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LULA AINDA CUSTA A ENTENDER SEU DESGASTE


Lula não consegue entender seu desgaste e o aumento da margem de desaprovação. Esquece ele que sei governo foi medíocre, que sua prioridade em viajar primeiro para o exterior irritou o povo pobre, que os relatorismos dos “recordes históricos” da série “Efeito Lula” estavam longe de refletir a realidade e que suas alianças “democráticas” com a burguesia, mesmo de maneira “pragmática”, fizeram o povo se afastar dele.

Para piorar, Lula, depois de admitir que o salário mínimo de R$ 1.621 é um valor baixo, metade do valor equivalente adotado no Chile e no Uruguai, pisou na bola ao declarar que os próximos aumentos salariais só ocorrerão no mesmo cronograma atual. Animado, Lula e sua equipe anunciaram o que pretendem fazer, deixando só para 2030, último ano do hipotético quarto mandato, um valor superior a R$ 2 mil.

O aumento previsto será assim: R$ 1.812 em 2028, R$ 1.913 em 2029 e cerca de R$ 2.020 em 2030, ultrapassando pela primeira vez a marca dos R$ 2 mil. Muito pouco para os preços de alimentos, produtos, serviços e contas que aumentam quase sem parar, incluindo as dívidas que afligem muitos cidadãos.

Lula não rompeu com o legado do governo Michel Temer. Não criou uma política de emprego concreta e consistente, e só tardiamente abraçou o combate à escala 6x1. Mas não regulamentou a carga horária, pois ainda tem muito trabalho com jornada de 12 horas, emprego 100% comissionado, pausas curtas para refeições etc. Para um trabalhista, tais omissões só podem irritar as classes populares.

Lula se perdeu na consagração pessoal na primeira metade do terceiro mandato, que ele jura ser “melhor” que o primeiro. Mas que melhorias são essas que não se aplicam no cotidiano da população? E que “medidas sociais” são essas? Créditos de pagamentos e auxílios financeiros, paliativos só para compensar preços caros e salários baixos?

Na primeira metade do terceiro mandato, Lula se perdeu com viagens e discursos. Ficou distante da população e o povo sentiu isso. Não adiantou divulgar supostos milagres em relatórios - que os lulistas tratavam como se fossem “realtórios” - porque, na urgência da reconstrução, o chefe da nação se recusou a acompanhar de perto, ao lado do povo, preferindo ficar ao lado dos governantes dos países ricos.

 Completamente perdido, Lula tem dificuldade para entender seu desgaste. Vamos combinar que a verdade dolorosa é que o terceiro mandato foi medíocre, e isso eu falo de fatos, não é uma narrativa bolsonarista que, como um papagaio, repete o discurso surrado do “luladrão”. Sou jornalista e não posso ficar nadando nas piscinas do opinionismo, quando os fatos pedem para falar. Ainda que eu tenha posições pessoais, eu não posso menosprezar a realidade.

E a realidade é essa: o terceiro mandato de Lula demonstrou ser fraco, medíocre e de pouco êxito. Não dá para negar isso. Lula preferiu o aparato da grandiloquência, posando de tribuno em cúpulas internacionais, inventar “realizações fantásticas” que depois foram desmascaradas. Os “recordes de emprego”, por exemplo, se referem ao trabalho precário, de salários baixos.

E Lula, quando pensa em resolver suas crises, apela para as mesmas táticas que não dão certo. A comunicação do governo, por exemplo, apela sempre para propagandas institucionais que os espectadores, sejam na TV ou Internet e, no caso do rádio, ouvintes, evitam ver ou fazem outra coisa durante essas campanhas.

Lula pensa que o povo desconhece suas “gigantescas realizações”. É certo que a narrativa da oposição alerta de que o governo Lula 3.0 nunca deixou uma marca forte para a população, mas a verdade é que este mandato foi o mais fraco, apesar de ser o mais ambicioso, o mais pomposo e o mais grandiloquente.

Isso é que Lula não admite. Sejamos diretos na análise e na conclusão do raciocínio. Lula fez o mandato mais fraco de sua carreira, este que está no fim. E isso o povo sente e influi de modo direto na desaprovação do governo. O povo é o primeiro a perceber se um governo funciona ou não. E se não funciona, não há propaganda que tente provar o contrário. Até porque o povo, sobretudo o pobre, não quer propaganda, quer ações concretas, e isso não se viu com o Lula 3.0.

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