CONTRADIÇÃO - NO ESPIRITISMO BRASILEIRO, OS ADEPTOS IDOSOS SE DIZEM PROTEGIDOS POR "ENERGIAS ELEVADAS", MAS SUA RAIVA EXPLODE NA MENOR CONTRARIEDADE.
O que se observou na sociedade brasileira é que o Espiritismo brasileiro tornou-se uma “religião de velhos”. Apesar do disfarce de “futurista” e, na fachada, apresentasse uma roupagem “nova”, o Espiritismo brasileiro não conseguia esconder que era somente uma forma repaginada do velho Catolicismo punitivista da Idade Média.
As energias maléficas por conta de seu obscurantismo fraudulento - é evidente, por exemplo, o caráter fake das ditas “psicografias” - fazia com que a religião “espírita” protegesse os velhos matasse os jovens, contradizendo sua posição de “novo” na religiosidade do nosso país.
O maior ídolo dessa crença foi um “médium” de Minas Gerais que era desonesto e ultraconservador. Contra ele há acusações de promover literatura fake e espetáculos de falsa materialização, além da defesa radical e inflexível da ditadura militar manifesta rm um programa de estrondosa audiência..
O dito “lápis de Deus”tornou-se pretenso símbolo de “paz e solidariedade” por conta de uma narrativa mentirosa plantada pela ditadura militar brasileira sob inspiração do católico ultraconservador Malcolm Muggeridge, jornalista britânico colaborador da CIA, que montou uma narrativa enganosa para promover a megera Madre Teresa de Calcutá (curiosamente, uma cosplei da vilã Bruxa do Mar das estórias do Popeye).
Não havia um contraponto forte na mídia para desfazer esse "médium" de Uberaba, esse precursor de “João de Deus” que qualquer desenho do Scooby-Doo poderia desmascarar com facilidade. Até tivemos jornalistas empenhados. Léo Gilson Ribeiro disse uma ironia sobre a farsa das “psicografias”: “O espírito sobe, o talento desce”. E José Hamilton Ribeiro (sem parentesco com o outro), mais tarde repórter do Globo Rural, desmascarou o “médium da peruca “ pedindo uma “psicografia” de um homem que nunca existiu. O pedido foi atendido, o que demonstra a farsa das psicografakes.
Apesar de tanta desonestidade, era hábito das famílias consideradas de boa conduta blindarem o “médium da peruca”, cuja narrativa de “espírito de luz”, mesmo plantada pelo sensacionalismo midiático (mídia policialesca e fofoqueira), sobretudo através do modismo fútil das “cartas mediúnicas”, que despertavam sentimentos obsessivos e de ansiedade e causavam até brigas familiares, a defesa do religioso pelos mais velhos durante décadas se valeu pela aparente condição de respeitabilidade de pais e mães e avôs e avós.
Era surreal. O charlatão de Uberaba se deixava valer da reputação de respeito dos genitores para se tornar ídolo destes, se promovendo como um falso cristo e falso profeta, explorando de forma traiçoeira as fraquezas emocionais e as tradições religiosas dos mais velhos, desenvolvendo neles um fanatismo religioso perigosamente irresponsável.
E o surrealismo continuava quando os adeptos do “médium da peruca” discutiam com filhos e netos. Julgando-se dotados de “energias elevadas”, eram os mais velhos, os que seguiam o “médium”, que mais se irritavam, brigando com seus descendentes e até sentindo mal estar.
Durante anos o Brasil, apegado a um moralismo religioso ferrenho, que intimidava contratações, ignorava que essa devoção ao “médium da peruca” era e continua sendo bastante tóxica, dotada de sentimentos de apego e obsessão bastante doentios. Havia a sensação de mansidão e felicidade, quando tudo estava de acordo, mas quando havia uma postura mais adversa, os mesmos que se diziam protegidos pelas “vibrações do Alto” se explodiram em raivas descomunais, reagindo de maneira ríspida contra os filhos e netos que não seguiam a mesma devoção.
Durante muito tempo, valores ligados à hierarquia familiar ajudaram a blindar o “médium da peruca”, também protegido pelas diretrizes do AI-5 da ditadura. Enquanto isso, a fachada “ecumênica”, o verniz de humildade, as promessas de justiça social e o misticismo exótico do Espiritismo brasileiro fizeram com que se vendesse a religião para o outro lado do espectro social.
Daí que o “médium da peruca”, mesmo retrógrado e antiquado, pôde também enganar fãs de rock clássico, ateus, atrizes sensuais e esquerdistas. Era a propaganda enganosa de um mistificador em busca de unanimidade, mesmo com suas ideias claramente ultraconservadoras. Como um ídolo religioso pôde enganar muita gente por muito, muito tempo…
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