Já descrevemos a “invasão” de comediantes e influenciadores digitais que fez com que a função de Analista de Redes Sociais se transformasse numa grande piada. As empresas que adotam esse procedimento, iludidas com o prestígio de suas bolhas sociais, acabam se queimando a médio prazo, fazendo esta função ser entendida de maneira confusa e negativa pela sociedade.
Sim, porque muita gente acaba achando que ser Analista de Redes Sociais é contar piada no intervalo do cafezinho e gravar propagandas para o Instagram, sempre caprichando na linguagem corporal e nos gestos, mas sem apresentar algo que fosse minimamente relevante.
Junte-se a isso a atitude suicida das empresas em rejeitarem currículos e o desastre parece impossível hoje, mas será inevitável amanhã. O mercado de trabalho parece se comportar como se fossem um monte de lojinhas da Faria Lima (não a avenida, mas o “principado” da burguesia brasileira), só aceitando quem traz prestígio e visibilidade, não necessariamente talento.
A ganância das empresas pelo lucro imediato lhes faz viver essas ilusões de combinar contratações visando o status e o prestígio com ambientes profissionais tóxicos e um desempenho regular que só faz o que é estritamente obrigatório, sem pensar muito na função social de seus serviços. Se o lucro e o sucesso empresarial ficam estagnados, as empresas não mudam. Não se mexe em time que está empatando.
Enquanto pessoas com talento desperdiçam seus tempos e mentes com funções precárias no trabalho, gente sem talento mas que sabe gesticular e “arrumar” as palavras é aproveitada para cargos complexos de Comunicação, apenas aprendendo macetes enquanto seus supervisores contratam assistentes de status inferior para as tarefas mais “pesadas”.
Sim, porque se dá um jeitinho para ajudar incompetentes a permanecer num emprego. É o comediante, influenciador ou subcelebridade que é contratado para trabalhos em Comunicação é até em Jornalismo. É o nascido em berço de ouro contratado para cargos administrativos que acaba virando boneco de corda para consultorias administrativas. É o radialista pop, competente no seu meio, que no entanto é contratado por uma rádio que se diz roqueira, o que significa que, no meio do rock, não se leva em conta a especialidade.
No Brasil, o mercado de trabalho parece dar pouca atenção ao saber fazer. Vocações são lançadas no lixo. Quem sabe fazer uma coisa acaba fazendo outra, o que não sabe, num emprego que foi sua única opção. O Brasil é um país desigual, marcado apenas pelo jogo das aparências e dos interesses imediatos.
Com isso, as empresas mantém, a curto prazo, uma estabilidade que, viciada, pode se tornar, a médio prazo, um prejuízo movido por imprevistos que o profissional “bacana” não conseguirá contornar. Gente assim é boa para contar piadas divertidas no intervalo do cafezinho, mas sente dificuldade em criar estratégias para salvar a empresa de eventuais crises.
E aí, quanto dinheiro será jogado fora com consultorias de gestão para resolver problemas e quanto trabalho na justiça será feito para recuperação judicial, coisas que o animado e atraente profissional não tem a menor condição para fazer. O lucro fácil pode ser levado pelo vento das conveniências.
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