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O JUDICIÁRIO TORNOU-SE UM "BALANÇA MAS NÃO CAI"


Denúncias nos bastidores da Operação Lava Jato soaram como terremotos agitando a plutocracia.

A mídia alternativa revelou que os dados do esquema de propinas da Odebrecht oficialmente divulgados são, na verdade, defasados e parciais.

Os dados atuais estariam guardados num programa chamado mywebday, sob responsabilidade do setor de Tecnologia da Informação (TI) da empreiteira baiana.

Os dados incluiriam o envolvimento de políticos plutocráticos (como os "tucanos", do PSDB) e até de membros do Judiciário no esquema de pagamento de propinas.

Outra revelação é que estaria havendo uma colaboração ilegal da Lava Jato com autoridades estadunidenses, fato que é abafado pela mídia hegemônica amiga aos magistrados e policiais envolvidos nesta operação.

Isso sem falar do escândalo dos auxílios-moradia e dos salários exorbitantes dos juízes como Sérgio Moro e Marcelo Bretas e dos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), de Porto Alegre.

Mesmo assim, tais revelações, ao repercutirem na Internet, deixam assustados os membros do consórcio conservador da política, da mídia e da Justiça.

Mas esse "tremor de terra" não significa que as forças progressistas poderão ver uma luz no fim do túnel.

No Supremo Tribunal Federal, seus ministros atuam para banir o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva da corrida presidencial deste ano.

Primeiro, a presidente do STF, ministra Carmen Lúcia, disse que a hipótese de rever a condenação em segunda instância iria "apequenar" o Supremo.

Segundo, o ministro do órgão, Alexandre de Moraes, afirmou que deveria ser aplicada imediatamente a prisão de condenados em segunda instância.

Terceiro, o também ministro do órgão e agora presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Fux, que substitui o antecessor Gilmar Mendes, disse que vai rever dispositivo da Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135, de 18/05/1990) que permite liberar "fichas-suja" para concorrer a eleições.

Os três não conseguem esconder sua torcida em ver Lula fora da corrida eleitoral em 2018.

A situação anda muito delicada para a política brasileira e os protagonistas do golpe político de 2016, assim como seus coadjuvantes, não querem largar o osso.

Eles estão surtando, seus escândalos estão sendo revelados e vários deles estão brigando uns com os outros.

Mas, mesmo assim, acham que vieram para ficar.

A tendência da campanha eleitoral de 2018, no caso das eleições do Legislativo, também pode ser sombria: a consolidação da tendência conservadora de 2014, que ajudou no golpe de 2016.

No caso da Lei de Ficha Limpa, o que Luiz Fux propõe é que a brecha para campanha eleitoral fosse cancelada na revisão do respectivo item.

O que isso significa? Significa que o ex-presidente Lula, como foi condenado em segunda instância pelo TRF-4, é considerado "ficha suja".

Os critérios para tal condenação foram duvidosos, mas foi um Tribunal de Exceção e, portanto, vale o que foi decidido, pela pressão das circunstâncias, ainda que injustas e parciais.

O que significa que, pelo raciocínio de Fux, Lula terá que ser considerado inelegível.

Os conservadores farão festa e, provavelmente, para Luciano Huck, será "loucura, loucura, loucura".

Lula ainda ganhou um reforço no seu campo de defesa. Sepúlveda Pertence passa a defender Lula nos processos que se voltarão contra o ex-presidente.

Cristiano Zanin e sua esposa Valeska permanecem na equipe. Zanin possui alta competência técnica, mas Sepúlveda tem mais visibilidade, experiência e, como ministro aposentado do STF, possui melhor reputação no Judiciário.

Todavia, será uma luta difícil, porque a plutocracia não age por ética ou competência técnica.

A plutocracia despreza até o mundo, olhando para o próprio umbigo.

As perspectivas para o Brasil estão sombrias. Lula, em tese, ainda tem até agosto para poder competir nas eleições deste ano, mas a pressão contra ele será intensa.

Lula tem as leis e o povo a seu favor. Mas a plutocracia tem dinheiro e o apoio dos EUA.

E quem garante, também, que os algoritmos, os "robôs" das redes digitais, não elegerão o seu candidato para a Presidência da República? Vivemos um quadro louco, mesmo. Loucura, loucura, loucura.

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