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O RECUO DAS MUDANÇAS NOS LIVROS DIDÁTICOS E OUTRAS CRISES BOLSONARIANAS


Depois da má repercussão da promoção do filho do vice-presidente, general Antônio Hamilton Mourão, que tem o mesmo nome, no Banco do Brasil, o governo Jair Bolsonaro mostra que não tem realmente compromisso com o novo.

Fez dois recuos vendo que a sociedade não recebe bem duas propostas retrógradas, fazendo com que o "mito" agisse como Michel Temer.

O presidente do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Francisco Nascimento, revogou os memorandos que iriam suspender os processos de reforma agrária no Brasil.

Ele suspendeu a determinação, que seria enviada a todos os setores técnicos e superintendências do órgão em todo o Brasil porque foi feita sem a anuência de sua direção.

Bolsonaro havia recuado, antes, em relação à sua decisão de oferecer a base espacial de Alcântara, no Maranhão, para o governo dos EUA.

Os generais brasileiros não gostaram da oferta, que praticamente transformaria a base maranhense num pedaço do território estadunidense.

Bem ou mal, pelo menos as Forças Armadas procuram manter um mínimo de soberania nacional, mas não se sabe até que ponto.

Bolsonaro também recuou do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), depois de anunciar a medida. Ele foi lembrado por seus pares que havia prometido não aumentar impostos.

Agora o novo recuo envolve o ministro da Educação, o discípulo de Olavo de Carvalho, Ricardo Veléz Rodriguez.

As mudanças apontavam aspectos estranhos.

Permitiria a publicação de anúncios de propaganda nos livros didáticos, mas não haveria necessidade de incluir referências bibliográficas.

Os temas não poderiam se voltar para a diversidade social e étnica, e as obras poderiam conter apenas imagens de pessoas brancas.

O recuo se deu porque, no caso da não exigência das referências bibliográficas, se permitia que os livros pudessem ser publicados com erros de informação.

Apesar desse recuo, o Ministério da Educação do governo Bolsonaro manteve uma agenda bastante conservadora, na nova versão do edital, que substituiu o anterior.

O edital anterior, segundo o governo, teria sido bolado ainda no governo de Michel Temer.

No novo edital, pautas ultraconservadoras vetaram a inclusão de pautas como informar sobre a violência contra a mulher, sobre a realidade dos quilombolas e dos camponeses.

Ricardo Veléz Rodriguez já extinguiu uma secretaria que trataria de diversidade, direitos humanos, relações étnico-raciais e comunidade LGBTT.

Eduardo Bolsonaro, filho do presidente e deputado federal por São Paulo, escreveu no Twitter que as escolas não deveriam ensinar sobre feminismo.

Recentemente, ele voltou a discutir com a ex-namorada, Patrícia Lélis, à qual ele chegou a fazer ameaças de morte, em mensagens publicadas no celular.

Enquanto isso, o próprio presidente tem anulado um processo da Advocacia-Geral da União movido pela superintendência do IBAMA por pesca irregular em Angra dos Reis, em 2012.

A alegação foi que o processo não concedeu a Bolsonaro ampla defesa e contraditório, e, com isso, o processo voltou à estaca zero, aguardando novo julgamento.

Enquanto isso, o Brasil segue à deriva.

O governo Jair Bolsonaro, até agora, não lançou uma medida que possa, realmente, trazer esperança para a população.

E isso apesar de setores conservadores da sociedade falarem que "desejam que o atual governo possa dar muito certo".

Grande exagero esboçar qualquer otimismo. Quando muito, espera-se, que, ao menos, o Brasil fique na mesma situação do governo Michel Temer.

A perspectiva mais otimista é que o governo Bolsonaro se torne "menos ruim" do que o prometido.

Não devemos ficar sonhando em nuvens de trovoada.

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