NO BRASIL DE HOJE, OS JOVENS ACEITAM QUALQUER MEDIOCRIDADE COMO SE FOSSE GENIAL.
Temos, no Brasil da atualidade, um quadro de cultura musical deteriorado. Isso não é conversa de tiozão ressentido. Esta constatação é feita aqui de forma ponderada, sem o “uso do fígado”, mas analisando os problemas a respeito da cultura musical apreciada pelos jovens brasileiros.
Aqui estamos bem longe de dizer que o som mais antigo é melhor. Na verdade, melhor foi o pano de fundo que permitiu que as expressões musicais dos anos 1960 ao começo dos anos 1990 se florescessem. Infelizmente, essas condições não existem hoje e a mediocridade hoje ganhou tanto espaço que o hábito lhe atribui a falsa reputação de genial.
Num país como o nosso, onde uma classe de privilegiados vive um clima de narcisismo muito perigoso, a realidade sociocultural deteriorada se torn preocupante quando esse cenário ameaça se impor como modelo de sociedade para o mundo. O terceiro mandato medíocre de Lula, grandioso na embalagem e desastrado no conteúdo, sinaliza esse risco de, no quarto mandato, um país devastado se venda como pretensa referência para o resto do planeta.
A longa influência dos meios de comunicação, controlados por oligarquias empresariais e, às vezes, políticas, latifundiárias e até religiosas, criou um cenário sociocultural brasileiro que degradou ao longo de 60 anos. Tudo parece natural e espontâneo na vida das pessoas, mas se trata de condicionamentos psicológicos do tempo da ditadura militar que criaram zonas de conforto na população brasileira.
Na MPB, fico estarrecido com a falsa renovação que envolve nomes diversos, como Liniker, Anavitória, Tiago Iorc, Melim, Jão, Rubel, Jota.pê, Os Garotin e Marina Sena, para não dizer Emicida e Criolo ou os acolhimentos pela “alta cultura” de nomes popularescos como Pabblo Vittar, Péricles e João Gomes. E não se fala de nomes mais antigos do brega-popularesco, que são beneficiados pela nostalgia fabricada da gourmetização.
As gerações recentes aceitam tudo com uma naturalidade preocupante. Tudo bem que essas músicas são a trilha sonora dos momentos presentes, mas supervalorizar isso como se fosse uma revolução sociocultural é um erro, se percebermos que, na sociedade hipermidiatizada e hipermercantil em que vivemos, a dita “renovação da MPB” não é mais do que um pop comercial um pouquinho mais arrojado.
Só que o grande problema é que nossa mídia venal, a partir dos anos 1990, através de uma “panelinha” de críticos musicais influentes, tratava a mediocridade como se fosse a “salvação do planeta”. E aí os mais jovens, que não viveram para conhecer nomes musicalmente mais relevantes - e foram induzidos a acreditar que o medíocre Guns N'Roses, por exemplo, é a maior maravilha do mundo - , ficam acreditando que os nomes medianos mais recentes, só por parecerem “agradáveis” ou “divertidos”, soam mais geniais do que realmente são.
Para piorar, somos considerados “caretas” ou “ressentidos” se arriscarmos a criticar esses “gênios” de proveta. Mas,vendo com muita atenção, os nomes atuais são culturalmente confusos, não por falta de informações musicais, mas pela incapacidade de absorvê-las e traduzir em algo mais relevante.
Essas gerações, com um sistema educacional deficitário, com sistemas familiares irregulares, com um mercado e uma mídia vorazes, é claro que tudo isso resultou num cenário cultural confuso. E constatar isso não é reacionarismo, mas realismo.

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