Fenômeno surgido pelo governo Michel Temer, o “jornalismo de escritório” expulsou jornalistas experientes para dar lugar a uma imprensa asséptica, sonhada pelos barões da mídia nos tempos do Ai-5. Uma imprensa que não precisa ser censurada porque seus donos e chefes de redação davam o tom de uma linha editorial conivente e conveniente com o sistema.
O jornalismo de escritório é assim chamado porque a visão de mundo acaba caindo nas mãos de um conselho editorial e seus juízos de valor. É a “caverna de Platão” em forma de imprensa, com suas “sombras” factuais sendo moldadas e descritas por jornalistas a partir de pautas que refletem não uma forma de interpretar o mundo, mas de refletir um sistema de valores dos quais o jornalismo de escritório é seu porta-voz maior.
Com a escassez de profissionais com vivência real nas reportagens, uns porque já faleceram, outros porque for demitidos, o jornalismo se converteu num mundo paralelo montado pelos conselhos editoriais, dos quais a realidade não é distorcida em todo, mas é interpretada de forma tendenciosa e, de preferência, acrítica.
E aí vemos levantamentos como as cidades com melhor cultura, baixo custo e boa qualidade de vida, ou qual a geração nascida e tal década que é ou não mais submissa. Tudo isso para compensar, com certa leveza, o jornalismo que parece ainda estar preso à Era Geisel, como quase tudo do sistema de valores hoje, que atinge até setores das esquerdas no nosso país.
E aí vemos um hábito estúpido que parece, à primeira vista, “muito inteligente”. É a mania de jogar frases de “lições de vida” para dar uma de bom caráter e amigo da sabedoria. Só que esse costume acaba produzindo uma grande gororoba, uma mistura de alhos com bugalhos. É a “filosofia de preguiçosos”, que nem sempre transmite a
As frases podem partir de filósofos e intelectuais renomados como podem vir bobagens ditas por famosos, empresários e obscurantistas religiosos. Vide as frases do “médium da peruca”, que de “lindas” não têm um til sequer, e que falam geralmente das “maravilhas” de sofrer calado as piores desgraças em troca de um “lugar no céu”. E muita gente acreditando que o Espiritismo brasileiro é uma doutrina moderna, sábia e motivadora. Triste.
Num país que deveria superar sua ignorância crônica, em vez das pessoas “recortarem” frases para enfeitar seus memes, deveriam ler mais e melhor os livros, evitando publicações fúteis e de obscurantismo religioso. Se querem filosofia, que leiam livros de Filosofia. Mas, infelizmente, a própria mídia estimula essa picotada de frases que nada acrescentam de relevante no ramo do Conhecimento.
O jornalismo de escritório, que pelo jeito precisa injetar perfume o tempo todo para afastar o cheiro de mofo tóxico de seus ambientes. Um fedor que remete há mais de 50 anos.

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