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PÂNICO DA BAND E O MACHISMO RECREATIVO


Recentemente, o Pânico na Band, o programa da TV Bandeirantes com o mesmo Pânico da Jovem Pan FM, criou um novo quadro com suas paniquetes.

Esse quadro é o "churrsaquini", na qual as assistentes de palco usariam uma lingerie de carne bovina que seria devorada por moradores de rua.

Não é o primeiro quadro no qual as paniquetes são expostas a apelos tão sensacionalistas, grotescos e humilhantes.

Neste caso, todavia, a coisa foi longe demais. É a consagração da mulher como "carne de rua", dentro dos padrões do que se considera "machismo recreativo".

O machismo recreativo não se refere ao domínio da mulher como "escrava do lar", mas como "brinquedo sexual" do homem.

Comerciais de cerveja, programas humorísticos e o "funk" se tornaram redutos desse machismo recreativo de mulheres siliconadas, com piercing e, agora, também com tatuagem.

É um mercado voraz em que a cosmética, a ginástica, as plásticas e o erotismo compulsivo promoviam a imagem negativa da mulher, sobretudo a solteira.

Era uma forma do establishment midiático dizer que não vale a pena a mulher ser emancipada e independente.

Essa lamentável ideologia parodia o feminismo através da cosmética de plásticas, silicones e tatuagens enormes e do erotismo desenfreado.

A imagem da mulher solteira é promovida pejorativamente.

A solteira é uma "vagabunda" que só curte noitada, mostra demais o corpo e se oferece como um objeto sexual ou como potencial pretendente nas boates.

Atualmente, uma funqueira "feminista" anda forçando a barra demais com o papo de "estou solteira", "procuro um gatinho" ou "cadê meu príncipe encantado?".

Ela mexe os glúteos para os olhos da plateia, mas se diz "feminista séria".

Cortejada pelas "esquerdas médias", no entanto não recusa a aparecer num programa como o The Noite, de um Danilo Gentili, símbolo dos piores preconceitos sociais no Brasil.

Com o desgaste de muitas siliconadas, a funqueira tornou-se uma das últimas a parodiar a imagem da mulher solteira, às vezes "solteira e feliz", às vezes "carente e à procura de um amor".

Ela força tanto a barra com esse papo de "solteira" que muitos até duvidam se essa solteirice não é um jogo de cena de uma personagem e se ela não seria uma mulher casada na vida real.

Muitas pessoas, mesmo de esquerda, não compreendem isso e às vezes consideram "feministas" essas musas plastificadas.

Apostam num irreal maniqueísmo entre a "bela, recatada e do lar" e a "diva que mostra demais".

Como se a mulher, no machismo, fosse tão somente aquela que vive no lar e é personificada pelos comerciais de produtos de limpeza.

No entanto, a "diva que mostra demais" e fala em "direito ao sexo" e "liberdade do corpo" também segue o machismo.

Ela reflete a simbologia do objeto sexual, do recreio fantasioso de machões afoitos.

Os debates a respeito disso tiveram que ocorrer fora da mídia progressista que, na sua boa-fé, via "feminismo" na erotização desenfreada de certas musas "populares demais".

E o desgaste ocorreu de tal forma que o portal Ego, das Organizações Globo, que era vitrine dessas mulheres, teve que ser extinto.

Recentemente, até o apresentador Fausto Silva comemorou o fim do Ego, que havia se tornado uma "pedra no sapato" da Globo.

Chega um momento em que a recreação machista das mulheres siliconadas começa a cansar.

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