Dando continuidade às análises sobre os clássicos do rock se eles fossem lançados hoje, vamos mostrar um clássico do Pink Floyd, “Another Brick In the Wall - Part 2”, de 1979. Com a reação dos negacionistas factuais que acham que rock tem que ser “puro negócio” e que consultoria não rejeita músicos audaciosos. Esquecem que uma coisa é a teoria permitir tudo, outra coisa é a prática fazer várias restrições.
Não concordo com as posturas manifestas nas simulações de avaliações dos consultores de rock brasileiros, mas é necessário colocar essas visões, para verificar como é essa mentalidade “empresarial demais” prejudica a cultura rock, mesmo com toda aquela narrativa de “viabilidade econômica” que não convence sequer uma lesma.
Vamos a nossa análise:
“Prezado Roger,
Eu reconheço seu esforço de compositor e músico de rock, que é indiscutível, mas vejo que às vezes você adota posturas que trazem algum incômodo.
Nem digo sobre aquela canção do passado, “Interestelar Overdrive”, que você e seus amigos, incluindo aquele esquisitão Syd Barrett, fizeram, uma barbaridade sem pé nem cabeça que nem como versão editada dá para tocar em rádio. Aquilo é uma coisa entediante, mas dá para aceitar, desde que fique lá guardada como faixa pulável daquele primeiro LP.
O problema está nessa canção chamada ‘Another Brick In the Wall’, a que você colocou como segunda parte. Tudo bem, o formato da canção até satisfaz, na versão editada para rádio, embora seja impossível tocar até o final sem o locutor cortar falando em cima. Mas isso é outra história.
O que me incomoda não é ‘Another Brick’ ter um arranjo de disco music. Nessa época um monte de artista de rock gravou música com sonoridade disco, até Kiss e Rolling Stones. Aí dá para entender.
O grande problema está no tema. Que história é essa de tratar a Educação como uma lavagem cerebral, Roger? A gente lida com um mercado que precisa ter lucro. Temos amigos que são donos de colégios particulares, com faculdades privadas, eles investem muito dinheiro, não dá para você adotar uma postura dessas.
Se você não gosta da forma como o ensino particular trata os alunos, por que não cria um tema mais positivo, do tipo “precisamos de um ensino mais humanizado”, falando que nossa Educação, no setor privado, precisa olhar para o respeito humano, uma solicitação sem críticas pesadas? Me faça o favor, Roger!
Sabemos que a letra dessa canção é muito pesada para nosso equilíbrio social, já que o rock que defendemos tem que zelar sempre pela paz e nunca pelo conflito. Além disso, você, Roger, deve evitar falar sobre Israel, Palestina e Oriente Médio. Isso cria problemas, meu amigo.
Você não é membro de conselho algum da ONU, da OTAN, da OPEP ou coisa parecida. Você é um músico de rock e precisa falar de coisas mais amenas, de saudades de Syd, de reflexões abstratas sobre a vida, de amor, rodovias e linhas de trem.
A gente fala nisso para o seu bem, Roger. Afinal, do jeito que você se comporta não vai fazer sucesso, só vai gritar para o deserto. Vê se ameniza as críticas, cria algo mais positivo e construtivo, em vez de jogar os tais “tijolos” contra os nossos esforçados investidores do ensino privado, dedicados a preparar futuros profissionais e cidadãos.
Pense nisso, amigo Roger. Tenha juízo”.

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