NOMES IMPORTANTES DO PT E PARTIDOS ALIADOS NÃO CONQUISTARAM VAGA PARA O LEGISLATIVO NAS ELEIÇÕES DESTE ANO.
A tese de que as esquerdas brasileiras obtiveram um protagonismo postiço na política em 2023, renegada pelos lulistas e pelos negacionistas factuais nas redes sociais, se confirmou com as derrotas eleitorais para o Legislativo.
Figuras históricas do PT como José Dirceu, Rui Falcão, Benedita da Silva e Gleisi Hoffmann, além de aliados de outros partidos, perderam as eleições para o Legislativo, no último dia 04 de outubro, e isso nos faz pensar sobre o que as esquerdas médias definem como “excelente fase” para o lulismo.
A derrota se deu porque as esquerdas não só perderam o espírito de luta de momentos antes, manifestos até durante o governo Michel Temer. Elas foram derrotadas porque adotaram, seguindo o próprio presidente Lula, uma posição complacente com parte do maligno legado do mesmo Temer, apoiando setores flexíveis do golpismo de 2016 dos quais o lulismo dependeu para garantir vitória eleitoral, vantagens políticas e governabilidade.
Um sintoma disso foi a mudança de orientação quanto à nefasta reforma trabalhista de Temer, combatida pelos petistas no Congresso Nacional, com o respaldo de Roberto Requião, do qual os lulistas se tornaram ingratos, por ter sido do partido do governo em 2016 e 2017, mas que votou com a oposição naquela época.
Depois de 2022, os petistas, incluindo o próprio presidente Lula, desprezaram Requião, logo quando ele se filiou ao PT e o paranaense ficou decepcionado, saindo do partido para ir ao PDT. Lula estava numa fase em que ignorava os afins e buscava apoio enfático de forças divergentes, em claro erro político.
Lula decidiu defender a tese de defender não a ruptura da reforma trabalhista de Temer, mas a “revisão”, como se o presidente pudesse aproveitar algo “positivo” no pacote de retrocessos promovido pelo temeroso governante.
Hoje associam Lula à campanha pelo fim da escala 6x1 no trabalho, mas ele levou tempo para defender a causa. Embora contra essa jornada, Lula ficou indiferente e chegou a entregar o problema para a “discussão equilibrada” entre empresários e trabalhadores, ficando fora da questão e só aderindo a ela por motivos eleitorais.
O lulismo reconquistou espaços políticos que foram emprestados pela direita moderada. Aproveitou brechas de setores flexíveis do governo Temer e seus aliados, incluindo o STF aparelhado pelo temeroso presidente. É ilustrativo o apadrinhamento político de Alexandre de Moraes a Lula.
Isso fez as esquerdas aliviarem seu projeto político. Houve negociação, sim, é inútil Lula bradar que não negociou para ser libertado da prisão em Curitiba. A realidade é que houve acordo, sim, e a bravura que os lulistas ensaiaram durante o governo Temer de repente desapareceu.
As esquerdas apenas criaram uma fachada mais “substancial” ao demonstrarem contraponto do bolsonarismo. Os lulistas apenas compensaram a suavização de seu projeto político, ao reduzir as pautas sociais e trabalhistas ao mínimo denominador comum tolerado pelos neoliberais.
Resolveram, portanto, rechear seu ideário de pautas identitárias e Lula passou a explorar sua imagem de modo espetacular, como um astro pop. Com isso e com os simulacros de ações e a grandiloquência da política externa, Lula deixa de ser um gestor e disfarça seu governo medíocre com falsa grandeza, de forma a poucos crerem que o presidente brasileiro se vendeu para as classes dominantes.
E assim vemos o faz-de-conta político que Lula, como mito, se tornou, permitindo que, mesmo com o desastroso terceiro mandato, ele ter chances virtuais para ser reeleito. Só num país surreal como o Brasil.

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