FLÁVIO BOLSONARO TERIA PEDIDO AJUDA DE DANIEL VORCARO PARA FINANCIAR FILME SOBRE JAIR BOLSONARO.
Até pouco tempo atrás, os bolsonaristas afirmavam que o ex-presidente Jair Bolsonaro era uma figura “honesta”, que ele teria sido eleito de maneira “espontânea”, supostamente sem recorrer ao dinheiro para conquistar o eleitorado. Por associação, essa ilusão seria atribuída também a outros membros da “familícia”.
Mas essa ilusão acabou. Não bastasse os surtos temperamentais de Eduardo Bolsonaro, que seria o braço internacional de sua família, na condição de militante ultraconservador, seu irmão Flávio, escolhido para ser candidato à Presidência da República, se envolveu em um escândalo gravíssimo.
Gravações e denúncias confirmam a aliança de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, preso por várias irregularidades. Comparativamente, Vorcaro é, guardadas as devidas diferenças, o Jeffrey Epstein brasileiro, no sentido de que foi responsável por escândalos que abalaram os bastidores da direita política. Lá fora, Epstein, bilionário que se matou na prisão e era acusado de tráfico sexual, foi revelado ter tido uma amizade intensa com o presidente dos EUA Donald Trump.
As denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro vão muito além das viagens que o dono do Banco Master ofereceu para o presidenciável e, também, para outro extremo-direitista, Nikolas Ferreira. Flávio teria pedido a Vorcaro verbas de patrocínio para o filme Dark Horse, cinebiografia dramatizada de Jair Bolsonaro. O ator direitista estadunidense Jim Caviesel foi escalado para fazer o papel do ex-presidente.
Há também denúncias de que Eduardo Bolsonaro também teria sido beneficiado pelo esquema financeiro do Banco Master. E o escândalo também é acrescido pela prisão do pai de Daniel, Henrique Vorcaro, acusado de intimidar rivais de forma violenta e de comandar os serviços do núcleo chamado “A Turma” para acessar inquéritos sigilosos em tramitação na própria Polícia Federal.
Um relatório sobre inteligência financeira divulgado pelo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou que a empresa Entre Investimentos e Participações intermediou contatos entre a produção do filme sobre Jair e o Banco Master, com repasse de R$ 159,2 milhões para a realização do filme. Este valor integra os fundos investigados pela Polícia Federal por suspeita de ligação com o esquema de fraudes do banco de Vorcaro.
Flávio Bolsonaro também sinaliza amizade com Vorcaro e havia pedido ajuda financeira para o referido filme, em mensagens de novembro de 2025. Diz um trecho: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”.
O escândalo caiu como uma bomba nos bastidores da polarização. O bolsonarismo já vivia uma situação de graves desentendimentos. Nikolas Ferreira se desentendendo com os irmãos Bolsonaro, que brigam entre si e com a madrasta dos três principais (Flávio, Carlos e Eduardo), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A extrema-direita também se fragmenta através de outros candidatos, como o mineiro de Uberaba e ex-governador Romeu Zema, que promete privatizar tudo e botar a criançada para trabalhar, e Ronaldo Caiado, ruralista da gema. Ótimos candidatos para o projeto da “Pátria do Evangelho” do “adorado médium” que defende que os oprimidos devem suportar calados as piores desgraças em troca de um lugar no Céu.
O caso do Banco Master e o envolvimento de Flávio Bolsonaro abala seriamente sua candidatura, que risivelmente tentava se vender como “moderada”, apesar do primogênito de Jair ser o que mais se relaciona diretamente com milicianos. A extrema-direita está mergulhada em muitas confusões, mas ainda tem gente passando pano em Flávio Bolsonaro, dá para acreditar?
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