OS MINISTROS DO STF ANDRÉ MENDONÇA E ALEXANDRE DE MORAES.
As denúncias do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, contra seu colega de toga Alexandre de Moraes geraram um escândalo sem precedentes no Judiciário brasileiro. O próprio Mendonça também começa a ser investigado por favorecimento no tratamento a políticos, como o senador do PP do Piauí, Ciro Nogueira, além de tentar conduzir as investigações para atingir o presidente do Senado e do Congresso Nacional, David Alcolumbre (União-AP).
A briga judicial irá mostrar novos episódios, enquanto o caso do Banco Master mostra o envolvimento de Daniel Vorcaro com Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, que teria pedido ajuda ao banqueiro para destravar um negócio ligado a ativos de minério do ex-assessor de gabinete do deputado, Thiago Rodrigues de Faria.
Do lado lulista, há o fato do PT não ter pedido antes a CPI do Banco Master. Também pesa as acusações de que a vitória política de Lula foi negociada com o STF e que Alexandre de Moraes, visto como “anjo da guarda” jurídico de Lula, foi nomeado por Michel Temer, um dos envolvidos do golpe de 2016 contra Dilma Rousseff, o que fez o petista demorar para defender medidas como o fim da escala 6x1 no trabalho.
Lula divulgou um vídeo nas redes sociais dizendo, sem citar nomes, que o Caso Master é o “pior roubo da história do Brasil” e afirmou que é “fundamental que se investigue todo mundo sem blindagem de ninguém, doa a quem doer, o povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”.
Lula se encontrou ontem com o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para tentar resolver a crise do Poder Judiciário. Fala-se da necessidade de reforma do Judiciário para evitar tamanhos abusos. Fachin, por sua vez, decidiu retirar a investigação de André Mendonça do inquérito das fake news cujo relator havia sido Moraes.
A crise causada pelos casos Alexandre de Moraes e André Mendonça refletem também na polarização. Embora as pressões dos escândalos políticos recentes procurem ser maiores contra André Mendonça, Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, entre outros, o lulismo se desgasta com as associações com Alexandre de Moraes e a blindagem em torno deste.
Há o risco de Lula utilizar a crise para obter mais vantagens políticas e usar o Judiciário e os episódios relacionados para vencer na marra as eleições, mais uma vez bancando o “dono” da democracia. Mas a oposição a Lula, que ultrapassou as barreiras do bolsonarismo, sabem dos acordos que o STF fez para tirar o petista da prisão, o que fez o terceiro mandato ser a grande decepção da História recente da nossa República.
Espera-se, portanto, que a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro nesses incidentes se desgaste a ponto de fazerem emergir novas opções para governar nosso país, fazendo a realidade vencer o sonho e o pesadelo.

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