Sabemos que a Record TV é propriedade da Igreja Universal do Reino de Deus e, portanto, é veículo de pregação dos valores de Edir Macedo, um dos maiores líderes neopentecostais do Brasil. As seitas neopentecostais se tornaram o paradigma do obscurantismo religioso oficial.
No entanto, engana-se a sociedade quando acredita que o obscurantismo religioso se limita a essas seitas evangélicas. O Espiritismo brasileiro se torna outra seita obscurantista que, embora sob o disfarce de “ecumenismo racional e futurista”, não é mais do que uma reciclagem do velho Catolicismo medieval - que vigorou no período colonial brasileiro - , só que com nova fachada institucional e nova identidade jurídica.
O Catolicismo medieval redivivo, que leva o rótulo de “kardecismo” que não se observa na prática, está sendo blindado por três grandes grupos de mídia: Globo, Folha e Abril. Outros grupos midiáticos eventualmente pegam carona, mas são as três corporações que comandam a empreitada de apoiar a fé obscurantista baseada na Teologia do Sofrimento.
Depois que a Veja lançou matérias “científicas” sobre o “médium” de Uberaba, incluindo tese da UFJF publicada na revista Explore, periódico de baixo fator de impacto no meio científico, e do apoio da Folha de São Paulo à religião, agora é a Rede Globo que quer inserir os valores piegas do Espiritismo em filmes e novelas.
Num contexto em que a novela A Viagem ganhou reputação pseudocult até a esotérica Márcia Sensitiva dá seus pitacos a respeito dessa religião, a Rede Globo resolveu inserir a temática “espíritas” de forma “descompromissada” em duas novelas, Por Você e Quem Ama Cuida.
Teorias distorcidas sobre a vida após a morte serão trabalhadas nas duas tramas, sendo que em Quem Ama Cuida fica mais explícito, com as menções da dita “doutrina espírita” e seu “médium da peruca”. Tudo tentando parecer didático, mas se tornando piegas e totalmente deturpado, num tempo em que quase não há estudos sérios e rigorosos sobre vida espiritual.
Essas inserções tendenciosas, que seguem a lógica da Teologia do Domínio - corrente que, na religião, permite a prática de proselitismo fora dos seus ambientes específicos - , apenas servem para a mídia venal concorrer com a Record TV no âmbito da pregação religiosa.
Assim como as seitas neopentecostais, o Espiritismo brasileiro se utiliza muito da Teologia do Domínio, só que de maneira bem mais dissimulada. Em dados momentos, finge não ser uma religião, mas uma ”filosofia”. Usa elementos copiados das crenças orientais e investe em pseudociência para enganar e convencer os incautos que essa religião é um “reduto de vida inteligente” na religiosidade brasileira.
E tudo isso é feito para promover um charlatão religioso, que fez fraudes literárias e de materialização, apoiou a ditadura militar mais do que qualquer reacionário e que só a burguesia ilustrada vê como “símbolo de amor ao próximo”. Protegido da Faria Lima, da mídia empresarial e dos latifundiários do Triângulo Mineiro, o dito “lápis de Deus” é o único caso de mistificador da fé que muitos lutam para não ser desmascarado, apesar das denúncias cada vez mais crescentes contra ele.
Desse modo, Globo, Folha de São Paulo e Abril se empenham nessa campanha para manter de pé o obscurantismo religioso, enquanto dramalhões “sobrenaturais” são produzidos no cinema para exercer lavagem cerebral naqueles que se julgam inteligentes, até serem ludibriados pelo mistificador de Uberaba. Aí se vê o quanto muita gente tem inteligência debilitada e facilmente vulnerável aos assédios da fé.

Comentários
Postar um comentário