O Congresso Nacional aprovou a lei que encerra a escala 6x1 no trabalho, um dos principais legados do governo Michel Temer. A medida também prevê que a jornada máxima de trabalho não seja superior a 40 horas semanais, garantindo o descanso dos empregados.
Nas votações de anteontem no Senado, 75 deputados votaram pelo fim e apenas um pela manutenção da jornada de seis dias. Outros cinco não votaram, incluindo o presidente da casa legislativa, David Alcolumbre (União-AP), não pode votar em razão deste cargo.
O único a discordar da PEC de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) foi o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que ficou decepcionado com a falta de apoio ao seu voto, apesar de saber que a orientação do partido Republicanos era contrária à escala 6x1.
“Eu tinha a esperança de que, pelo menos uns 10, 12, estivessem comigo nessa votação. Alguns tinham o compromisso específico de votar a favor do projeto. Mas outros, não. Não precisavam”, disse Mourão em entrevista à Rádio Gaúcha.
Sim, encerrar a escala 6x1 no trabalho é uma grande conquista social, mas o oportunismo de Lula fez ele resgatar a causa a tempo de se apropriar dela para sua campanha da reeleição. Só que Lula ficou indiferente durante a primeira metade do governo, na qual ele pouco se dedicou, e só tardiamente ele virou o “autor” de uma proposta alheia.
Em todo caso, o fim da escala 6x1 foi positivo, mas é necessário melhorar a política salarial, pois até quem era contra a jornada de seis dias de trabalho acaba aderindo a ela em busca de mais renda por horas extras.
Por outro lado, os dias de folga não podem virar privilégio de quem só pensa em festa, e isso é preocupante diante do risco de, com a vitória de Lula, o Brasil se transforme no parque de diversões mundial.
Os dias de folga não devem servir apenas de gancho para o entretenimento compulsivo. Devemos pensar o descanso como antes, um momento para as pessoas se dedicarem, seja para arrumar a casa ou passear, seja para dormir mais tarde ou visitar familiares.
O fim da escala 6x1 deve ser algo além de ideologias, de hedonismos baratos que pensam, por exemplo, que ninguém dorme durante as noites nos fins de semana. Longe da festa lulista e do moralismo bolsonarista, o fim da escala 6x1 no trabalho deveria ser a celebração da vida e a reflexão sobre a qualidade de vida da população.
Encerrar a jornada de seis dias é um passo. Devemos agora pensar no fim do trabalho 100% comissionado, das relações tóxicas dos ambientes profissionais e dos critérios discriminatórios de admissão de emprego, quando o prestígio e a visibilidade valem mais do que o talento.
Se o Brasil fosse menos parque de diversões e descesse do pedestal planetário, as chances de fazermos um país mais digno seriam mais certas e efetivas.

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