LULA EM CLIMA DE "JÁ GANHOU".
O governo Lula, no seu terceiro mandato, foi sem sombra de dúvida o mais decepcionante de todos os mandatos do petista. Foi o mais ambicioso, mas foi o mais desastrado, apesar de certas narrativas dizerem o contrário, como no fã-clube informal do Brasil 247.
A narrativa no entanto que deve prevalecer é a do povo pobre, revoltado com Lula, o qual as classes populares acusam de ser traidor. Pouco importam os antigos mitos e o carisma que Lula acumulou com o tempo, tudo ruiu como um castelo de areia tragado por um simples movimento suave da água do mar.
Lula governou apenas para sua bolha de apoiadores, a burguesia ilustrada que inclui, em seu seio, os “pobres de novela”, que têm certa prosperidade. Mas os outros pobres, os da vida real, se desiludiram com Lula, que não esconde mais seu desprezo com os verdadeiros excluídos sociais.
Na entrevista ao canal de podicaste Flow, Lula repetiu o comentário no discurso em Porto Alegre: “Se não tem carne, come ovo, se não tem ovo, come salada”. A impotência do presidente em combater os preços caros contrasta com o mito do “leão cujo grito ecoa por todo o planeta”, pois ele não se empenha em resolver os problemas internos.
Os lulistas, na sua ignorância, achavam que o tarifaço de Donald Trump era um assunto de economia interna do Brasil, quando é um assunto externo. E isso abafou o “tarifaço à brasileira” dos juros altos da dívida pública, que afetou os preços e os custos de forma a fazer quebrar empresas, desempregar multidões, esvaziar a cesta básica e multiplicar inadimplentes, o que fez os pobres praticamente romperem com Lula.
Se achando o “dono” da democracia, ele não quis comparecer aos debates presidenciais porque, entre outros motivos, estava o de não querer enfrentar os chamados “nanicos”. Não queria discutir ideias e o que foi feito com Ciro Gomes em 2022 foi de uma grosseria gritante.
É assustador que Lula, mesmo tendo feito um governo ruim, ache certo de que irá vencer as eleições, atropelando até a rejeição popular. Eu não imaginava essa prepotência de Lula, que acha que quer e pode tudo, a ponto de querer vencer as eleições na marra.
Já apoiei Lula e cheguei a admirá-lo. Me comovi quando ele se despediu de seus seguidores antes de ir para a prisão. Ouvi as entrevistas que Lula deu enquanto esteve preso e gostei. Mas quando vi que Lula mudou e virou um fanfarrão irresponsável, passei a me opor a ele, ao ver que ele queria festejar a si mesmo em vez de reconstruir de verdade o Brasil.
Ver que Lula quer ser o imperador do mundo me constrange. Ver que ele só quer a democracia para si me envergonha. Em vez de ajudar o povo pobre em busca de comida variada que custa caro, o presidente pede para trocar o prato. Uma expressão de puro desdém de Lula com o povo pobre da vida real.
E Lula se comporta como alguém que trai o outro mas exige fidelidade dele. Ele acha que pode atrair o apoio da burguesia e do povo pobre sem problemas. Mas não dá para acender uma vela para os dois lados. E quem levou a pior foram as classes populares, que se sentiram traídas e decepcionadas com Lula. O presidente vai ter que se contentar com as alta burguesia, a burguesia ilustrada, os “pobres de novela” e a comunidade woke para ser reeleito. Como líder popular, Lula morreu e não volta mais.

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