá para ver o caráter esquizofrênico da burguesia ilustrada carioca, que se diz "de esquerda" e finge gostar de pobre ao apreciar ritmos bastardos como o "funk" e o "pagode romântico", que tratam o povo pobre de maneira caricatural.

Essa burguesia de chapéu panamense e chinelos Havaianas acredita que Paes fará um governo libertário, com medidas de inclusão social e melhorias para o desenvolvimento do Rio de Janeiro. As esquerdas médias, principalmente ligadas à chamada mídia alternativa, acreditam que Paes, só por acenar apoio condicional ao governo Lula, seria um "esquerdista nato".

Grande engano. Não existe feijoada grátis no Rio de Janeiro e Paes apenas acena o apoio a Lula porque sabe que o petista é generoso em verbas federais. O Rio de Janeiro, mesmo decadente - já perdendo para São Paulo no quesito de eventos culturais - , ainda é sede de eventos diversos, como foi a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Um novo evento olímpico está para ser realizado nas cidades do Rio de Janeiro e de Niterói.

Ou seja, Eduardo Paes não é mais do que um gerente de parque de diversões. Não é um político de esquerda, mas de direita, um lobo direitista vestido em pele de cordeiro vermelho de esquerda. Portanto, não espere dele um libertador do povo pobre, um "Juscelino Kubitschek dos pobres". Eduardo Paes apenas fará um governo neoliberal com um apelo pop que será confundido com esquerdismo democrático, mas que só serve para enganar turistas. Quanta ingenuidade das esquerdas médias em apostar as fichas neste político.

E a burguesia ilustrada do Estado do Rio de Janeiro e seus apoiadores de classe média compõem a base eleitoral do ex-prefeito carioca, que não contará com o apoio das classes populares, mas, quando muito, apenas do "pobre de novela". 

E o desejo da "boa" sociedade do Grande Rio, os cariocas e os vassalos situados nas cidades vizinhas - sobretudo Niterói, hoje resignada em ser o "quintal" da ex-Cidade Maravilhosa - , lembra mais o desejo dos eleitores da primeira campanha presidencial de Donald Trump, nos EUA: "fazer a América grande de novo". Os cariocas querem eleger Paes achando que ele "fará o Rio de Janeiro grande novamente".

O povo pobre continuará sofrendo infortúnios nas favelas e no abandono das ruas, pouco importando se o governador foi Cláudio Castro ou será Eduardo Paes. A vitória de Eduardo Paes não garantirá o fim dessa violência, que continuará ocorrendo porque é um projeto das elites, diferente do governante de plantão, em "higienizar" o Rio de Janeiro, favorecendo uma elite sorridente e festiva que finge ser progressista, solidária e "tudo de bom", mas não passa de uma aristocracia ávida por privilégios e poder.

Desse modo, há o dedo podre do voto carioca que elegerá os políticos que prometem milagres, mas depois serão denunciados por esquemas de corrupção. E Eduardo Paes hoje é a "salvação da lavoura", mas contra ele já existem escândalos de corrupção, inclusive com empreiteiras e com o risco de "vorcarização" do sistema de ônibus, através das alianças políticas com o grupo Comporte, da família Constantino. Será mais um a promover a salvação e deixar o Rio de Janeiro na sua ruína.

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