A mentalidade voltada ao lucro imediato faz o empresariado ignorar responsabilidades técnicas. Numa época em que a fabricante de produtos de limpeza Ypê deixou que um lote de detergentes seja contaminado por bactérias, a privatizada SABESP, empresa de saneamento de São Paulo, deixou que um vazamento ocorrido de uma tubulação de gás causasse uma explosão que matou uma pessoa e destruiu 46 casas, prejudicando 160 pessoas, no bairro do Jaguaré, Zona Oeste da capital paulista.
Abrindo parênteses para o caso Ypê, uma inspeção feita por técnicos da ANVISA identificou a presença da bactéria pseudomonas aeruginosa, que provoca infecções graves e até pneumonia hospitalar. Detergentes e outros produtos da marca, como Tixan (do qual cheguei a comprar quando morava em Niterói) e Atol, tiveram seus lotes recolhidos. Também me lembro de um ônibus de fretamento de funcionários da Atol quando morava em Salvador.
É risível ver os bolsonaristas fazerem uma defesa patética dos produtos contaminados da Ypê, pela qual houve vídeos de que alguns deles supostamente chegaram a beber detergente para “provar” a suposta qualidade. O objetivo é desqualificar a “petista” ANVISA, autarquia ligada ao Ministério da Saúde.
A SABESP já deixou ocorrer, com suas omissões, três tragédias antes da de Jaguaré, bairro que se situa no final da Marginal do Rio Pinheiros. É aquele tipo de empresa privatizada, geralmente com sócios estrangeiros, que prestam um péssimo serviço à população, pois sua única motivação é o lucro, o que faz reduzir as responsabilidades, por mais que suas propagandas e declarações de assessores tentem provar o contrário. Falar até papagaio fala.
Mas isso é o estado de espírito de quase todo o empresariado brasileiro, sobretudo o do “principado” da Faria Lima. Os empresários posam de intelectuais em palestras e se fazem de pretensos filósofos nas entrevistas, caprichando no pedantismo. Coordenar o trabalho, de forma responsável, que seria bom, nada fazem
A “moderna” elite empresarial de São Paulo e, por associação, a do resto do país, é retrograda e atrasada. A maioria defende retrocessos lançados pelo governo Temer, como a escala 6x1 e o trabalho 100 % comissionado. São muito menos humanistas do que palestras e entrevistas tentam, de forma enganosa, sugerir.
Ávidos por lucro grande, fácil e imediato, seus empresários, no setor d cultura, onvestem em exaustivas maratonas de shows internacionais, que não cansam fisicamente os fãs, mas causam uma “exaustão” financeira, pois o dinheiro não acompanha um ingresso, quanto mais vários ingressos para todos os concertos desejados.
Essa elite investe em alimentos doentios formados apenas de gordura e açúcar, e, no caso de salgados, gordura, farinha de trigo e sal. Investe em detergentes contaminados, carrões com estrutura de carrinho de baixo desempenho e baixa segurança. Ou seja, carros SUV com estrutura de fusquinha.
Ver que esses empresários ameaçam a segurança e a vida da população, como os donos da marca Ypê, os atuais donos da SABESP e os fabricantes de biscoitos, chocolates, salgadinhos e sorvetes, é assustador. O governo federal já começa a agir, determinando a quantidade mínima de cacau que deve haver nos chocolates. Mas isso ainda é pouco, para um mercado em que até grandes marcas como Melitta investem em café fake.
Talvez tenhamos que trocar os administradores fake e os empresários que atuam como intelectuais fake em palestras e entrevistas. Isso ajudaria muito a melhorar a vida da população. De que adianta o Brasil sonhar com o Primeiro Mundo se ainda temos um empresariado nos padrões do antigo Brasil-colônia?
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