
Muito enérgico quando se trata de Lula, o Supremo Tribunal Federal é suave com Jair Bolsonaro.
Bolsonaro ensina criancinha a fazer pose de atirador e tem o caminho livre.
Tem até Paulo Guedes sacando do seu bolso (olha o trocadilho) para pagar os institutos de pesquisa a segurarem o mito nos artificiais 20 e tantos por cento que anabolizam o favoritismo fake do candidato do PSL.
Afinal, Paulo Guedes não só é o "posto Ipiranga" do Jair (e do Flávio, por associação), como também é o jabazeiro de campanha.
Ele dá gorjeta até para os valentões da Internet e sua "multidão de fakes" escreverem comentários, em quantidade "industrial", a favor do "mito".
São sempre as mesmas bobagens: "É bom já ir se acostumando: Bolsonaro presidente". "Bolsonaro mete medo", "Não tem outro, Bolsonaro 17" e por aí vai.
Mas também tem gente legal escrevendo a favor do "mito", sob ameaça de ser o astro do próximo blogue difamatório que for criado na Internet.
É o Voto de Cabresto, voltando no colo do candidato do PSL. Uma espécie de reboot versão UFC da antiga manipulação do coronelismo da República Velha.
Vamos ao STF. Pois o ministro Alexandre de Moraes, numa aparente traição ao padrinho Geraldo Alckmin, de quem foi secretário estadual de Justiça, liberou o caminho para o "mito", que, mesmo de maneira artificial, anda fazendo o inferno astral do "santo".
Vale lembrar que é certo que Geraldo Alckmin é "picolé de chuchu" e Marina Silva parece "insossa" para o eleitor médio, mas não há um motivo lógico que faça Bolsonaro estar acima dos dois.
Até pelos vínculos de Bolsonaro com Michel Temer, afirmados por Paulo Guedes com toda a clareza e, agora, reafirmados por Alexandre de Moraes.
O STF julgava uma declaração que Bolsonaro deu no Clube Hebraica, no ano passado, contra os quilombolas.
"O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais", disse Bolsonaro, com seu cinismo grosseiro.
O julgamento que ocorreu hoje, com o voto pendente de Moraes, havia terminado em empate, com Luís Roberto Barroso e Rosa Weber sinalizando a favor da denúncia, e Luiz Fux e Marco Aurélio Mello sinalizando contra.
Moraes seguiu Mello e Fux, que entenderam o comentário como "infeliz", mas "de acordo com os critérios de liberdade de expressão".
"Por mais grosseiras, por mais vulgares, por mais desrespeitosas, as declarações foram dadas no contexto de crítica política a políticas governamentais", afirmou Moraes.
O ministro do STF acrescentou que as falas de Jair Bolsonaro "não caracterizaram, por pior que tenham sido, a incitação à violência física e psicológica, ou apoio a violência física e psicológica a negros, a quilombolas, a estrangeiros".
O advogado de defesa do "mito" na ocasião, Antônio Pitombo, também disse que o discurso de Bolsonaro é "horrível", mas o defendeu usando a mesma desculpa.
"Não é que o discurso é bonito, não é que todos nós devemos aderir positivamente ao discurso, não é este o ponto, o que não se pode eliminar é o direito de expressão de opinião, goste-se ou não", disse Pitombo.
A alegação era que Bolsonaro estava "criticando políticas governamentais públicas".
Doce, doce vida. E muitos devem achar "fofo" Jair segurando uma menina no colo e ensinando ela a fazer o gesto do tiro.
Enquanto isso, hoje é o dia em que, no Chile, se lembra do dramático golpe militar de 1973, que derrubou o governo progressista de Salvador Allende.
Há 45 anos, o guru do guru de Jair Bolsonaro, o general Augusto Pinochet - lembremos, Paulo Guedes trabalhou para o ditador - , assumiu o poder, pegando pesado durante 17 anos.
Aqui, temos o risco de o golpe político de 2016 se consagrar pelo aparato do voto popular.
Fico assustado com o fenômeno Bolsonaro, que, apesar de ser fake, pode arrombar as portas do bom senso.
Daí o Voto de Cabresto. Daí a arrogância dos bolsomínions que, em massa, mandam mensagens dizendo que "o mito vem aí".
Confesso que eu não imaginava que o Brasil chegasse a essa tragédia eleitoral. Espero que algo possa reverter isso, antes que seja tarde.
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