
A mídia alternativa, como o portal Nocaute e o jornalista Joaquim de Oliveira, do Diário do Centro do Mundo, fazem um grave alerta.
A Polícia Federal, estranhamente, prorrogou por mais 15 dias, contados de ontem, 20 de setembro, as investigações sobre o atentado ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, à Presidência da República.
O titular da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais, Estado onde se situa o local do atentado, Juiz de Fora, delegado Rodrigo Morais, disse que perícias ainda estão sendo feitas no material colhido na casa do acusado, Adélio Bispo de Oliveira.
Um laptop, outro computador, quatro aparelhos celulares e outros documentos foram apreendidos da casa de Adélio, o jovem que tentou matar Jair com uma facada. Atualmente, o candidato está internado e em processo progressivo de recuperação de saúde.
O dado estranho é que o prazo se encerrará no próximo dia 05 de outubro, dois dias antes das votações de primeiro turno para presidente da República.
A mídia se lembrou, então, do caso do sequestro do empresário Abílio Diniz, atualmente envolvido com o projeto Renova BR, que reúne políticos de tendência neoliberal "não-extremistas".
O sequestro foi atribuído ao Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR, na sigla em espanhol), que envolvia vários países sul-americanos.
Foi em 11 de dezembro de 1989 e o evento "atravessou" o debate final dos candidatos Fernando Collor e Luís Inácio Lula da Silva, pela Rede Globo de Televisão.
O debate ocorreu no dia 14 e o sequestro terminou no dia 16, véspera das votações.
Em seguida, criaram-se factoides entre os quais um que atribuía ao Partido dos Trabalhadores o envolvimento no sequestro do empresário.
A campanha foi bombardeada de tal forma que fez Lula, favorito para ganhar as eleições, fosse derrotado.
Há um dado estranho nas investigações sobre o caso da facada em Jair Bolsonaro.
O criminoso acabou preso, o caso poderia ser facilmente resolvido em poucos dias, podendo ter havido um desfecho há dias.
Mas, aparentemente, a polícia alega que tem "mais desdobramentos", mais material, possíveis outros envolvidos etc etc etc.
O próprio fato de Adélio ser considerado "lobo solitário" é controverso, porque há polêmica tanto sobre a hipótese dele ter agido sozinho como ele ter agido sob a ajuda de alguém.
E ainda tem dados aparentemente insólitos: Adélio é de Montes Claros, também em Minas Gerais, mas ia para São José, na Grande Florianópolis, treinar tiro ao alvo em centros de treinamento cujos sócios são justamente filhos de Jair Bolsonaro.
Apesar desses aspectos estranhos, prolongar até o dia 05 de outubro é estranho.
Há um receio de que poderão ser plantadas falsas pistas incriminando o Partido dos Trabalhadores.
A mídia simpatizante da extrema-direita já está pressionando para esse factoide que pode botar a campanha de Fernando Haddad a perder.
Ultimamente, Jair Bolsonaro está com a candidatura em crise.
Nas estranhas pesquisas eleitorais, ele aumenta a rejeição sem perder o suposto favoritismo.
Isso é uma loucura, porque desde criança eu sabia da lógica da gangorra: quem está no lado de cima, não pode estar no lado de baixo. Não existe rejeição e aceitação ao mesmo tempo altas.
A rejeição a Bolsonaro o faz, em termos lógicos, ser tratado como se fosse o quinto colocado nas pesquisas, mas ele supostamente continua líder.
Enquanto isso, Bolsonaro briga, nos bastidores, com o vice, general Antônio Hamilton Mourão, pelas besteiras que ele falou, como atribuir como "desajustado social" a pessoas que são criadas vivendo apenas com a mãe ou com a avó.
E brigou com o economista, "posto Ipiranga" e jabazeiro de campanha, o Chicago boy Paulo Guedes, porque ele quis recriar a CPMF, enquanto o "mito", agora apelidado jocosamente de "coiso", quer apenas redução de impostos.
Paulo Guedes chegou a cancelar dois compromissos profissionais, nos quais faria palestras sobre seus planos de Economia para o virtual governo Bolsonaro.
Mas o grande perigo é que o filho de Jair, Flávio Bolsonaro, é também favorito na corrida para o Senado.
Ele é favorito, vejam só, juntamente com César Maia, do DEM (com Eduardo Paes candidato ao governo fluminense), que, condenado por improbidade administrativa, teve os direitos políticos suspensos.
Isso é surreal. Lula tem os direitos políticos preservados e está proibido de concorrer à Presidência da República. César Maia, com direitos suspensos, pode se candidatar ao Senado, ser eleito e entrar em exercício do poder.
Mas o perigo maior é Flávio, que lançará, como senador, propostas maléficas, criando um lobby que a gente vê no Judiciário e já ocorre no Legislativo conservador.
Ele entrará com pautas ultraconservadoras que podem passar fácil, fácil pelo apoio de colegas solidários, mesmo não ligados à extrema-direita.
Se Jair não vencer as eleições, ele poderá encontrar consolação nas manobras legislativas do filho. E isso será igualmente um horror.
E essa dobradinha Flávio Bolsonaro / César Maia, num Rio de Janeiro que oficialmente apresenta um "favoritismo" de até 37% a Jair Bolsonaro, mostra mais uma "canoa furada" na qual os cariocas teimam em desembarcar.
É o pragmatismo viciado dos cariocas, que mais uma vez se mete em outra roubada, tudo por supostas melhorias imediatas.
Não bastou o apoio a rádios pseudo-roqueiras, clones da Jovem Pan FM que tocam algum rock pesado no lugar do pop dançante, como apelo sensacionalista.
Não bastou o apoio aos ônibus padronizados, mesmices visuais sem funcionalidade para o transporte coletivo, mas dotados do apelo sensacionalista de veículos de configuração avançada (articulados e com chassis de marcas suecas).
Não bastou o apoio ao "funk" e o falso vanguardismo do "mau gosto" e das periferias caricatas, às mulheres-objetos e o pragmatismo "erótico" dos corpos volumosos, e a mesmice dos flashbacks estrangeiros que evocam um saudosismo que ninguém consegue explicar.
E agora eles querem um presidente associado à farda, em mais um apelo pragmático-sensacionalista: retrocessos sociais, econômicos e políticos em nome do apelo pitoresco do governo militarista, mais uma causa furada que fará os cariocas afundarem mais uma vez.
Eles elegeram Eduardo Cunha, que impulsionou o golpe de 2016, e lá estava Jair Bolsonaro, também eleito deputado federal, posando ao lado do dono do "Jesus.Com".
Hoje Cunha é hostilizado por aqueles que o elegeram, mas eles agora entraram na aventura de querer o fascista Jair presidindo o país.
O Rio de Janeiro decaiu muito embarcando em canoas furadas. E, em muitos casos, como o golpe político de 2016, os cariocas botaram o Brasil todo a perder. Daqui a pouco vão trocar o título de Cidade Maravilhosa por Cidade Calamitosa. A não ser que os cariocas caiam na real...
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